domingo, 23 de julho de 2017

A Crise na Primeira República


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Introdução.
A princípio devemos considerar que a ERA VARGAS correspondeu a um período historicamente muito rico para o Brasil, em razão aos importantes eventos históricos desta época, cujos desdobramentos repercutiram intensamente na História do país. Em linhas gerais esta fase representou mudanças e ou reajustes de interesses entre os grupos sociais. Estas alterações representariam, em tese, a quebra do paradigma (modelo) da República Velha ou Primeira República através do advento da "Revolução" de 30 (isto mesmo, revolução entre aspas). Porém para compreendermos melhor como foi possível a "Revolução" de 30 (que corresponde a primeira fase da ERA VARGAS) será necessário voltarmos ao período anterior e verificarmos quais condições contribuíram para o desgaste do modelo em vigor conhecido como Primeira República ou República Velha.

O desgaste da República das Oligarquias.
Na primeira década do século XX, o acordo político entre as elites, que davam sustentação ao regime oligárquico, apresentava sinais de esgotamento. A República sonhada em 1889 não correspondia aos princípios praticados em meados dos anos 20 do século passado. Frustrou as expectativas da população, portanto não era de causar espanto a quantidade de manifestações de insatisfação popular que eclodiram pelo país, além das críticas ao modelo de condução da economia e da política, diversos setores da sociedade entre os quais a classe trabalhadora e as camadas médias urbanas promoviam agitações. O mal-estar chegou a atingir até alguns representantes das oligarquias em várias regiões do Brasil. Nas forças armadas era notória e crescente a insatisfação nos quartéis, na Marinha foi sinalizada pela Revolta dos Marinheiros de 1910  e no Exército os jovens oficiais genericamente denominados de "tenentes" acirravam os ânimos contra o regime oligárquico pregando o fim das oligarquias, melhoria no processo eleitoral com implantação do voto secreto, política nacionalista e centralização do poder.    
De maneira geral podemos atribuir que dois problemas graves afetaram a República oligárquica:
1- Os privilégios econômico-financeiros do setor agrícola (principalmente o cafeeiro)
2- A estrutura política baseada na corrupção e no voto de cabresto.
Estes dois fatores eliminavam a representatividade política dos grupos urbanos (principalmente a burguesia industrial paulista em ascensão). Interesses contrariados o grupo formado por banqueiros e industriais que junto a classe média urbana, aos operários e aos imigrantes iniciam uma proposta de “modernização” do país e para tanto seria necessário focar as prioridades do governo para a indústria e não mais na agricultura. O poder político dos coronéis (nordeste) e dos barões do café (sudeste) estava em xeque. Durante a década de 20 travou-se a queda de braço entre os grandes latifundiários e a burguesia urbana, porém um acontecimento externo e de repercussão global afetaria mortalmente o poder econômico dos cafeicultores: A Crise de 1929.
Enfraquecidos, ou melhor, falidos pela crise econômica de 1929 os barões do café perdem prestígio político. Era a oportunidade que as elites urbanas precisavam para tomar o controle da política nacional.
A palavra de ordem era “Modernidade” e em nome desta, movimentações amplas seriam realizadas para colocar o país nos trilhos do desenvolvimento. O discurso modernista representava o novo, o inédito e para tanto seria necessário desvincular-se da imagem da economia agrária e da sociedade rural a fim de deslocar as prioridades para a economia industrial e a sociedade urbana. Ao final esta última conseguirá impor seus interesses.

A Semana de Arte Moderna.
O descontentamento geral instaurou-se país afora, diversos grupos sociais emitiam sinais de que desejavam a renovação da vida nacional. Isto também foi percebido na área cultural com o advento da Semana de Arte Moderna.
Em fevereiro de 1922 um grupo de jovens artistas, patrocinados por membros da elite industrial paulistana, promoveu no Teatro Municipal de São Paulo o evento denominado de Semana de Arte Moderna. Reunindo nomes que representariam a nata do denominado movimento Modernista Brasileiro como os escritores Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia, o maestro Heitor Villa Lobos, os pintores Anita Malfatti e Di Cavalcanti, além de outros. Influenciados pelo Modernismo europeu, estes artistas apresentaram suas obras que destoavam por completo daquilo que a platéia e os críticos conservadores entendiam por arte. A reação da platéia foi violenta: além das vaias, objetos foram arremessados ao palco. 
Com tanta irreverência, diante das formas acadêmicas A Semana de 1922 tornou-se um marco na renovação das artes no país, criando novos referenciais para as futuras produções artísticas. Paulo Prado, um dos patrocinadores do evento, comparou a uma "Renascença moderna" e afirmou: "A semana de arte foi o primeiro protesto coletivo que se ergueu no Brasil contra os fantoches do passado... Assim iniciou o grupo de Arte Moderna a obra de saneamento intelectual de que tanto precisamos".        

A Reação Republicana.
Foi como ficou conhecido o movimento de oposição apoiado por militares e pelos políticos do partido republicano dos estados da Bahia, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Rio de Janeiro cansados da alternância de mineiros com paulistas na presidência da república. Extremamente tensa e tumultuada, a campanha eleitoral levou a crise do seio das oligarquias ao interior dos quartéis. Em virtude do caso das "cartas falsas" os candidatos a presidência trocaram farpas pela autoria do teor das cartas fato que provocou incidente da luta armada no Recife que terminou com a intervenção do governo federal e a prisão do marechal Hermes da Fonseca. Este episódio envolvendo o Marechal provocou enorme descontentamento dos militares em relação ao governo oligárquico.

Revoltas Tenentistas
Após a prisão do marechal Hermes da Fonseca, 302 militares jovens do Forte de Copacabana, Rio de Janeiro, promoveram um levante. Para reprimi-los o governos cercou o forte com cerca de 3 mil soldados. Numericamente inferiorizados a maioria dos revoltosos se rendeu, mas para 17 militares a causa não estava perdida e de armas em punho saíram em marcha pelas ruas de Copacabana.  O episódio conhecido como os 18 do Forte foi a primeira manifestação de repercussão nacional do movimento tenentista. Em afronta ao governo a marcha dos tenentes teve a participação de um civil, um engenheiro, que se somou aos dezesete rebeldes, porém morreu nos combates que se seguiram, assim como a maioria dos oficiais rebelados contra o governo. Do grupo de 18 apenas dois sobrevieram aos combates: os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes.
Outro movimento tenentista de repercussão nacional foi a Coluna Prestes. Liderados pelo major Miguel Costa e pelo capitão Luis Carlos Prestes a coluna percorreu o interior do Brasil por mais de 2 anos e cerca de 25 mil quilometros a pé combatendo o governo e defendendo os ideais tenentistas. Utilizado táticas de guerrilha o grupo de 1500 pessoas venceu muitos combates que travou com as forças do governo. Até Lampião foi convocado pelo Estado para combater a coluna durante sua passagem pelo sertão nordestino, ganhando o título de capitão, mas o cangaceiro desistiu do combate e preferiu ficar com as armas que recebeu do governo para lutar contra os rebeldes. Após dois anos a Coluna Prestes estava reduzida a pouco mais de seiscentas pessoas mal armadas, cansadas e sem auxílio resolveram dissolver a Coluna Prestes e refugiarem-se na Bolívia. Tempos depois Prestes se converteria à doutrina Marxista e filiaria-se ao Partido Comunista do Brasil - PCB, tornando-se por muitos anos seu principal dirigente.

A Revolução de 1930 - Introdução
A Revolução de 1930 deu início a uma nova etapa de nossa história política que estendeu-se até 1945, essa fase foi marcada pela liderança política de Getúlio Vargas. Habitualmente denomina-se esta fase como: A Era VArgas. Podemos segmentá-la em Revolução de 30, Fase constitucional e Estado Novo (1937-1945) este último, um período ditatorial, baseou-se na burocracia complexa, no poder centralizador e com a intervenção do Estado na economia e nos sindicatos.
Vargas foi o candidato da conciliação “nacional” e representava os interesses das elites. Se por um lado pregava a modernização do Brasil (atendendo aos desejos dos industriais e banqueiros) por outro não causava receio a tradicional elite agrária, pois era filho de rico estancieiro gaúcho (grande produtor rural). Esta dúbia característica de Vargas foi fator de apaziguamento entre as forças políticas nacionais em torno do nome deste gaúcho de São Borja e possibilitou, durante sua trajetória no cenário político do Brasil,  exercitar aquela que é considerada sua maior habilidade: a de transitar com facilidade entre as diversas camadas da sociedade. Vezes afagando as elites outras vezes protegendo as massas populares.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Surgimento do Fascismo e do Nazismo


O período do entre - guerras (1919-1939) foi a época do descrédito e da crise da sociedade liberal. Essa sociedade, agora desacreditada, foi forjada no século XIX, com a afirmação de que o capitalismo como sistema econômico era "perfeito". As nações imperialistas européias tinham a hegemonia do mundo e, por isso, a ótica de encarar o futuro de forma entusiástica e otimista.Após a guerra a euforia e otimismo foram substituídos por um pessimismo que beirava o descontrole. Esse pessimismo era sentido entre os intelectuais de classe média, e se manifestou principalmente no antiplarlamentarismo, no irracionalismo, no nacionalismo agressivo e na proposta de soluções violentas e ditatoriais para resolver os problemas oriundos da crise. Portanto com tais características o cenário tornou-se propício para o surgimento dos ideais nazifascistas. ......................................................................







A charge reproduz o contexto da época: "Alguém sabe qual é a saída para a Crise de 29?" "Eu, eu sei senhor!!"
A Charge acima demonstra de forma lúdica o cenário do continente europeu. O sujeito que responde dizendo saber qual era o caminho para sair da crise mudaria drasticamente a História Contemporânea.  Neste ambiente de incertezas, após a crise de 1929, o futuro das nações era tenebroso. Os questionamentos sobre quais atitudes tomar para apaziguar a apatia geral não encontravam respostas confiáveis dos governos de cunho democráticos. Nesta falta de respostas das democracias em passar confiança de melhores dias surge a oportunidade que as doutrinas autoritárias precisavam para ter voz. Nazismo e Fascismo constituíram-se uma forma de governo autoritária, cujo auge deu-se na década de 1920-30 e que pretendia ter rígido controle da vida nacional e dos indivíduos de acordo com ideais nacionalistas e mais freqüentemente militaristas.


Caracterizando
Portanto autoritarismo, nacionalismo e militarismo constituíam características peculiares dos regimes totalitários. Além destas características acrescente o culto ao líder. Os interesses opostos seriam resolvidos mediante total subordinação do cidadão ao Estado, exigindo-se uma lealdade incondicional ao líder no poder. O Nazifascismo baseia suas idéias e formas num conservadorismo extremado, constituindo-se uma ditadura capitalista de extrema-direita, produto da crise pós-I Guerra Mundial, da crise do liberalismo e do crescimento do comunismo. Em outras palavras, o nazifascismo foi a resposta da burguesia à grave situação que atingia o capitalismo no início do século XX. Assim, não se pode “personalizar” tais regimes: se Hitler e Mussolini não tivessem implantado suas ditaduras, outros o fariam, pois era uma exigência do grande capital.


Nazismo e Fascismo. Farinha do mesmo saco!
Nazismo e Fascismo foram, em princípio, o mesmo fenômeno. Suas diferenças se devem, conforme veremos adiante, às particularidades históricas de cada país. O Nazismo surgido na Alemanha foi apenas uma forma mais desenvolvida de Fascismo, que se originou na Itália. A palavra Fascismo originando-se do termo latino “fasces”, nome dado a um feixe de varas amarrado a um machado, que simbolizava a autoridade à época do Império Romano. Mussolini se apropriou da palavra e deu o nome de Fascismo ao Estado forte que pretendia criar. A partir daí, o termo passou a designar uma série de estados e movimentos totalitários no período entre a I e a II Guerra Mundial (1939-45), e cujo exemplo mais extremado foi o Nazismo alemão.

A Alemanha após a Crise de 1929 - Um terreno fértil para as idéias do Nazismo.
Vejamos primeiro a situação que se encontrava a Alemanha. A assinatura do tratado de Versalhes no final da Primeira Guerra Mundial deixou a Alemanha humilhada e despojada de suas possessões. Perdeu seus territórios coloniais e, na Europa, a Alsácia-Lorena e a Prússia Oriental. Os países vencedores limitaram o tamanho do Exército e da Marinha alemães, e o país foi obrigado a pagar pesadas indenizações de guerra que logo provocaram o colapso da economia e causaram desemprego em massa. A situação tornou-se catastrófica após a crise do capitalismo - A crise de 1929.
Assim, foi numa Alemanha envenenada pelo descontentamento que Adolf Hitler ergueu a voz pela primeira vez. Apelando para a convicção do povo alemão, brutalmente oprimidos pelos vencedores da guerra, logo conseguiu uma larga audiência. Falava de grandeza nacional (nacionalismo) e da superioridade racial nórdica (raça superior), denunciava judeus (segregacionismo) e comunistas como aqueles que haviam apunhalado a Alemanha pelas costas e levado o país à derrota. Hitler tentou um fracassado golpe denominado de "putsh" que resultou na sua prisão. Encarcerado elaborou o programa que continha a ideologia central do nazismo descrito na obra "Mein Kempf" (Minha Luta).  Através do programa intensivo de propaganda criou o Partido Nacional-Socialista (Partido Nazista) de ascensão meteórica já que 1932 tinha 230 lugares no Parlamento alemão e cerca de 13 milhões de adeptos.
Mas como explicar o crescimento exponencial de um partido "nanico"? 
O crescimento do nazifascismo só pode ser explicado a partir do medo dos capitalistas face ao crescimento do socialismo soviético (o perigo vermelho) e o aumento da luta de classes nos países europeus. Pela lógica dos capitalistas era preferível viabilizar uma ditadura de extrema direita que combatia as idéias do socialismo do que perderem todo seu "capital" para as idéias de Karl Marx. Portanto foi desta forma que um pintor medíocre e cabo da Primeira Grande Guerra ganhou espaço e bem acobertado por pessoas poderosas chegou ao posto de ditador pela via diplomática. Os grandes grupos empresariais alemães e bancos dos EUA financiaram ativamente o partido nazista a exemplo da Siemens, Thyssen, Basf, Bayer entre outros.
Depois da morte do Presidente Hindenburg, em 1934, o poder de Hitler tornou-se absoluto. No verão deste mesmo ano, eliminou implacavelmente os rivais e, desprezando a regra de lei, estabeleceu um regime totalitário.
"Exigimos terras para alimentar o nosso povo e nelas instalar nossa população excedente". Este brado do programa do Partido Nacional Socialista (NAZI), começa a ser posto em prática. A preocupação primária de Hitler durante esse período foi com a necessidade alemã de Lebensraum, expressão alemã que significa espaço vital, um dos itens principais do programa do partido nazista. Para transpor a condição de nação de segunda categoria para principal potência mundial, era primordial espaço para expandir-se, e se precisava comportar uma população em rápido crescimento exigindo prosperidade, necessitava de terras para cultivo e matérias-primas para energia e indústria. Foram com estas justificativas que Hitler e o nazismo cooptaram milhões de seguidores a sua causa esquizofrênica.

O engodo de Mussolini - a Fachada para o Fascismo
Na Itália o Fascismo também encontrou um ambiente favorável. Regime político de caráter autoritário do período entre-guerras (1919-1939). Originalmente é empregado para denominar o regime político implantado pelo italiano Benito Mussolini. Suas principais características são o militarismo, o totalitarismo, que subordina os interesses do indivíduo ao Estado; o nacionalismo, que tem a nação como forma suprema de desenvolvimento; e o corporativismo, em que os sindicatos patronais e trabalhistas são os mediadores das relações entre o capital e o trabalho.

As ditaduras eram comuns na época - A democracia havia falhado.
Na Espanha com Francisco Franco e em Portugal com Salazar configuram como outros exemplos da proliferação dos estados totalitários na Europa. Porem esta onda de desconfiança nas democracias liberais alastra-se através do Oceano Atlântico e vem aportar no Brasil. A ditadura de Vargas imposta pelo Estado Novo configura esta característica do cenário mundial em apontar para o apoio aos regimes ditatoriais, conforme abordamos no período denominado a Era Vargas.

PARA SABER MAIS
Hitler foi o único responsável pelos desdobramentos do Nazismo? 
O processo de fascistização foi comandado e assumido pela própria sociedade alemã?
Regimes de exceção, como o Nazismo, representam anseios da sociedade? 

Entenda as respostas às perguntas acima lendo o artigo A FIGURA ESVAZIADA DE HITLER