GRÉCIA, ROMA E I. MÉDIA

Grécia - O Berço da cultura do Ocidente (Resumo)


Localizada na Península Balcânica, Europa (veja o mapa ao lado). A civilização grega deixou importantes contribuições para a formação da cultura ocidental, que chegou até nós através dos europeus. Senão vejamos, foram os gregos idealizadores da cidadania, democracia, filosofia, geometria, teatro e jogos olímpicos.

A história da Grécia antiga é dividida nos seguintes períodos: pré-homérico, homérico, arcaico, clássico e helenístico. 
O período Pré-Homérico. (2000 a 1200 A.C) - Nos primórdios da formação a Grécia foi habitada por povos indo-europeus. Os aqueus foram os primeiros. Possuíam estreitas relações com os cretenses, habitantes da Ilha de Creta, motivo que ajudou a formação da cultura micênica (nome derivado da cidade aqueia de Micenas). Séculos depois, chegam a Grécia outros povos : osjônios, os eólios e os dórios. Sendo estes últimos, os dórios, exímios guerreiros, conheciam e dominavam a fundição do ferro. Foram responsáveis pela destruição da cultura micênica obrigando a maioria de seus habitantes a fugirem, dando origem a primeira diáspora (dispersão) grega.           

O período Homérico. (1200 a 800 a A.C) - Este período recebe esta denominação devido a Homero, o pai da História, de cuja autoria são as mais significativas fontes históricas sobre a época: os poemas épicos da Ilíada - descrevendo a Guerra de Tróia - e o outro poema a Odisséia - que relata as aventuras do herói Odisseu (ou Ulisses) sobrevivente da guerra de Tróia. Lembram dos refugiados da primeira diáspora? Pois é, serão os fundadores dosgenos - são pequenas comunidades agrícolas auto-suficientes que utilizavam o sistema de produção conhecido como coletivismo ou gentílico. Os genoseram compostos por membros de uma mesma família sob a chefia do pai, ou seja, uma sociedade patriarcal. Contudo, a disputa por terras cultiváveis devido ao aumento populacional destruíram o sistema gentílico ou coletivismo. As famílias mais poderosas se apoderaram das melhores terras,originando a propriedade privada, e muitas outras famílias se dispersaram para outras regiões fora da Grécia, ocasionando a segunda diáspora grega. 

O período Arcaico. (800 a 600 A.C) - Com o surgimento da propriedade privada, alguns grupos ficaram com as melhores terras outros com as piores, mas a maioria sem nenhuma. Por este motivo começam uma série de conflitos entre os grupos sociais. Para lidar com as constates desavenças os proprietários de terra constituíram um tipo de irmandade ou associação as fratrias. Aos poucos as fratrias se uniram e formaram as tribos, que, por sua vez, agruparam-se emdemos. Os demos organizaram-se e evoluíram para a pólis ou cidade-Estado (o conceito de cidade-Estado foi a principal transformação do período arcaico). 
Por sinal, a palavra cidadania vem de cidadão ou aquele que mora na cidade e foi na cidade que os gregos adotaram o conceito de Cidade-Estado, cuja evolução deu-se a partir da pólis, e possuíam as seguintes características: governo autônomo, lei própria, moeda, organização social e economia local.Embora falassem o mesmo idioma e uma cultura comum não praticavam o conceito de país ou nação grega, tanto que eram constantes os desentendimentos e guerras entre as cidades-Estados. As principais cidades-Estados foram Atenas e Esparta

Atenas foi conhecida como a cidade exemplo da Grécia antiga por sua cultura e prosperidade econômica. Localizada na região da Ática, devido a escassez de terras férteis os atenienses voltaram-se para a pesca, navegação e ao comércio marítimo. A educação ateniense é focada para formação de cidadãos. Porem, sua história é recheada de revoltas populares e instabilidade política devido a desigualdade social. A sociedade atenienses era composta de Eupátridas (grandes proprietários de terras) , os pequenos proprietários, camponeses, artesãos, comerciantes ou demiurgos , estrangeiros ou metecos e escravos. Nos primórdios Atenas foi governada por um rei - o basileu. Aos poucos os eupátridas (grandes proprietários de terras ) tomaram o poder e criaram o sistema de governo conhecido como Oligarquia (significa governo de poucos). Para tentar resolver sucessivas crises foram efetuadas reformas políticas. A primeira reforma foi efetuada por Drácon que redigiu as leis - até então orais, dificultando assim sua manipulação pelos eupátridas. Apesar de importantes as leis draconianas não resolveram as reivindicações populares, e outro legislador entrou em cena: Sólon que instituiu as seguintes mudanças: Abolição da escravidão por dívidas, libertou os devedores da prisão; determinou a devolução das terras confiscadas pelos credores eupátridas; institui o princípio da igualdade perante a lei e criou um sistema legislativo que dava mais oportunidades ao povo participar. Apesar das reformas, os conflitos sociais continuaram gerando grande instabilidade política, foi a oportunidade para Psístrato tomar o poder e instaurar um novo tipo de governo, a Tirania (ao contrário de hoje o termo não indica um governo opressor e sim governo tomado ilegalmente). Durante a tirania experimentou-se relativa estabilidade, após a morte de Psístrato, Atenas foi varrida por uma nova revolta popular liderada por Clístenes, conhecido como o pai da democracia. Clístenes efetuou uma série de mudanças que facilitaram a participação direta de todos os cidadãos atenienses nas decisões políticas. Esse tipo de sistema ficou conhecido como Democracia (governo do povo). 
COMO PODEMOS VERIFICAR A HERANÇA DA CULTURA GREGA EM NOSSO PAÍS. Importante lembrar que o conceito atual que temos de democracia é diferente do da época da Grécia antiga. Se no Brasil podemos escolher pelo voto quem ocupa os quadros políticos do governo, devemos isto aos gregos, mas a democracia da época de Clístenes não era igual a nossa. Atingia apenas os cidadãos, ou seja, os homens nascidos em cidade grega. Os demais componentes da sociedade, mulheres, estrangeiros e escravos não eram considerados cidadãos. A democracia da antiga Grécia é de difícil aceitação numa concepção atual de democracia, pois tinha aspecto limitador, elitista e excludente pouco semelhante com o conceito moderno.

A outra importante cidade-Estado grega era Esparta, localizada no planície do Peloponeso, possuía uma economia agrária e chamava atenção pelo caráter militar de sua sociedade que direcionava a educação para formação de soldados. Os espartanos eram submetidos a uma rígida disciplina, ao completar 7 anos as famílias entregavam seus filhos ao Estado para a formação militar e,aos 18 anos, ingressavam no exército, tornando-se hoplitas (soldados). Os que nasciam com defeitos físicos eram descartados pelo Estado,conforme o costume eram jogados no precípicio. A estrutura social espartana era estratificada ou seja sem mobilidade. Os espartanos, periecos, hilotas compunham a estrutura social. Apenas os espartanos tinham direitos políticos e monopolizavam o poder. Os periecos eram os comerciantes e os artesãos. Os hilotas eram escravos de propriedade do Estado que cultivavam as terras dos espartanos. 
A organização política de Esparta era a Oligarquia (governo de poucos).A estrutura de poder era composta dos seguintes orgãos: eforato, diarquia, gerúsia e ápela. O eforato, formado por cinco magistrados eleitos anualmente, era quem detinha o poder político na cidade. A diarquia, composta de dois reis hereditários que exerciam funções executivas e militares. A gerúsia composta por membros vitalícios responsáveis por elaborar leis. A ápela era a assembléia popular formada por espartanos maiores de 30 anos, tinha a função consultiva.  



Período Clássico. (Séc V - séc IV A.C.)
Foi durante esta fase que a Grécia atingiu seu apogeu. Atenas, com seu sistema de governo democrático, desenvolveu-se e expandiu-se para o mar através da prática do comércio. Sua política expansionista choca-se com os interesses de outra potência da época: O império Persa. A guerra para impor a supremacia marítima e comercial entre gregos e persas (ou medos) denominou-se as Guerra Médicas. Dividida em duas fases, no primeiro confronto os gregos conseguiram vencer o exército de Dario I, rei persa, na batalha de Maratona. Porem os persas não desistiram e no segundo confronto voltaram a atacar os gregos em 486 a.C. Nas raras ocasiões que as cidades-Estados gregas se uniam a Baralha de Salamina foi decisiva para vencer os persas. Receosos de uma nova investida persa, os gregos criaram a Confederação de Delos, formada pela união de várias cidades sob a liderança de Atenas. Responsável pela administração financeira da confederação, Atenas aproveitou-se da sua condição para utilizar os recursos em benefício próprio, desenvolvendo sua indústria e seu comércio. Em pouco tempo tornou-se a cidade mais poderosa da Grécia, com grande desenvolvimento cultural e econômico. Durante o governo de Perícles, Atenas atingiu seu poderio máximo. Perícles efetuou reformas para diminuir o desemprego realizando obras públicas. Contudo, os anos de ouro de Atenas despertaram as rivalidades entre as demais cidades e fez com que Esparta, incomodada com a posição de ateniense diante as demais cidades, liderasse a Liga do Peloponeso com objetivo de combater a Confederação de Delos. Este choque de interesses na disputa pelo poder entre Atenas e Esparta resultou numa guerra suicida, envolvendo todas as cidades gregas, conhecida como a Guerra do Peloponeso. No final desta a guerra Esparta sagrou-se vitoriosa, mas foi a Grécia quem mais perdeu. Em virtude da devastação causada pela guerra em muitas cidades abriu-se as portas para as invasões externas.   Período Helenistico. (400 a 200 A.C) 
A guerra entre as cidades gregas resultou no fim da predominância de Atenas e teve início a de Esparta, que impôs governos oligárquicos em todas as pólis que faziam parte da Confederação de Delos. Porém a hegemonia espartana foi breve, em 376 a.c. foi derrotada por Tebas. As constantes guerras destruíram as cidades e desorganizaram o mundo grego. Empobrecidas e debilitadas, as pólis tornaram-se presas fáceis para o domínio da Macedônia - uma região situada a norte da Grécia, que pôs fim a 
autonomia das cidades-Estados gregas. Alexandre, o Grande, tornou-se rei da Macedônia, após a morte de seu pai Felipe II, empreendeu uma campanha de expansão da Macedônia a partir da conquista do Império Persa e dominar vastas extensões de terras que iam do Egito até a Índia. 
Apesar de jovem, Alexandre, assumiu o trono com 20 anos, possuía um incrível preparo para governar. No seu reinado houve uma grande aceleração do comércio, aumento da urbanização e da mesclagem de valores da cultura grega com as dos povos conquistados. Esta mistura deu origem à cultura helênica
Após a morte de Alexandre o império macedônico esfarelou-se e as disputas de poder entre os generais resultaram em guerras que resultaram no enfraquecimento das regiões que compunham o império. No século II a.C., a Grécia e a Macedônia foram convertidas em províncias da então nova potencia mundial: Roma.  




Fragmento de cerâmica retratando uma disputa entre velocistas gregos. Esta era uma das provas das Olimpíadas








ROMA - OS DONOS DO MUNDO (Resumo) 



ROMA : A civilização mais poderosa, mais duradoura da Antiguidade. Veremos o resumo da formação, expansão e o desmoronamento o último grande império da História Antiga.


Origens

Fundada no século VIII a.C., Roma resultou do encontro de 3 povos: os italiotas, os etruscos e os gregos que espalharam-se pela península Itálica (corresponde atualmente ao território da Itália) e formaram o que mais tarde chamaríamos de povo romano ou simplesmente ROMA. Desenvolveram um vasto império cujas leis, monumentos, táticas militares, instituições e cultura influenciaram grande parte do mundo ocidental. Esta influência romana ficou tão entranhada na cultura dos povos que viviam dentro das fronteiras do vasto Império a ponto de que na ocasião da queda de Roma ocorrida por volta de 476 d.C., acontecimento este utilizado pela historiografia como marca da passagem da Idade Antiga para a Idade Média, dizia-se que o fim do mundo estava próximo em virtude de que grande parte da população mundial nasceu, viveu e morreu sob a tutela romana e seu desmoronamento era considerado como apocalíptico.

A versão mitológica da surgimento da cidade de Roma, narrada por Tito Lívio e Virgílio na obra Eneida, conta que os gêmeos Rômulo e Remo foram seus fundadores. Segundo a lenda, os dois irmãos, ainda bebês, foram abandonados num cesto e lançados no rio Tibre, mas graças a uma loba (chamada de Capitolina) que os amamentou, conseguiram sobreviver. Motivo pelo qual o símbolo da cidade de Roma (Cidade Eterna) é a loba amamentando Rômulo e Remo. Uma lenda romântica se não fosse escrita com derramamento de sangue, mais tarde os gêmeos já adultos tornaram-se pessoas admiradas a ponto de disputarem terras e poder entre seus pares, e como num enredo de tragédia grega com personagens latinos Rômulo mata Remo e torna-se o primeiro rei lendário de Roma. 

Entretanto a versão da historiografia sobre as origens de Roma é menos romantizada, provavelmente por volta do século VIII a.C os italiotas chegaram a região e agruparam-se em pequenas vilas, aos poucos as vilas foram crescendo devido ao aumento populacional, com a chegada dos etruscos que dominaram os italiotas e impuseram seus costumes e promoveram o desenvolvimento de habilidades como a execução de obras de construção de canais de irrigação e drenagem.

A história de Roma é dividida em três grandes períodos: Monarquia, República e Império.


Período Monárquico (753 - 509 a.C.)


Nesta fase a sociedade romana estava segmentada em quatro camadas: patrícios, clientes, plebeus e escravos. Os patrícios eram ricos proprietários de terras, possuíam direitos políticos, detinham cargos públicos e eram a minoria da população. Os clientes eram plebeus adotados por patrícios, geralmente prestavam-lhes serviços e obediência. Os plebeus constituíam a maioria da sociedade, mas não tinham direitos políticos apesar de serem livres, constituíam-se nos trabalhadores braçais (pedreiros, carpinteiros, agricultores, etc.) Os escravos eram considerados "coisa", podiam ser vendidos, trocados ou arrendados.
A economia era baseada na atividade agrícola e pastoril . O poder político estava centralizada nas mãos do rei, escolhido através de assembléia popular (Comícia Curiata), o cargo era vitalício e acumulava funções de juiz, sacerdote e político. Entretanto o rei não tinha poderes ilimitados, o Senado (Conselho de Anciãos, uma instituição tipicamente romana formado apenas por patrícios) controlava e fiscalizava as ações do rei. Roma teve sete reis nesta fase e os dois últimos tentaram livrar-se do incômodo controle do Senado. Procurando garantir seus interesses, os patrícios promoveram a substituição da Monarquia pela República. 



Período Republicano (509 - 27 a.C.)


República significa "coisa de todos" (Res publicus) cujo conceito vem da Grécia, entretanto foram os romanos que operacionalizaram e formaram sua estrutura. A República foi concebida com características elitistas, os patrícios moldaram no novo regime de acordo com seus interesses, eram os patriarcas das famílias proprietários de terras que controlavam o Senado e tinham poder de voto na Assembléia, portanto eram os únicos que podiam votar e legitimar as leis. Entretanto, com o tempo, a plebe (formada por plebeus) conseguiu maior participação politica e ganhos sociais através das revoltas promovidas com esta finalidade.
A estrutura política da República esta ancorada em duas instituições: O Senado e a Assembléia. As funções executivas e jurídicas eram distribuídas aos ocupantes da Magistratura, uma espécie de ministério. A magistratura executiva principal era ocupada pelo Cônsul (consulado) o responsável pela política interna ou externa. O Ditador ocupava a magistratura executiva, por um período de 6 meses, em situações excepcionais como: guerra ou calamidade. O edil era o encarregado da limpeza pública, policiamento da cidade e fiscalizar o cônsul. O pretor tinha funções semelhantes aos atuais juízes. Os censores organizavam o recenseamento da população. A gestão das finanças e tributos ficava a cargo dos questores.


As revoltas dos plebeus.


Durante a República os plebeus promoveram diversas revoltas com objetivo de alcançar direitos e melhorias sociais. Apesar de ser a maioria da população e de ter a obrigação de pagar impostos e alistamento militar, os plebeus não possuíam direitos políticos. A partir do século V a.C. iniciaram uma revolta ao retirarem-se de Roma, numa espécie de greve. Percebendo a cidade desprotegida e paralisada os patrícios concordaram em atender as reivindicações dos plebeus concedendo-lhes representação política através da figura do Tribuno da plebe (inicialmente com dois representantes e mais tarde aumentado para dez). Os tribunos tinham poder de voto e veto (impedir) e podiam ser procurados por qualquer plebeu que se sentisse injustiçado. Com o tempo os plebeus, após outras revoltas, conseguiram adicionar outros benefícios, como a Lei das Doze Tábuas, a primeira compilação escrita de leis romanas cujo teor era composto de outras leis: 
* Lei Canuléia - autorizava o matrimônio entre patrícios e plebeus.
* Lei Licínia - proibia a escravidão por dívidas. 
* Lei Hortênsia - dava validade legal as decisões da Comícia Plebis, ou seja a instituição do plebiscito. 


As Guerras Púnicas.


Desde os primórdios a civilização romana empreendeu uma política expansionista e preocupou-se em organizar um grande exército, mas somente com a implantação da República foram criadas condições que favorecessem a uma atitude mais agressiva de expansão territorial. Em menos de duzentos anos os romanos conquistam grande parte da península itálica. Em 264 a.C. o choque de interesses entre romanos e Cartago (cidade-Estado fenícia localizada no norte da África) pelo controle do comércio marítimo no Mediterrâneo deu início às Guerras Púnicas. No senado Catão, sempre que terminava seu discurso proferia a seguinte frase: "Delenda Cartago est" (Cartago deve ser destruída). 
Num total de três campanhas, a primeira Guerra Púnica durou 23 anos, o desenvolvimento naval romano foi determinante para a vitória sobre Cartago e anexação dos territórios da Sicília, Sardenha e Córsega. Na Segunda Guerra Púnica Roma conseguiu a duras penas deter e vencer o incrível exército, composto por centenas de elefantes, do general cartaginês Aníbal. A terceira Guerra Púnica terminou com a destruição total de Cartago. Após a rendição de Cartago o Mediterrâneo foi chamado pelos romanos de Mare Nostrum (em latim, nosso mar) e Roma imporia seu domínio marítimo comercial sobre toda região.





                                                                                                                                       







              
Gravura representando a aniquilação de Cartago.                          Roma consegue o controle marítimo do Mediterrâneo 


Trocando em miúdos, após as Guerras Púnicas os romanos passaram a dominar grande parte da bacia Mediterrânea. Conseguiram arrecadar uma enorme quantidade de riquezas das províncias conquistadas, mas o impacto destas conquistas provocam repercussões na economia. O aumento do fluxo de escravos provenientes das regiões conquistadas formaram uma numerosa massa de trabalhadores concentrados na cidade de Roma. Os clientes foram duramente afetados pelas Guerras Púnicas visto que suas propriedades foram devastadas e posteriormente compradas à preços irrisórios pelos patrícios que tornavam-se cada vez mais ricos a partir da concentração de terras. Agora desprovidos de terras os clientes migram para as cidades em busca da sobrevivência, muitos se concentravam na capital que cresceu desordenadamente. Pobres e sem perspectivas de trabalho esta massa de migrantes aumentam o foco de tensões sociais. 




A Expansão Territorial de Roma.


Gradativamente, formaram um imenso império, transformando o mar Mediterrâneo num verdadeiro “lago romano", como eles diziam, o Mare Nostrum (Nosso Mar). Dotado de exército bem preparado e organizado os romanos iniciam as conquistas, seus soldados guardavam as fronteiras e sufocavam possíveis rebeliões. As legiões romanas eram formadas por cidadãos romanos e cada uma delas tinha 5 mil soldados, divididos em unidades chamadas de centúrias. Era através das guerras que Roma aumentava seu território e também a quantidade de contribuintes que pagavam tributos ao Estado. Os romanos exploravam os povos vencidos, extraindo riquezas de seus territórios (ouro, prata e outros metais) ou fazendo comércio com eles. Formou-se um impressionante sistema de estradas, com mais de 85 mil quilômetros. O transporte e o comércio também eram feitos por mar.
Não menos importante, era o grande fluxo de escravos para servir de mão de obra e distrair a população. Muitos escravos batalhavam pela vida nas lutas entre gladiadores nas arenas. O Coliseu (anfiteatro Flavius) era a mais famosa destas arenas. Quando a situação política estava tensa, os líderes romanos convenientemente decretavam feriados e realizavam festas no Coliseu com distribuição de pão para o povo, era chamada política do Pão e Circo utilizada para desviar a atenção da população dos graves problemas. Sobre esta situação o senador Graco mencionou certa vez: "o coração de Roma pulsa nas areias do Coliseu e não no mármore do Senado". 


Conseqüências das conquistas romanas


O Império Romano durou cerca de 700 anos, mas a civilização romana sobreviveu muito mais. O latim, falado pelos romanos, foi a língua escrita de todos os europeus educados até o século XVI. Da mistura do latim vulgar, falado pelo povo, com a língua dos povos de várias regiões conquistadas, originaram-se as línguas neolatinas. As principais são o francês, o italiano, o espanhol, o romeno e o português. Muitas línguas européias modernas, como o inglês, apesar de não terem se originado do latim, apresentam muitas palavras de origem latina.
As conquistas provocaram inúmeras transformações econômicas, políticas e sociais:

• Introdução do luxo e opulência com o enriquecimento dos patrícios, que se apossaram das terras dos pequenos proprietários recrutados para o serviço militar;

• aumento do número de escravos. Os prisioneiros de guerra, reduzidos à situação de escravos, substituíram o trabalhador livre. Os desempregados do campo migraram para as cidades;

• formação de uma nova camada social, a dos cavaleiros ou classe eqüestre. Eram plebeus que enriqueceram cobrando impostos e fornecendo víveres ao exército e que ganharam autorização de explorar novas terras, ricas em minérios;

• empobrecimento dos pequenos proprietários, pois muitos produtos das regiões dominadas chegavam a um preço muito baixo, competindo com a produção local.

• crise na pequena propriedade e crescimento do número de latifúndios (grandes propriedades). 


A crise da República


A República romana, após as conquistas, entrou em profunda crise, que marcou o seu declínio. Nesse período, destacam-se os seguintes acontecimentos: as reformas dos irmãos Graco, os governos de Mário e Sila e os triunviratos.


Os irmãos Graco – Os tribunos da plebe


Os irmãos Tibério e Caio Graco, eleitos sucessivamente como tribunos da plebe, preocupados com os problemas sociais que se agravavam, propuseram reformas sociais:

• Tibério Graco, em 133 a.C., conseguiu a aprovação de uma lei que limitava o tamanho das terras dos aristocratas e autorizava a distribuição entre os pobres da área que ultrapassasse o limite estabelecido. Essa lei desagradou aos grandes proprietários de terras entre os quais estavam os senadores. Tibério e aproximadamente 500 de seus partidários foram assassinados pelos patrícios .

• Caio Graco, em 123 a.C., retomou o projeto de reforma agrária. Conseguiu a aprovação de uma lei que aumentava a participação da plebe na administração do Estado. Também conseguiu que o preço do trigo fosse reduzido. Sofreu oposição dos grandes proprietários e suicidou-se. Seus seguidores foram perseguidos e muitos foram condenados à morte.



Os governos de Mário e Sila.
No período de 136 a 132 a.C., aproximadamente 200 mil escravos armaram-se e rebelaram-se. Muitos morreram, e a maioria foi submetida por seus proprietários. Com o aumento da instabilidade política, diversos militares passaram a disputar o poder. Nessa época, Roma conheceu os governos militares e autoritários dos generais Mário e Sila.



• Mário defendia a camada popular. Diminuiu os privilégios da aristocracia e estabeleceu o pagamento de salários aos soldados, o que levou à entrada de pessoas pobres no exército.

• Sila substituiu Mário e defendia a camada aristocrática. Perseguiu a classe popular e restabeleceu os privilégios dos aristocratas.


 O Primeiro Triunvirato.


Após a morte de Sila, dois generais, Crasso e Pompeu, foram eleitos cônsules. Crasso havia enfrentado e vencido uma revolta de 80 mil escravos liderada por Espártaco, e Pompeu tinha derrotado os partidários de Mário na península Ibérica.
Com o objetivo de diminuir o poder do Senado, Pompeu aliou-se a Crasso e Júlio César e os três tomaram o poder, instituindo o Primeiro Triunvirato. Pompeu ficou com Roma e o Ocidente, Crasso com o Oriente, e Júlio César era o responsável pela Gália. Após a morte de Crasso, Pompeu deu um golpe de Estado, conseguindo do Senado sua nomeação para o cargo de cônsul único. César, que estava na Gália, voltou para Roma, com o objetivo de enfrentar Pompeu. Após sua vitória, César foi aclamado ditador vitalício.



Governo de Júlio César.




O governo de Júlio César caracterizou-se pela tentativa de reduzir o poder do Senado. Promoveu várias reformas: diminuição dos abusos na arrecadação de impostos, extensão do direito de cidadania a vários povos, construção de estradas e reformulação do calendário (adotou o seu nome para o sétimo mês do ano). O Senado, contrariado com seus poderes, armou uma conspiração e, em 44 a.C., Júlio César foi assassinado nas escadarias do senado. Segundo a historiografia ao notar que entre os seus assassinos estava o seu filho adotivo Brutus, Júlio César antes de morrer teria dito “até tu filho”.




O Segundo Triunvirato.


Contudo, no ano seguinte, os partidários de César organizaram um novo governo forte, o Segundo Triunvirato, formado por Otávio, Marco Antônio e Lépido. Os triúnviros dividiram entre si a administração do império: Otávio ficou com Roma e o Ocidente, Marco Antônio recebeu o Oriente e Lépido ficou com a África, porém foi deposto em 36 a.C.
Nesse mesmo ano, Marco Antônio foi para o Egito e envolveu-se com a rainha Cleópatra. Otávio declarou Marco Antônio inimigo de Roma e partiu para o Oriente, a fim de combatê-lo. Otávio saiu vitorioso, e Marco Antônio e Cleópatra suicidaram-se. Otávio assumiu o poder. Recebeu do Senado vários títulos, entre eles os de Imperador, César e Augusto. Iniciava-se, assim, o Império.




O período do Império (27 a.C. a 476 d.C.)

O imperador detinha poderes absolutos. Era equiparado a uma divindade, exercia o comando do exército e legislava por meio de editos, decretos e mandatos. Ao Senado restou a posição de conselheiro do imperador. Otávio, o primeiro imperador, governou de 27 a.C. a 14 d.C. Em seu governo:



• foi criada a Guarda Pretoriana (elite do exército), com a função de dar proteção ao imperador e à capital Roma;
• foi dado incentivo à agricultura, ao comércio e à indústria;
• foi organizado um novo sistema de impostos;
• foram construídas várias obras públicas, o que gerou muitos empregos para os plebeus.

A paz, a prosperidade e as realizações artísticas marcaram o governo de Otávio Augusto, tanto que este período é conhecido como a “Pax Romana”. O século I, do qual fez parte o seu governo, ficou conhecido como o Século de Ouro da Literatura Latina, ou o Século de Augusto. Seu ministro, Mecenas, tinha grande interesse pelas artes e apoiou, entre outros, os escritores Horácio e Virgílio. Para ganhar popularidade, Otávio adotou a política do pão e circo. Distribuía trigo para a população pobre e organizava espetáculos públicos de circo para diverti-la.



O surgimento do Cristianismo


Na época do governo de Otávio, nasceu na Palestina, uma das províncias romanas do oriente, Jesus Cristo que iniciaria sua pregação e sua morte por crucificação provocaria o surgimento de um das grandes religiões da humanidade. Posteriormente, seus ensinamentos começaram a ser difundidos por Pedro e principalmente Paulo em várias partes do Império, dando origem ao cristianismo que aproveitaria a estrutura do Império Romano para consolidar-se.




Os sucessores de Otávio

Após o governo de Otávio, o Império Romano foi governado por várias dinastias que, em geral, levaram-no à instabilidade política, econômica e social.
• Dinastia Júlio-Claudiana (14-68) — período marcado por conflitos sangrentos. O imperador Nero foi responsável por incendiar Roma e pela perseguição aos cristãos.

• Dinastia dos Flávios (69-96) — os imperadores desta dinastia contaram com o apoio do exército, submeteram o Senado e governaram de forma despótica.

• Dinastia dos Antoninos (96-192) — período considerado de apogeu. O império atingiu sua maior extensão territorial, acompanhada de prosperidade econômica. O comércio se desenvolveu e houve grande afluxo de capitais para Roma.

• Dinastia dos Severos (193-235) — houve crises internas, fuga da população urbana para o campo, falta de dinheiro, inflação e pressão dos povos bárbaros nas fronteiras. O processo de instabilidade levou ao declínio do Império.



A implosão do Império Romano – A Crise do Império

Atribui-se como principal causa da decadência a crise no sistema Escravista. Habitualmente a pergunta que se faz é porque o Império Romano desabou. Contudo muitos estudos sugerem um outro questionamento mais intrigante: Como foi possível diante de tantas crises, Roma durar tanto tempo? Em verdade podemos colocar a seguinte cadeia de eventos para explicar sucintamente o fim do Império romano: Com o fim das guerras de conquista ocorreu a diminuição do afluxo de riquezas, paralelamente a diminuição da oferta de escravos, que se tornaram muito valorizados e assim afetou seriamente a economia visto que o trabalho escravo era o pilar de sustentação di sistema de produção econômica . Diversas tentativas fossem adotadas para resolver a crise mas não surtiram efeito, porém, era cada vez maior a pressão exercida pelos povos bárbaros (estrangeiros) nas fronteiras do império, quando em 476, Roma foi tomada pelos germânicos. Era o fim do Império Romano do Ocidente. O Império Romano do Oriente, também conhecido como Bizantino, duraria até 1453, quando foi dominado pelos Otomanos.




O Coliseu foi palco de espetáculos promovidos pelos imperadores para “divertir” o povo com a encenação das batalhas e lutas mortais entre os gladiadores. Antes de entrar em luta os gladiadores dirigiam ao imperador a seguinte frase: Ave Cesar os que vão morrer te saúdam. Nos primórdios do cristianismo muitos de seus seguidores eram lançados as feras na arena.





Cultura e legado – Conheça algumas criações dos romanos e a herança que nos deixaram em diversas áreas;
ARQUITETURA   Empregada para exaltar as glórias da nação, a arquitetura era a mais desenvolvida arte romana. Alguns elementos bastante utilizados eram os arcos e as colunas – de influência grega. Os romanos destacaram-se na construção de aquedutos, estradas, pontes, além de edificações de grande valor artístico, como o Coliseu e o Panteão em Roma.
DIREITOCom o idioma – o latim, que é a base de línguas atuais como o português, espanhol e italiano -, o direito é o maior legado romano. Dividido em civil, que regulamentava a vida dos cidadãos; Em estrangeiro, aplicado aos que não eram cidadãos; e o Natural, que regulamentava a vida de todos os habitantes de Roma, este é a base do atual sistema jurídico ocidental
LITERATURADurante séculos, a literatura latina era basicamente a grega. A partir do fim do período Republicano, no entanto, os autores romanos começam a produzir obras originais e importantes Escritores como Virgílio, autor de Eneida, os dramaturgos Plauto e Tito Lívio, que escreveu o patriótico História de Roma.
RELIGIÃOOs romanos eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses. Essas divindades se tornaram muito semelhantes às gregas, após o contato com esta civilização. A pregação de Jesus Cristo, nascido numa província do Império, deu origem ao Cristianismo, cujos seguidores eram perseguidos. Com a conversão do imperador Constantino, em 313, a religião cristã ganhou força e apoio do estado, situação que permitiu o surgimento da poderosa Igreja Católica ao aproveitar a estrutura organizacional romana para estruturar-se.










O Fórum Romano era o centro do poder do Império, local das decisões políticas e intrigas palacianas. Do legado deixado por Roma encontra-se os princípios do Direito Natural, base jurídica da maioria das nações ocidentais.








A DIVISÃO DO IMPÉRIO:


Ainda no século IV, os romanos assistiram às primeiras levas de bárbaros cruzarem as fronteiras do império à procura de terras para o cultivo e o pastoreio.
Teodósio, em seu governo, preocupado em melhorar a administração, em 395, dividiu o império entre seus dois filhos:

• O Império Romano do Ocidente, com capital em Roma;

• O Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla.






A IDADE MÉDIA.



Costuma-se a chamar de Idade Média o período que começa com a queda do Império Romano do ocidente em 476 d.C. e encerra-se em 1453 com a tomada de Constantinopla, então, a capital do Império Bizantino.  O período medieval costuma-se a ser dividido em Alta e Baixa Idade Média.

Alta Idade Média estende-se do séc. V ao X, que corresponde ao período de consolidação do feudalismo, o sistema socioeconômico predominante  na Europa medieval.

Baixa Idade Média inicia-se no séc. XI e encerra-se no séc. XV. Corresponde ao período do auge e da decadência do feudalismo, a partir de uma lenta transformação que resultou na substituição do modelo feudal pelo sistema capitalista.

Habitualmente costuma-se a relacionar a Idade Média como uma época de insignificante desenvolvimento científico, tecnológico e artístico. Essa visão nasceu durante o período do Renascimento quando criou a denominação de Idade das Trevas, neste particular devemos considerar o contexto da luta entre o pensamento do racionalismo Renascentista contra o pensamento religioso da Igreja. Entretanto, o período medieval foi responsável por importantes contribuições em relação a produção agrícola, na área educacional com a criação das universidades, além do desenvolvimento de movimentos artísticos como o romântico, o gótico e principalmente o Renascimento.  

    

A Formação do Feudalismo.


Entre o fim de Roma e a instalação do Feudalismo, a Europa foi varrida por uma onda de invasões dos povos bárbaros: os vândalos, os anglo-saxões, os lombardos, os francos e os árabes. Apesar de destruírem as instituições romanas, jamais conseguiram consolidar-se como Estado forte, a exceção dos árabes e dos francos.  

Os reinos francos ergueram um vigoroso império na Europa Ocidental. Instalados na Gália, atual França, os francos finalmente fixam-se a partir do  século V, na região que outrora era uma província romana . 
A dinastia dos merovíngios foi a primeira tentativa de unificação dos francos, realizada por Clóvis que empenhou-se em conquistar terras e formalizar uma aliança com a Igreja Católica na ocasião de sua conversão ao cristianismo. 
Esta aliança com a Igreja solidificou-se quando a dinastia merovíngia conseguiu deter o avanço do islamitas na Europa através de Carlos Martel que liderou e venceu a batalha de Poitiers em 732 d.C. delimitando o território do império islâmico na Europa apenas à península ibérica (Espanha e Portugal) 

A dinastia dos carolíngios sucedeu os merovíngios ainda no século VII, e atingiu o apogeu com Carlos Magno, coroado imperador pelo papa, adquiri assim, a incumbência de disseminar e defender o cristianismo. Importante ressaltar que nesta época a Europa atravessava o processo de ruralização e descentralização do poder, elementos chave da formação do sistema feudal. A expansão territorial feita por Carlos Magno alcançou grande extensão da região central da Europa,mas após sua morte o império fragmentou-se e  a desintegração contribuiu para o aumento do poder da nobreza local, somado ao acontecimento das novas invasões bárbaras: dos normandos e saxões, permitiu a consolidação do feudalismo. 

Esta nova leva de invasões acentuou o clima de insegurança e instabilidade entre a nobreza. Como forma de defesa surge a construção dos grandes castelos, que funcionavam como fortalezas militares, em torno deles viviam a população pobre (servos do castelo) que buscavam proteção. Em razão da segurança os castelos situavam-se em regiões afastadas e de difícil acesso, esta situação cria a necessidade de produzir ali mesmo o que era preciso para sobreviver, ou seja, a autossuficiência voltada para a subsistência (produzir apenas o necessário para viver). A economia tinha a sua base na agricultura e a posse da propriedade (o feudo) determinada a condição de poder e social do indivíduo.   




Uns rezam, alguns lutam e outros trabalham.


A citação acima pode perfeitamente sintetizar as relações sociais e de poder existentes no feudalismo, pois as relações eram bem definidas a partir do sistema de obrigações e direitos. Abordamos antes que após a desintegração de Roma e do Império Carolíngio, o sistema feudal instala-se no continente europeu. 

Agora veremos como foi esse processo e de que forma a vida desenvolveu-se nesta época Podemos definir o feudalismo como um sistema político, social, econômico e cultural que predominou na Idade Média. Entre suas características podemos apontar: a descentralização do poder político; a pouca mobilidade (engessamento) social; a autossuficiência econômica dos feudos (que eram as unidades básicas de produção da Idade Média); a base da economia era a agricultura e a principal força de trabalho era servil. 

A figura abaixo é uma representação básica da estrutura de um feudo






O poder político.

descentralização do poder era a principal característica política do feudalismo. A autoridade do rei era meramente figurativa, pois na prática o poder era exercido pelo senhor feudal (membro da nobreza) que recebia do rei generosas porções de terra (o feudo), em contrapartida era obrigado a dar proteção militar à realeza. 
Este costume chamava-se "beneficium" (derivado das instituições germânicas), tornou-se comum entre os nobres que passaram a doar as terras entre si numa cerimônia chamada de "homenagem", o vassalo - aquele que recebia a propriedade e em troca prometia fidelidade e proteção militar ao doador, chamado de suserano - aquele que doava as terras e por sua vez jurava proteção ao vassalo. Esse sistema de obrigações recíprocas denominou-se relações de suserania e vassalagem, e constituiu-se uma das principais características do feudalismo, que teve sua origem numa antiga instituição germânica chamada de "comitatus" (era a fidelidade mútua entre chefes das tribos). 
Outros costumes derivados das instituições romanas influenciaram a estrutura do poder político no feudalismo, como por exemplo o "colonato", obrigava a fixação do trabalhador à terra e justificava assim a situação de servidão do trabalhador. Assim é crível afirmar que o feudalismo é o resultado da união das instituições romanas e germânicas.


A organização social.     

A sociedade feudal estava estruturada basicamente em três níveis sociais: senhores feudais, clero e servos.

  • senhores feudais - eram os nobres, detinham o poder sobre as propriedades (feudos)  e o controle militar.
  • clero - eram os religiosos, formado pelo alto (nobres) e baixo (servos) clero.
  • servos - eram os trabalhadores rurais.
Entre as características da sociedade medieval podemos destacar: a mobilidade social era muito restrita, quase não existia, a divisão social era legitimada pela doutrina da igreja católica ao atribuir a estratificação e hierarquização à vontade de Deus.
Os servos não eram escravos, pois não pertenciam ao senhor feudal, não podiam ser vendidos ou negociados, mas estavam presos à terra em razão da sua condição de dependência a estrutura de produção do feudo, ou seja, em troca do direito de usar a terra, o servo tinha de prestar uma gama de serviços e pagar vários tributos, tais como a corveia, a talha e a banalidade. 
As idéias socialistas de Karl Marx não fariam sucesso na Idade Média, a final a desigualdade social entre as classes fazia parte da ordem natural vigente no período, e portanto não deveria ser modificada. A classe social de uma pessoa era determinada pelo seu nascimento. 
Além dos três grupos sociais, havia um outro pequeno grupo social na sociedade feudal, chamados de vilões, que moravam nas vilas, eram trabalhadores livres ligados a um senhor.



A economia.



O feudo era a unidade básica de produção no sistema feudal, e a agricultura era a base da economia. A atividade econômica era voltada para o consumo interno, o feudo adotava a autossuficiência e a produção de subsistência. O comércio era praticamente nulo. As transações eram a base de trocas de produtos (o escambo), apesar de existir uma incipiente atividade monetária (uso de moedas). Lembrar que em razão da insegurança os feudos usam o isolamento como forma de preservação da integridade física, razão pela qual o contato com outros feudos era raro, obrigando assim, a adoção da autossuficiência econômica.

A estrutura básica de um feudo era constituída pelo manso senhorial (terras exclusivas do senhor feudal), manso servil (usadas pelos servos desde que pagassem tributos pela utilização), manso comum (utilizada por todos, eram os bosques e os pastos), o castelo (morada do senhor feudal), casa dos servos. Veja a figura abaixo.


O poder da igreja: corações e mentes a serviço da fé.


Na idade Média, é ponto pacífico que nenhuma instituição era tão rica, bem organizada e influente quanto a igreja católica. A impressão que deveria passar àquele que entrava num templo católico naquela época era algo parecido com a visão dos portões do paraíso. Se havia uma luz na escura Idade Média, seu clarão apontava ao encontro com Deus. A única salvação possível para toda e qualquer alma do período medieval estava na fé católica. Neste contexto, de chegar o mais próximo possível de Deus, surge a arquitetura gótica, erguendo catedrais imponentes tanto em dimensão quanto em ostentação. Com a suntuosidade cênica dos vitrais que permitiam a entrada da luz criando uma atmosfera celestial nos templos que guardavam relíquias sagradas de Cristo.


VITRAL DA CATEDRAL DE NOTRE DAME - PARIS
A arquitetura gótica foi instada promover a criação de uma atmosfera mística. Ostentar mais do que um simples efeito visual era uma simbologia de poder onipotente.   
Desde que o Imperador romano Teodósio tornou o cristianismo a religião oficial do Império em 391 d.C., a igreja acumulou fortunas e enormes porções de terras. Bem organizada e presente em quase todas as regiões da Europa, os seus membros dedicaram-se a converter os bárbaros e promover a sua integração ao sistema de poder vigente.
Além de deter o poder espiritual, econômico e político, os religiosos faziam parte de uma elite letrada que monopoliza o conhecimento medieval. A ponto da filosofia ser confundida com a teologia cristã, através das ideias de seus maiores expoentes como: Santo Agostinho, Tomas de Aquino e Abelardo. Com tanto poder nas mãos, os sacerdotes não se davam por satisfeitos e queriam mais. A fim de manter a coesão da vida era necessário o auxílio divino. Neste ponto entravam os nobres reis medievais, quando na cerimonia de coroação o novo monarca era ungido com o óleo sagrado e a benção da igreja, marcando assim o seu direito de governar sancionado por Deus e portanto estava justificado o poder do governante sobre o povo.
Outra forma da Igreja impor seu poder foi através do pretexto de combater as heresias (eram práticas contrárias à doutrina da católica) através dos tribunais do Santo Ofício, mais conhecidos como Inquisição.  Símbolo máximo da repressão a Inquisição tornou-se uma espécie de justificativa para livrar o rei e papa de pessoas incômodas. Com poderes para julgar e sentenciar à morte os réus considerados infiéis os tribunais quase sempre condenavam aqueles que discordavam dos desmandos da Igreja ou de seus aliados. As vítimas mais famosas da Inquisição foram: Joana D'arc, sentenciada a morte na fogueira e Galileu Galilei condenado a retratar-se diante da Igreja devido a suas descobertas científicas. 
A intensa participação dos religiosos nos assuntos terrenos provoca a reação de alguns segmentos da cristandade contrários a esta postura pouco evangelizadora do clero regular. Nasce então as ordens religiosas monásticas, também conhecidas como clero secular. Viviam isolados, reclusos em mosteiros e abadias, praticavam votos de pobreza e castidade, dedicavam-se a vida simples envoltos em orações e ao trabalho intelectual, além  da transcrição de obras da antiguidade clássica realizadas pelos monges copistas. Entre estas ordens religiosas uma das mais antigas foi a dos Beneditinos, fundada por São Bento, em 525 d.C. Posteriormente surgem outras ordens como os Franciscanos, Carmelitas e Jesuítas. 






Observe a altura da Igreja em estilo gótico do Convento de Santa Maria da Vitória, em Batalha -  Portugal.