sábado, 19 de agosto de 2017

Governo Populista - Populismo


A REPÚBLICA POPULISTA 1946 – 1964 (Resumo)


Apesar de habitualmente convencionar-se o período de 1945 a 1964 como o auge do populismo é importante ressaltar que suas raízes não remontam desta época. As suas origens estão na Revolução de 1930. O populismo não foi um advento tipicamente brasileiro, mas latino americano. Trazia a marca de suas origens: a política ambígua como produto de forças transformadoras e contraditórias. Notabilizado por Getúlio Vargas que usou e abusou do carisma pessoal, dos discursos melodramáticos e do uso da propaganda massiva, características consagradoras do grande ícone populista que, ainda hoje, inspira os hábitos e comportamentos das lideranças políticas contemporâneas. Seu discurso nacionalista, a concentração de poderes políticos, uma delicada teia de interesses e alianças proporcionaram-lhe longa permanência a frente da presidência do Brasil. O populismo de Vargas saudava valores e idéias que o credenciava como “grande líder” porta-voz das massas, fundamentando o seu discurso em projetos de inclusão social. Contudo o exemplo que ratifica a contradição do populismo é a denominação dada à Vargas que conseguia, ao mesmo tempo, ser o “pai dos pobres” e a “mãe dos ricos”.
Segundo o sociólogo Francisco Weffort, o populismo, como "estilo de governo", é sempre sensível às pressões populares; simultaneamente, como "política de massa", procura conduzir e manipular as aspirações populares. Isto significa que, aparentemente o comando estava com o povo, porem na realidade, sem aperceber-se a massa popular era sutilmente controlada pelo governante. Podemos retirar a conclusão do que representou o populismo a partir de 3 aspectos:
No plano político/econômico foi o deslocamento do pólo dinâmico da economia - do setor agrário para o urbano -, através do processo de desenvolvimento industrial, em grande parte iniciado pela revolução de 1930.
No plano social, tais transformações econômicas implicaram a ascensão das classes populares urbanas, cujos anseios foram sistematicamente ignorados e reprimidos no período da República Oligárquica.
Do ponto de vista da camada dirigente, o populismo é, por sua vez, a forma assumida pelo Estado para dar conta dos anseios populares e, simultaneamente, elaborar mecanismos para o seu controle.

O MITO DO PAI DOS POBRES - Este texto traz mais informações sobre o populismo.
Vargas foi uma referência do populismo, mas não o único. JK, Jânio e Jango também figuram como representantes deste modelo na época. Posteriormente outros políticos absorveram características populistas em suas trajetórias pessoais, seja no ambito estadual ou nacional. O populismo não acabou. Ainda está em evidência. Como prova apontamos o estilo de governar do presidente Lula ao incorporar aspectos populistas, mantém altos índices de popularidade no Brasil e destaca-se no cenário político internacional. Cito como exemplo do folclore populista o recente fato de ter recebido elogios do presidente Obama ao comentar "Este é o cara" referindo-se a Lula. Portanto "nunca na História deste país" o populismo esteve tão em voga. Importante lembrar que a passagem para o período da República Populista origina-se nas consequências do término da Segunda Guerra Mundial que repercutiram sobre a política interna do Brasil e contribuiram para o enfraquecimento das bases de sustentação do governo Vargas. Justificativa não faltava. Afinal não fazia sentido manter aqui uma ditadura (o Estado Novo) que enviou tropas para combater a ditadura nazifascista na Europa. Situação não condizente ao cenário mundial de restabelecimento das democracias, após a derrota do nazifascismo. As pressões aumentaram para o término do Estado Novo.

Foi assim que o "Reporter Esso a testemunha ocular da História" anunciou a pelo rádio a renúncia de Vargas em 1945: (Clique no link abaixo para ouvir)

REPÓRTER ESSO NOTICIA A RENÚNCIA DE VARGAS



Eurico Dutra (1946-1951)
Embora não figure como um típico populista, Dutra foi o primeiro presidente do dito período. Eleito com o apoio do PTB e de Getúlio Vargas, a quem derrubou do poder em 1945, chegou a presidência em uma época conturbada por problemas econômicos e políticos. O aumento do custo de vida provocou manifestações de protesto da classe trabalhadora em reação o governo Dutra proibiu greves e interveio em sindicatos. Vamos observar alguns aspectos deste governo considerando a seguinte classificação:
Contexto político Nacional:
  • Elaboração da Constituição de 1946 (Quinta constituição do Brasil e quarta da República) foi considerada foi considerada liberal e redemocratizante. Características: Foi Promulgada; Manteve República Federativa; O Regime Presidencialista (com mandato presidencial de cinco anos); Independência entre os três Poderes; Autonomia estadual e municipal; Voto universal e obrigatório para alfabetizados maiores de 18 anos; Votação para Presidente e Vice-Presidente.
  • Plano Salte (saúde, alimentos, transporte e energia);
  • Proibição do jogo do bicho e fechamento dos cassinos;

Contexto político Internacional:

  • Alinhamento do Brasil aos EUA no contexto da Guerra Fria (Imperialismo Cultural);
  • Rompimento das Relações Diplomáticas com a URSS;Fechamento do PCB;




Getúlio Vargas – PTB (1951 – 1954):


Em 1950 na campanha para presidente traz a baila Getúlio Vargas. Utilizando seus atributos populistas Gegê, como era carinhosamente chamado, consegue se eleger e voltar ao poder "nos braços do povo". Inova na campanha política. Utiliza o "jingle" de campanha divulgado pelos canais midiáticos, principalmente o rádio, fortalecendo a comunicação com as massas trabalhadoras.  
Clique no link para ouvirJINGLE DA CAMPANHA DE VARGAS EM 1950


Afinal nos trabalhadores encontraria um dos pilares de sustentação do governo, cuja principal característica foi a política econômica nacionalista e intervencionista. Característica esta que valeu forte oposição dos adversários políticos e apesar do carisma popular o clima do governo transcorreu em meio a turbulentas crises e resultou no gesto fatídico do suicídio. Fatos do governo Vargas:
  • Plano Lafer (Horácio Lafer): estímulo a indústria de base (Plano Qüinqüenal);
  • Campanha "O petróleo é nosso", com o apoio de Monteiro Lobato, que culminou em 1953 com a criação da Petrobrás;
  • Empresários nacionais, associados a capitais internacionais, financiaram a oposição ao governo através da UDN e do seu líder e governador da Guanabara Carlos Lacerda (dono da Tribuna da Imprensa);
  • A fim de ganhar apoio das massas Vargas adota uma medida populista: o aumento de 100% do salário mínimo, concedido pelo Ministro do Trabalho João Goulart;
  • Atentado a Carlos Lacerda (rua Toneleros, Copacabana no Rio de Janeiro);
  • Suicídio de Getúlio Vargas (24 de agosto de 1954). Carta Testamento: "...saio da vida para entrar na História."                                                                                                                                                                                  
Clique no link para ouvir o trecho da Carta Testamento anunciada pelo Repórter Esso: A CARTA TESTAMENTO DE VARGAS





Multidão acompanha o cortejo fúnebre de
Vargas no Rio de Janeiro 







O povo chora pela morte do "pai dos pobres"


Assumem respectivamente a presidência Café Filho (vice-presidente), Carlos Luz (presidente da Câmara dos Deputados) e Nereu Ramos (presidente do Senado). Tentativa de golpe dos udenistas (com o apoio de Carlos Luz), que tentam impedir a posse de JK e Jango, acusando-os de "comunistas" e por não conseguirem a maioria absoluta de votos. A tentativa de golpe foi desarticulada pelo general Henrique Teixeira Lot (Ministro da Guerra).


Juscelino Kubitschek – PSD (1955 – 1961)
Carismático e político habilidoso JK, o presidente "bossa nova", notabilizou-se pelo empreendedorismo e na construção de um Brasil moderno como marca da sua administração. Podemos apontar como principal característica deste governo a política econômica modernizadora e com base no capital estrangeiro. Abriu as portas para o capital internacional, elevou o padrão de consumo da população urbana ao incentivar a instalação das indústrias de bens duráveis (automóveis e eletrodomésticos). Concluiu seu mandato com a audaciosa e dispendiosa construção de Brasília. Os principais fatos deste governo foram:
Construção de Brasília a marca da adminisração JK.

  • Sua plataforma de campanha e de governo foi o Plano de Metas: "50 anos de desenvolvimento em 5 de governo";
  •  Empréstimos e investimentos estrangeiros. O Plano de Metas previa investimentos em: energia, transporte, alimentação indústria de base e educação.
  • Construção de Brasília (Projeto de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa), construída pelos candangos.
  • Concentração de industrias em SP, Rio e MG. Instalação de indústrias de bens duráveis, principalmente multinacionais automobilísticas;
No final do governo JK, o país teve um aumento considerável da dívida externa e da inflação (superinflação), o que provocou o aumento do custo de vida e poder aquisitivo do salário mínimo caiu consideravelmente;
  • O aumento da inflação do custo de vida e da dívida externa, levou o governo a romper com o FMI e a decretar oratória.
  • Criação da SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste);


Jânio Quadros – PTN (1961):


Apesar de ser candidato do inexpressivo partido PTN foi eleito com o apoio da UDN. Comentava-se que: "Jânio é a UDN de porre!". Seu símbolo de campanha foi a "vassourinha" que segundo Jânio, se eleito, varreria a corrupção da administração pública. Particularmente entendo que a escolha de Jânioo foi o voto de protesto do eleitorado. Teve o significado de um recado aos políticos, em virtude do desacrédito nas atitudes das instituições da República no contexto da época. Figura caricata, Jânio, foi autor de medidas polêmicas como a proibição de rinhas de galo e uso do biquíni. No plano da política externa provocou arrepios aos políticos conservadores ligados ao capital estrangeiro (Estados Unidos) quando condecorou Che Guevara em cerimônia oficial. Esquisitices a parte Jânio encerrou seu mandato com uma renúncia pitoresca alegando que "forças terríveis ameaçavam seu mandato" "a mim não falta a coragem da renúncia" . Os principais acontecimentos deste governo:
Jânio condecora Che Guevara em Brasília
  • Manteve uma política externa independente: Reatou relações diplomáticas com a URSS e China Popular. Condecorou o ministro cubano e líder revolucionário de esquerda, Ernesto "Che" Guevara, com a comenda da Ordem do Cruzeiro do Sul.
  • A UDN rompe com Jânio e Carlos Lacerda, em rede de TV, acusa-o de abrir as portas do Brasil ao "comunismo internacional";
  • Sem apoio Jânio Quadros renuncia(26 de Agosto de 1961): "...forças terríveis levantaram-se contra mim e me intrigam ou infamam... A mim não falta a coragem da renúncia."Assim o

Repórter Esso anunciou a misteriosa renúncia de Jânio: A RENÚNCIA DE JÂNIO



Com a renúncia de Jânio, deveria assumir o vice-presidente. Jango estava em visita oficial a China Popular e era considerado pelos grupos reacionários, simpatizante do comunismo. Setores ligados ao grande capital nacional e internacional, com o apoio de parte das Forças Armadas tentaram impedir a posse de Goulart, quando eclodiu em Porto Alegre, depois se espalhando pelo RS e Brasil, o Movimento da Legalidade, liderado pelo governador Leonel Brizola (com o apoio do III Exército), que exigia o cumprimento da constituição e a posse de João Goulart.





João Goulart – PTB (1961 - 1964):
A posse de João Goulart, foi muito tumultuada. Graças as forças da legalidade seu mandato foi garantido. Época em que movimentos pró e anti-revolucionários eclodiram pelo país o governo Jango foi palco do conflito de interesses da implantação de reformas sociais com o capital internacional. A novidade foi a inédita adoção do sistema Parlamentarista,que deveria ser referendado por um plebiscito, tendo como Primeiro Ministro Tancredo Neves; Realização do plebiscito (6 de janeiro de 1963): de um total de 12 milhões de votos, quase 10 milhões de cidadãos votaram contra o parlamentarismo; Podemos caracterizar o mandato de Jango como governo nacionalista e política externa independente. Outros acontecimenos deste governo :
  • Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social:
  • Reformas de Base:   Reforma Agrária; Reforma Urbana; Reforma Educacional; Reforma Eleitoral; Reforma Tributária.
  • Lei de remessas de lucro para o exterior. Desagradou os interesses das multinacionais que operavam no Brasil.

Os trabalhadores deflagaram greves para pressionar os deputados e senadores na aprovação das reformas, as classes dominantes, em oposição, organizavam ,em várias cidades, as Marchas com Deus pela Liberdade, em São Paulo a Marcha teve como uma de suas líderes a socialite Hebe Camargo. Em 31 de março de 1964 começou o Golpe Civel Militar por Minas Gerais (general Olímpio Mourão Filho, apoiado pelo governador Magalhães Pinto), que recebeu a adesão de unidades no RS, SP e GB. Em 1 de abril Jango deixou Brasília e rumou para Porto Alegre, onde Brizola, com o apoio da BM, tentou convence-lo inutilmente a resistir, ambos fugiram para o Uruguai. Termina assim com um golpe militar a República Populista

Para sabe mais sobre a DitaduraPALESTRA SOBRE FATOS DA DITADURA

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - 1939 a 1945

“Sangue, suor e lágrimas ...”

IMPRIMIR RESUMO

Apresentação:
As operações militares da Segunda Guerra Mundial se estenderam da invasão da Polônia pela Alemanha nazista, a 1/9/ 1939, até a assinatura da rendição incondicional do Japão, em 2/9/1945, provocando 45 milhões de mortos, 35 milhões de feridos e 3 milhões de desaparecidos. Nessas operações militares se defrontaram as potências do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e as potências Aliadas (Grã-Bretanha, Estados Unidos e União Soviética). Com a invasão alemã à Polônia em 1939 e o ataque japonês a Pearl Harbor em 1941, duas guerras paralelas, mas relacionadas entre si, compuseram o quadro do novo conflito mundial: a primeira teve como palco principal a Europa, onde a União Soviética desempenhou um papel preponderante vencendo a Alemanha, e a segunda se desenrolou no Oceano Pacífico, onde os Estados Unidos se destacaram derrotando o Japão. Quanto à sua evolução, o curso da guerra desdobrou-se em três fases: as vitórias do Eixo (1939-1941), o equilíbrio de forças (1941-1943) e as vitórias dos Aliados (1943-1945).

Introdução:
Seria muito simplista do ponto de vista da História entendermos as 2 grandes guerras do inicio do séc. XX apenas pelo descrever das batalhas, datas, biografias dos personagens, mortes e conseqüências. Estes dois acontecimentos Históricos são muito mais complexos do que pensamos por abranger valores culturais diversos, ressentimentos seculares, mostrar o retrato da sociedade de uma época, etc . É temerário abordarmos as grandes guerras sem considerarmos aspectos como: o sentimento nacionalista, as políticas do imperialismo, o nazifascismo, o cenário econômico antes e após crise de 1929, as doutrinas socialista e capitalista. Deste “caldo” de eventos os entrelaçamentos e desdobramentos formam as histórias pessoais dos sujeitos históricos, ao da localidade, da nação e do mundo. De certo foi que as pendengas das disputas imperialistas entre as potencias européias não cessaram com o final da Primeira Guerra de 1914 a 1918. As condições firmadas pelos tratados de paz, principalmente o Tratado de Varsalhes, impondo pesados ônus aos derrotados contribuíram mais para o acirramento dos ânimos do que necessariamente para estancar o sentimento de revanche, contaminando com a discórdia as relações entre os países. Exemplo típico foi a Alemanha, apesar de duramente atingida pelo tratado de Versalhes foi pela força econômica dos grandes monopólios industriais que consegue recuperar-se, reiniciar o processo expansionista e retomar a militarização para lutar pelos mercados mundiais. Agora alimentada pelo sentimento de revanche que levaria o mundo a uma nova guerra mundial sem precedentes na história.
Contudo para tentar entender o “caldo” que constituiu a Segunda Guerra Mundial precisamos acrescentar outros ingredientes, pois o cenário da época é assinalado por importantes acontecimentos econômicos e políticos que interferem no contexto.
Vejamos.
A crise do capitalismo de 1929 abalou a confiança em vários governos liberais (democráticos) europeus e desestabilizou o poder constituído. Paralelamente a crise do capitalismo a ascensão do “perigo vermelho” do socialismo, fortalecido pelo advento da Revolução Bolchevique de 1917, alcança elevado nível de temor entre os grandes centros capitalistas, fato que justificava a retomada de discursos autoritários nazifascistas como parte de uma nova estratégia dos capitalistas para manter os interesses econômicos através do forte controle político e incentivo ao expansionismo imperialista. Nesta conjuntura os regimes totalitários obtiveram expressiva representatividade na Alemanha, Itália e Japão. A efervescência dos discursos e programas políticos constituídos de profundo desprezo a democracia ganharam espaço e destilavam seu veneno sobre a população que passou a considerar o nazifascismo como uma possibilidade viável.O crescimento do nazifascismo só pode ser explicado a partir do medo dos capitalistas face ao crescimento do socialismo soviético e o aumento da luta de classes nos países. Portando se a Segunda Guerra é a continuidade da Primeira Guerra, por sua natureza imperialista podemos afirmar que o nazifascismo foi o ingrediente particular que corroeu a crença na democracia e tornou-se no instrumento capitalista de dupla face: retomada do expansionismo imperialista e combate ao socialismo. A compreensão torna-se mais clara quando perguntamos como pequenos partidos ultra nacionalistas obtiveram crescimento assustador em curto espaço de tempo ou quando questionamos a leniência de ingleses e franceses diante do expansionismo e remilitarização da Alemanha, da consolidação do fascismo na Itália, Espanha, Portugal, Polônia e também da ditadura do Estado Novo no Brasil.

REVENDO A DEFINIÇÃO E CARACTERÍSTICAS DO NAZI-FACISMO
Nazismo e Fascismo constituíram-se uma forma de governo autoritária, cujo auge deu-se na década de 1920-30 e que pretendia o estrito controle da vida nacional e dos indivíduos de acordo com ideais nacionalistas e com freqüência militaristas. Os interesses opostos seriam resolvidos mediante total subordinação ao Estado, exigindo-se uma lealdade incondicional ao líder no poder. O Nazifascismo baseia suas idéias e formas num conservadorismo extremado, constituindo-se uma ditadura capitalista de extrema-direita, produto da crise pós-I Guerra Mundial, da crise do liberalismo e do crescimento do comunismo.
Em outras palavras, o nazifascismo foi a resposta da burguesia para a grave crise que atingia o capitalismo no início do século XX. Assim, não se pode “personalizar” tais regimes: se Hitler e Mussolini não tivessem implantado suas ditaduras, outros o fariam, pois era uma exigência do grande capital. Nazismo e Fascismo são, na verdade, o mesmo fenômeno. Suas diferenças se devem, conforme veremos adiante, às diferenças históricas de cada país. O Nazismo surgido na Alemanha foi apenas uma forma mais desenvolvida de Fascismo, que se originou na Itália. A palavra Fascismo origina-se do termo latino “fasces”, nome dado a um feixe de varas amarrado a um machado, que simbolizava a autoridade à época do Império Romano. Mussolini se apropriou da palavra e deu o nome de Fascismo ao Estado forte que pretendia criar. A partir daí, o termo passou a designar uma série de estados e movimentos totalitários no período entre a I e a II Guerra Mundial (1939-45), e cujo exemplo mais extremado foi o Nazismo alemão. Para entendermos melhor esta fase tomaremos como exemplos um dos fatores fundamentais que propiciou a tragédia da 2ª Grande Guerra: O Regime Nazista.

As fontes do Nazismo não são novas. O movimento surge do resultado da fusão e da reelaboração de ideais e sentimentos antigos da sociedade alemã. Outros movimentos compartilhavam de características como: o nacionalismo extremado, o racismo e a intenção de criar uma sociedade reacionária e militarista. Mas coube ao Nazismo a prevalência em suplantar outros movimentos e conquistar o poder. A Alemanha imperial de 1870 a 1918 era uma sociedade autoritária, reacionária e militarista, e os nazistas souberam aproveitar estas características e se apropriaram desta herança para elaborar seu projeto de governo. Utilizam as idéias dos conservadores alemães que não viam bons olhos a sociedade industrial. Estes intelectuais se refugiavam em um mundo mitológico e medieval (passado heróico) para determinar que a sociedade moderna e a política só poderiam renovar-se através da arte. Com estes elementos compunham a mitologia da pureza e da escolha do povo alemão como o eleito por Deus. Nos seus discursos Hitler constantemente refere-se ao passado glorioso do Sacro Império Romano-Germânico a fim de realizar a ponte com a História dando a impressão de continuidade das glórias do povo germânico através do III Reich fundado pelo Nazismo. Mesmo o anti-semitismo – mais presente no nazismo que em outros movimentos de caráter fascista – não era uma criação original. Grupos anti-semitas pululavam em toda a Alemanha e Aústria desde o século XIX e suas ideais são encontradas na Europa em séculos anteriores.

Mas, por que tantos alemães escolheram o nazismo?
Em boa parte parece claro que muitos alemães votavam no nazismo por descrédito nas democracias, por questões políticas locais ou ainda por acreditarem nas propostas nazistas (que, diga-se de passagem, faziam parte da tradição alemã). Mas de um ponto de vista abrangente, colaborou a “fantástica” máquina de propaganda nazista. O aparato cenográfico montado impressionava a população e rapidamente os nazistas cooptaram a fúria, o desejo de vingança pela humilhação que o povo alemão passou na guerra anterior, restava um povo empobrecido e humilhado pela derrota e pela crise. Portanto não foi difícil imaginar porque os alemães não questionaram as intenções de Hitler. Os conceitos do programa Nazistas de virilidade, sangue e raça substituíram as promessas de mais empregos ou de justiça social dos partidos socialistas. Hitler não prometia a igualdade entre os indivíduos, mas a superioridade um povo de senhores, os alemães, diante de seus servos, o resto da humanidade. Pode-se imaginar o efeito devastador e multiplicador destas propostas a uma população humilhada e desesperançosa. Foi esta habilidade de manipula as emoções e os desejos das pessoas que deu popularidade à mensagem de “Her” Hitler. (Texto adaptado de: João f. Bertonha – Fascismo, nazismo, integralismo. – Editora Ática – São Paulo)

Assista este discurso de Hitler dirigido a juventude alemã e observe o teor da mensagem:

HITLER DISCURSA PARA JUVENTUDE ALEMÃ

PARA SABER MAIS!!

AS BATALHAS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - SITE INTERATIVO

VAMOS EXERCITAR SEUS CONHECIMENTOS!!

EXERCÍCIOS 2ª GUERRA MUNDIAL

RESUMO - Roteiro
1 – Antecedentes (década de 30):
  • Fortalecimento de regimes totalitários nazifascistas.
  • Formação do EIXO (Roma + Berlim + Tóquio) – Pacto ANTIKOMINTERN (Anticomunismo).
  • Pacto de “Não Agressão” entre URSS e Alemanha.
  • Fracasso da política de apaziguamento da Liga das Nações.
  • Desrespeito da Alemanha ao Tratado de Versalhes. A instituição do serviço militar obrigatório. A oupação das zonas fronteiriças com a França. Incorporação da Áustria (o ANCHLUSS). Incorporação da Tchecoslováquia (nos Sudetos).
  • As invasões feitas pelo Eixo : Invasão da China (1931 - Manchúria) pelo Japão. A Invasão da Etiópia (1935) pela Itália.
  • Invasão da Polônia pela Alemanha em 1/9/1939 – início da 2ª Guerra Mundial.

2 - Fases da Guerra:
  1. 1939: “Guerra de Mentira” – preparação.
  2. 1939 – 1942: Vantagem das tropas do Eixo.
  • Ocupação da Dinamarca, Noruega, Holanda e França (BLITZKRIEG – Guerra Relâmpago).
  • França, Inglaterra e Bélgica são expulsos do continente (“Retirada de Dunquerque”).
  • Formação do governo colaboracionista de Vichy (sul da França).
  • Invasão da URSS (1941) rompendo acordo de não agressão (minérios, petróleo, cereais).
  • Ataque japonês a base americana de Pearl Harbour (1941) – Os EUA entram na guerra.
  • Expansão territorial máxima das forças do Eixo.
  1. 1942 - 1943 : Equilíbrio de Forças.
  • Batalha de Stalingrado (42-43): URSS* X ALE – 1ª frente.
  • Batalha de Midway (1943): EUA* X JAP.
  • Controle do Norte da África(Egito – 1943): Aliados* X ALE+ITA.
  • Controle do Mediterrâneo – Desembarque na Itália – 2ª frente.
     D. 1944 -1945 : a FASE FINAL – Vitória dos Aliados
  • “Dia D” (Desembarque da Normandia - 1944): A libertação da França – 3ª frente.
  • Invasão da Alemanha (maio/1945).
  • Bombas atômicas em Hiroxima e Nagasáqui (Japão – agosto/45). O fim da guerra no Pacífico.
3 - Conseqüências da II Guerra:
  • 50 milhões de mortos (20 milhões – URSS; 6 milhões – Polônia; 5 milhões – Alemanha; 1,5 milhão – Japão).
  • HOLOCAUSTO – assassinato de aproximadamente 6 milhões de judeus em campos de concentração ou de extermínio.
  • A Bipolarização mundial entre os EUA (capitalismo) X URSS (comunismo).
    • GUERRA FRIA.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A Crise do Capitalismo – 1929


“Dificuldades financeiras nos Estados Unidos provocam venda do Banco Merrill para o Bank of América.” (Folha 15/9/2008)
“4º maior banco dos Estados Unidos, anuncia falência” (Jornal Folha de São Paulo em 15/9/2008).
“Notícias de falências provocam fortes perdas nas Bolsas de Valores no mundo” (Jornal Estado de São Paulo 15/9/2008).
“O governo dos EUA tenta amenizar a crise fornecendo financiamento aos bancos em dificuldades”. (Jornal A Tarde 14/9/2008).
"Devemos reconhecer que isso (a crise) é um evento que acontece uma vez a cada meio século" (Alan Greenspan, ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos, em entrevista e rede de televisão ABC em setembro de 2008).




As manchetes e as charges acima extraídas de alguns jornais são atualíssimas e parecem ter alguma semelhança com o fato que aconteceu em 1929, conhecido como a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque. Em parte têm mesmo. As crises no sistema capitalista são eventuais e podemos graduá-las em leves, médias e fortes. O Modo de Produção Capitalista não é perfeito, aliás nenhum é, mas para começo de conversa o que vem a ser Modo de Produção? De forma bastante aligeirada podemos sintetizar este conceito como a forma na qual determinada sociedade organiza sua força produtiva e as suas relações de produção

O sistema capitalista tem as seguintes características e pressupostos: 
  • As relações de produção caracterizam-se pelo trabalho assalariado e pela propriedade privada dos meios de produção. 
  • Os dois grupos sociais principais são a burguesia e os trabalhadores assalariados. 
  • Os trabalhadores vendem sua força de trabalho para receber o "salário". O capitalista é aquele que detém os meios de produção (ou seja, ferramentas para produzir algo) e para tanto compra a força de trabalho do assalariado. 
  • O capitalismo, em essência, é movido pelo lucro. 

Em relação aos princípios da economia, postula-se:
  • Deve ser regulada pela "mão invisível do mercado", ou seja, a chamada lei da oferta e da procura
  • O governo não deve interferir na economia. Deixa que o mercado resolve. Será??? 

A maior potência econômica capitalista da atualidade, os Estados Unidos tornou-se a referência dos migrantes do planeta em busca de oportunidades de trabalho e melhoria do padrão de vida. Contudo nem tudo são flores, pois milhões que lá vivem não desfrutam de condições satisfatórias de vida. Segundo o Censo de 2003 cerca de 12,5 por cento da população viviam abaixo da linha da pobreza. 

A imagem dos Estados Unidos como terra das oportunidades se formou na década de 20 do século passado, disseminada pelo mundo através da propaganda e dos filmes de Hollywood. O “american way life” ou o estilo de vida dos Estados Unidos foi exportado como modelo ideal de sociedade a ser seguido pelos demais países. Entretanto nem sempre a realidade corresponde à imagem e o sonho pode ser tornar um pesadelo.
Para entender o processo da recessão econômica, conhecida como a Grande Depressão que abateu os EUA em 1929 e por tabela atingiu as demais economias do planeta é necessário retomarmos alguns pontos e associarmos as peças do quebra-cabeça.

As peças da crise de 1929. 


O termino da 1ª Guerra. As nações europeias saíram da 1ª Guerra Mundial com suas economias destruídas. Os Estados Unidos muito pelo contrário, conseguiram obter lucros fantásticos chegando a aumentar sua riqueza em 250 vezes. A economia foi alavancada pela exportação de armamentos, alimentos e produtos industrializados aos países em guerra. Ao termino do conflito, além dos créditos com o comércio, possuíam considerável valor em empréstimos aos governos das nações europeias.

Os anos 20. A expansão da riqueza dos Estados Unidos, o chamado PIB - Produto Interno Bruto. 

Ops!! Qual o conceito de PIB? Corresponde ao valor total dos bens (produtos e serviços) produzidos por um país em um determinado período. 
Feito o esclarecimento, voltemos ao ponto em que paramos. 
O PIB dos EUA obteve um crescimento acelerado e vertiginoso no pós guerra. A produção industrial alcançou elevados picos de vendas. O modelo de produção em linha de montagem trazia rapidez, eficiência e baixo custo aos produtos. As facilidade de acesso ao crédito motivou o cidadão à contrair empréstimos comprar imóveis e bens duráveis (automóveis, eletrodomésticos, aparelhos de rádio, etc). A propaganda consumista estimulava um ritmo de compras frenético. O mercado estava aquecido, a expectativa de consumo crescente e a valorização das empresas tendem a sinalizar para investimentos em títulos (ações) na bolsa de valores. Muitos cidadãos vislumbraram a possibilidade de obterem lucros altos e imediatos investindo suas economia em ações.

O Efeito Dominó: A quebra da Bolsa de Nova York foi o resultado da sucessão de acontecimentos desastrosos. Passados alguns anos do final da Primeira Guerra mundial, as economias das nações europeias emitem sinais de recuperação, a partir da diminuição das importações de produtos agrícolas e industriais, principalmente dos EUA. Fato que levou a falência milhares de agricultores nos EUA. Apesar disto as grandes empresas mantiveram o ritmo de produção em alta, não considerando a diminuição da expectativa de pedidos de compra dos seus produtos. As vésperas dos anos 30 a situação agrava-se e os pedidos de compras dos produtos das empresas cessaram. Na chamada quinta-feira negra de Outubro de 1929 acontece o pior, a quebra ou “Crack” da Bolsa de Nova York.

Como foi este processo? 

Em linhas gerais podemos explicar a quebra da bolsa a partir do seguinte aspecto. Na situação de euforia que se encontrava a economia, era comum as empresas emitirem títulos negociáveis (ações) em bolsa de valores. Considerando a expectativa de lucro com a alta nas vendas dos produtos destas empresas, o mercado financeiro compra estes títulos (ações) acreditando obter lucros altos e rápidos. 
Porem, o mercado de ações é um terreno pantanoso e sem as devidas cautelas podem trazer perdas financeiras irreparáveis. Foi o que aconteceu quando o excesso de produtos (superprodução) sem a devida demanda (expectativa de compra) provocam o desequilíbrio na economia. A oferta em demasia acumulou grandes estoques que não encontravam compradores fazendo os produtos encalharem nas prateleiras. O “efeito dominó” se inicia, pois sem consumo não existe venda, conseqüentemente não gera receita (dinheiro). A possibilidade de lucro desaparece e o fantasma da falência torna-se real. O temor por maiores perdas financeiras leva os investidores a negociarem as ações das empresas vendendo-as na bolsa de valores. A venda contínua e sistêmica das ações de uma empresa provoca a diminuição do seu valor de mercado e indica a desconfiança dos investidores. Este ciclo perverso termina por respingar na oferta de empregos, pois com a diminuição nas vendas os postos de trabalho são reduzidos por precaução, significando desemprego. 
Enfim os efeitos da crise espalham por todos os setores da economia mundial e repercutem principalmente nos países capitalistas exportadores de produtos agrícolas, como o café do Brasil (Lembram quando estudamos a Revolução de 1930 - predecessora da Era Vargas? Pois é, os efeitos da crise ajudaram a derrubar  a república do café). 
A exceção ficou por conta da União Soviética cujo o modo de produção era o Sistema Socialista, que tinha a economia planificada e sem economia de mercado.  

A Crise Global.
Os países capitalistas foram assolados pela crise, o desemprego alarmante nos Estados Unidos com 15 milhões de desempregados e falências generalizadas no campo e nas cidades. 
Na Europa, especialmente a Alemanha é afetada por uma gravíssima situação econômica, cerca de 6 milhões de desempregados, inflação, fome e miséria. O governo vem em socorro a economia de mercado dos capitalistas (Ops!! contrariando um dos princípios do capitalismo: O livre mercado) financiando o sistema a fim de diminuir os efeitos da crise, criando frentes de trabalho na execução de obras públicas. 
A esta intervenção do governo na economia dos Estados Unidos para combater a recessão chamou-se de o “New Deal” ou Novo Acordo ocorreu no governo do presidente Franklin Roosevelt. 
Ops de novo!! Mas, segundo as assertivas dos economistas capitalistas que estão no começo deste assunto, não seria a lei da oferta e da procura que regularia as relações econômicas??  Segundo este princípio o governo não deve intervir na economia e deve deixar a mão invisível do mercado atuar livremente?? 
Pois é, na prática a teoria é outra. 
E não mudou muita coisa não daquele tempo para cá. O Tesouro dos EUA (o ministério da Fazenda deles) em fevereiro de 2009 desembolsou US$ 2 Trilhões (dinheiro do contribuinte) para socorrer bancos e empresas. 
Acredito que agora entendem a afirmação de que nenhum modo de produção é perfeito.  

domingo, 28 de maio de 2017

A Revolução Russa de 1917


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Contexto.

Momento histórico de impacto mundial, a Revolução Russa marcou o fim de um dos últimos impérios de monarquias hereditárias e absolutistas do mundo no século XX. Através da revolução, o socialismo ascendeu pela primeira vez ao poder e a ideologia comunista passou a exercer profunda influência no cenário internacional e mesmo na vida interna das nações durante grande parte do século XX. O estudo deste processo revolucionário tornou-se importante para a História, em razão das representações e rupturas relacionadas com as mudanças na estrutura do poder político, sociais e econômicas. Em linhas gerias é considerada o modelo clássico de revolução proletária que destruiu a ordem capitalista e burguesa lançando os fundamentos do primeiro Estado socialista da história da humanidade, acontecimento este de grande relevância para a História. A partir de 1917, a Rússia caminhou no sentido de se transformar numa das mais importantes potências mundiais, adotando um modelo de Sistema Socialista que se opunha ao Sistema Capitalista. Criando condições de rivalizar com os Estados Unidos, o grande líder do mundo capitalista, no decorrer do século XX no contexto da "Guerra Fria".
Revolução Russa ou Revolução Bolchevique é a designação ao processo que, em dois momentos a partir de 1917, derrubou o governo imperial da Rússia e instalou o comunismo no poder.
O primeiro momento deu-se com a revolução de fevereiro, que promoveu a queda do czarismo e a instalação de um governo da burguesia, democrático e liberal, comandado pelo partido Menchevique.
segundo momento, com a revolução de outubro, marca o momento da tomada do poder pelos bolcheviques marxistas (do partido operário), início da história de um novo país que se chamou União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) criada em 1921 e  durou até 1991, ano em que o Sistema Socialista desabou.

Como foi possível a Revolução?


No começo do século XX, a Rússia era um país de economia atrasada e dependente da agricultura, pois 80% de sua economia estava concentrada no campo (produção de gêneros agrícolas). Os trabalhadores rurais viviam em extrema miséria e pobreza, pagando altos impostos para manter a base do sistema czarista de Nicolau II. O czar - governava a Rússia de forma absolutista, ou seja, concentrava poderes em suas mãos não abrindo espaço para a democracia distoando do cenário de uma Europa em transformação. Mesmo os trabalhadores urbanos, que desfrutavam os poucos empregos da fraca indústria russa, viviam descontentes com o governo do czar.

Pausa para curiosidade!  A palavra czar, que se pronuncia-se “tzar”, tem suas origens no título de césar que era concedido aos imperadores romanos, na Idade Antiga. Na Idade Média o título de czar era ostentado por búlgaros e sérvios que igual aos russos também pertencem ao ramo dos povos eslavos.

O Fime "O Encouraçado Potemkin" (1925) de Sergei Einsenstein tornou-se um cult ao retratar os antecedentes da Revolução Russa. Assista um trecho desta emblemática película. "O ENCOURAÇADO POTEMKIN"                             


Começa a formação dos sovietes (organização de trabalhadores russos) sob a liderança de Lênin (Vladimir IIlitch Ulianov). Os bolcheviques (que significa partido da maioria em russo) começavam a preparar a revolução socialista na Rússia e a queda da monarquia. Ao longo da segunda metade do século XIX, a Rússia viveu uma crise profunda em conseqüência de fatores que exerciam influências recíprocas e divergentes sobre todos os setores da vida social e política do país. Vigorava no império um sistema político de monarquia autocrática que se chocava com o modelo econômico de capitalismo moderno, em que as relações de produção entrelaçavam-se com as do tipo feudal. Esses problemas se traduziam na baixa produtividade agrícola, que provocava freqüentes crises de abastecimentos alimentares, com fortes repercussões sociais, afetando tanto os camponeses como a população urbana. Havia insustentáveis desigualdades econômicas e sociais entre a poderosa e privilegiada classe de nobres proprietários de terras e uma imensa população de camponeses (grande massa de maioria analfabeta que até 1861 viveu em regime de servidão).
Lenin tomou para si a tarefa de adaptar a teoria fundamentada por Karl Marx e Engels (Marxismo) do século XIX à realidade da Rússia do século XX e provar que era possível,mesmo contrariando a Marx, uma revolução comunista num país como a Rússia no qual o capitalismo ainda engatinhava. Deste erro Lenin vai se penitenciar em 1921, reconhecendo que Marx estava certo. 
Em meio à Primeira Guerra Mundial, na qual a participação da Rússia era desastrosa, aconteceu a denominada revolução russa de 1917. O estopim do descontentamento popular contra o governo do czar foi a manutenção do país na Primeira Guerra Mundial. Foram os jovens soldados, mais do que os camponeses e operários, que promoveram a revolução democrática em 1917 e levaram ao poder o líder menchevique  Keresnsky.

Resumindo, a Revolução Comunista eclodiu num país "atrasado" da Europa, graças à combinação de uma série de fatores:
1- A crise econômica; pesados impostos; a fome que atingia grande parte da população;
2- Incapacidade administrativa dos Czares;
3- As derrotas da Primeira Guerra Mundial;
4- Grande desigualdade social existente no país.


"Todo poder aos Sovietes"
Apesar das espectativas o governo de Kerensky não retirou a Rússia da Guerra, fato que causou uma onda de greves, revoltas e disputas de poder. Nesse cenário anárquico, Lenin e seus seguidores, Stalin e Trotsky, reinvindicavam "todo poder aos sovietes" e lideram a rebelião que depôs Kerensky e colocam no poder o partido bolchevique. Assim deu inicio ao governo socialista dos bolcheviques, uma ditadura com partido único, porém a esta característica Lenin denominou de "ditadura do proletariado"  
Do Sistema de Produção Socialista - extraimos dois importantes conceitos que representarão as bases do Socialismo:
· Confisco de propriedades privadas: Reforma Agrária, ou seja, grandes propriedades foram tomadas dos aristocratas e da Igreja Ortodoxa para serem distribuídas entre o povo.
· Estatização da economia: Controle Operário das fábricas, isto é, O novo governo passou a intervir diretamente na vida econômica, nacionalizando diversas empresas que eram de propriedade privada.


A nova política econômica (NEP)
Em 1921, a situação econômica estava pior que antes da revolução. A Republica Federal Socialista e Soviética Russa (RFSSR), sofreu uma terrível redução de forças, mais do que qualquer outra grande potência, com a Primeira Guerra e, em seguida, com a revolução e a guerra civil. Sua população declinou de 171 milhões de habitantes em 1914 para 132 milhões em 1921. A perda de territórios envolveu também a perda de fábricas, ferrovias e fazendas produtivas. Os conflitos destruíram grande parte do que tinha restado. Nas cidades e nos campos havia fome e miséria. O campo não recebia fertilizantes, ferramentas nem roupas das cidades. Por sua vez, não produzia alimentos e milhares de pessoas morriam de frio, fome e epidemias.

Um passo atrás para para depois dar dois passos à frente.
No início de 1921, o poder bolchevique estava totalmente ameaçado. Reconhecendo a gravidade da situação, Lenin
(principal líder da Revolução Russa) declarou aos seus pares: "Nos equivocamos. Atuamos como se pudessemos construir o socialismo em um país no qual o capitalismo praticamente não existia. Antes de querer realizar a sociedade socialista, há que reconstruir o capitalismo".
A partir daí surgiu a Nova Política Econômica (NEP). Não se tratava de modificar a economia soviética. Eram ajustes de urgência, impostos pela gravidade da situação. Para aumentar a produção a qualquer custo, foram tomadas algumas medidas capitalistas, como a restauração da pequena e da média propriedade na industria alimentícia, no comércio varejista e na agricultura.
Na agricultura, substituíram-se as ilimitadas e odiadas requisições de gênero por um imposto em produtos. No setor industrial os resultados não foram muito significativos, apesar da adoção da liberdade salarial e de comércio.
A terra pertencia ao estado e era arrendada aos camponeses. Os mais ativos e influentes nas comunidades , chamados Kulaks, enriqueceram-se ainda mais. Por outro lado, muitos camponeses pobres faliram, por causa da inflação e da economia de
mercado, e foram para as cidades em busca de trabalho, agravando o desemprego.






sábado, 14 de maio de 2016

LISTA DE EXERCÍCIO - AULÃO ENEM REPUBLICA VELHA



SÁBADO LETIVO – HISTÓRIA – AULÃO ENEM – PROF. FERNANDO 
As respostas estão no final desta postagem-->> Sucesso!!
1- (ENEM-2008) O abolicionista Joaquim Nabuco fez um resumo dos fatores que levaram à abolição da escravatura com as seguintes palavras: “Cinco ações ou concursos diferentes cooperaram para o resultado final:  
1º) o espírito daqueles que criavam a opinião pela idéia, pela palavra, pelo sentimento, e que a faziam valer por meio do Parlamento, dos meetings [reuniões públicas], da imprensa, do ensino superior, do púlpito, dos tribunais;  2.º) a ação coercitiva dos que se propunham a destruir materialmente o formidável aparelho da escravidão, arrebatando os escravos ao poder dos senhores;  3.º) a ação complementar dos próprios proprietários, que, à medida que o movimento se precipitava, iam libertando em massa as suas ‘fábricas’; 4.º) a ação política dos estadistas, representando as concessões do governo; 5.º) a ação da família imperial.” Joaquim Nabuco. Minha formação. São Paulo: Martin Claret, 2005, -p. 144 (com adaptações).

Nesse texto, Joaquim Nabuco afirma que a abolição da escravatura foi o resultado de uma luta :             
                                                                
(A) de idéias, associada a ações contra a organização escravista, com o auxílio de proprietários que libertavam seus escravos, de estadistas e da ação da família imperial. 
(B) classes, associada a ações contra a organização escravista, que foi seguida pela ajuda de proprietários que substituíam os escravos por assalariados, o que provocou a adesão de estadistas e, posteriormente, ações republicanas.    
(C) partidária, associada a ações contra a organização escravista, com o auxílio de proprietários que mudavam seu foco de investimento e da ação da família imperial.  
(D) política, associada a ações contra a organização escravista, sabotada por proprietários que buscavam manter o escravismo, por estadistas e pela ação republicana contra a realeza. 
(E) religiosa, associada a ações contra a organização escravista, que fora apoiada por proprietários que haviam substituído os seus escravos por imigrantes, o que resultou na adesão de estadistas republicanos na luta contra a realeza.
                                                                                                                                                                   

2- Canudos foi um movimento social que ocorreu em fins do século passado e que envolveu milhares de nordestinos. Hoje, o Movimento dos Sem Terra é também um movimento social que envolve milhares de pessoas.

Identifique a alternativa que apresenta características comuns aos dois movimentos
a) Os objetivos sociais, apesar de Canudos ter defendido as idéias dos produtores nordestinos, enquanto o Movimento dos Sem Terra defende as idéias dos trabalhadores do sudeste.   
b) A luta pela terra, defendendo desde o início o recurso da luta armada para obtê-la.
c) A luta por melhores condições de vida e contra o desemprego.
d) A luta pela pequena propriedade e o desenvolvimento de uma política de cooperativas agrárias.
e) A luta pela terra, defendendo condições de vida mais dignas para seus participantes.
                                                                      


3- Em um balanço sobre a Primeira República no Brasil, Júlio de Mesquita Filho escreveu:“... a política se orienta não mais pela vontade popular livremente manifesta, mas pelos caprichos de um número limitado de indivíduos sob cuja proteção se acolhem todos quantos pretendem um lugar nas assembléias estaduais e federais”. (A crise nacional, 1925.) 

De acordo com o texto, o autor:
a) critica a autonomia excessiva do poder legislativo. 
b) propõe limites ao federalismo. 
c) defende o regime parlamentarista .  
d) critica o poder oligárquico.
e) defende a supremacia política do sul do país.


4- Analise o texto a seguir. “Foi um meio utilizado para neutralizar a oposição ao governo federal, estadual e o Congresso Nacional através da ideologia do favor. O governo federal articulava-se com os grupos dominantes das oligarquias de cada estado, oferecendo-lhes verbas e benefícios  em garantia da não interferência nos assuntos regionais. Em troca, essas oligarquias, que controlavam  o processo eleitoral  por meio de fraudes e violências e da atuação ao nível municipal dos coronéis, orientavam seus deputados e senadores a não fazerem oposição ao presidente da República” .

Podemos afirmar que o texto acima refere-se :
a) A política das salvações que era um dos mecanismos de poder dos militares.  
b) Voto de cabresto uma forma de controle do eleitorado. 
c) A política do café com leite um dos instrumentos  complementares da política dos governadores. 
d) O clientelismo uma peça chave da república do café com leite. 
e) A política dos governadores que foi o principal mecanismo de manutenção do poder das oligarquias.
                                                                                                                                                  

5-Concidadãos! o Povo, o Exército e a Armada Nacional, em perfeita comunhão de sentimentos com os nossos concidadãos residentes nas províncias, acabam de decretar a deposição da dinastia imperial e conseqüentemente a extinção do sistema monárquico representativo.  Como resultado imediato desta revolução nacional, de caráter essencialmente patriótico, acaba de ser instituído um Governo Provisório, cuja principal missão é garantir com a ordem publica a liberdade e o direito do cidadão. “Manifesto da Proclamação da República de 16 de novembro de 1889”

Pode-se depreender do texto acima em relação ao que realmente ocorreu em 15 de novembro de 1889 :

a) Está correto, pois afirma que o povo e as forças militares decretaram a deposição da monarquia num movimento qualificado de revolução nacional.       
b) Está incorreto, pois o povo esteve distante das articulações que derrubaram a monarquia em 1889. Não houve processo revolucionário com participação popular e sim um golpe militar patrocinado pelas elites.   
c) Está coerente, pois houve intensa participação popular nas articulações que derrubaram a monarquia. Caracterizando um processo revolucionário com grande presença do povo.
d) Está incoerente, pois demonstra o processo de revolução nacional com ampla participação dos militares, dos grupos dominantes, intelectuais e o povo. 


6- A chamada “Política dos Governadores”, instituída na Primeira República, caracterizava-se por:

a) permitir que a escolha do Presidente da República fosse resultado de um consenso entre os governadores e desta forma manter o grupo político no poder.
b) tornar os governadores um mero instrumento do poder do Presidente da República e impedir a formação de novas lideranças contrárias ao governo federal;
c) acordo político que consistia na troca de favores entre os governos federal, estadual e municipal para manter os grupos políticos no poder.
d) tornar os governadores representantes de um federalismo liberal e democrático com objetivo de renovar as lideranças políticas;
e) promover, através dos governadores, a desarticulação das oligarquias locais e promover a renovação dos grupos políticos e lideranças locais.


7-O coronelismo foi uma peça importante da perversa engrenagem que impedia a representatividade política da maioria da população, principalmente a parcela da sociedade mais carente. Podemos definir o coronelismo como:


a)Sistema de poder cujo grupo político que alternava-se no poder federal como forma de garantir a manutenção dos privilégios aos seus respectivos Estados.

b)Sistema de poder que consistia na troca de favores entre o poder estadual e municipal a fim de garantir seus interesses políticos utilizando práticas fraudulentas para vencer as eleições.
c)Sistema de poder no qual o coronel era uma peça secundária e sua participação era ofuscada pela Comissão de Verificação, pois na prática era esta quem declarava os candidatos eleitos.
d)Sistema de poder baseado no coronel o líder político local, grande proprietário de terras que usava jagunços para formar os currais eleitorais, através de práticas de intimidação ao eleitor.

e)Sistema de poder político que arregimentava grande número de seguidores a partir de suas pregações religiosas que convenciam os mais pobres a se submeterem ao seu controle. 

8- A Primeira República ou República Velha foi um período da História política do Brasil que se caracterizou pelo afastamento do ideal da República. O que deveria ser um governo para todos na prática era um governo de poucos. Sobre os fatos com os quais podemos caracterizar a Primeira República estão:

I- Com o “voto de cabresto” os coronéis dominavam as clientelas rurais e manipulavam as eleições;
II- A política dos governadores consagrava a troca de apoio entre o governo federal e as oligarquias estaduais mantendo o mesmo grupo político no poder.
III- A política do café com leite foi o domínio da sucessão presidencial pelos cafeicultores de São Paulo e de Minas Gerais que alternavam-se na presidência da República.
IV- O Movimento dos Tenentes - o Tenentismo - que possuía caráter militar contribuiu para consolidar os governos da Primeira República.
V- As fraudes eleitorais eram exceção e não regra neste período, devido ao rigoroso trabalho de fiscalização do processo eleitorado efetuado pela Comissão de Verificação.

Assinale a alternativa verdadeira:

a) Apenas a alternativa I, está correta.
b) As alternativas I,II,III estão corretas.
c) As alternativas I,II,IV e V estão corretas.
d) As alternativas II,III e IV estão corretas.
e) Apenas a alternativa V está incorreta.



9- "Não é por acaso que as autoridades brasileiras recebem o aplauso unânime das autoridades internacionais das grandes potências, pela energia implacável e eficaz de sua política saneadora das epidemias [...]. O mesmo se dá com a repressão dos movimentos populares de Canudos e do Contestado, que no contexto rural [...] significavam praticamente o mesmo que a Revolta da Vacina no contexto urbano". Nicolau Sevcenko. A revolta da vacina.
De acordo com o texto, a Revolta da Vacina, o movimento de Canudos e o do Contestado foram classificados pelas autoridades internacionalmente como MOVIMENTOS :                                                                                                                                                                                         
a) provocados pelo êxodo maciço de populações saídas do campo rumo às cidades logo após a abolição.                                                      
b) retrógrados, pois as agitações provocadas por estes movimentos populares dificultavam a modernização do país.                                      
c) decorrentes da política sanitarista de Oswaldo Cruz.
d) indícios de que a escravidão e o império chegavam ao fim para dar lugar ao trabalho livre e à república.                                                      
e) conservadores, porque ameaçavam o avanço do capital norte-americano no Brasil. 


10- A respeito do "coronelismo" podemos afirmar que:



a)   O coronel era o líder político do local cujo poder era medido pela quantidade de votos que controlava.
b)   Através da intimidação e da troca de favores sobre o povo o coronel praticava o denominado voto de cabresto.
c)   Constituía o poder local através do voto direto secreto e de maneira democrática.
d)   A penas a alternativa “c” esta correta.
e)   As alternativas “a” e “b” estão corretas.


GABARITO: 1-A/ 2-E/ 3-D/ 4-E/ 5-B/ 6-C/ 7-D/ 8-B/ 9-B/ 10-E

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A Reforme Protestante


Contexto.


As transformações no processo de transição do feudalismo para o capitalismo, também atingem a cultura religiosa da Igreja. Novos tempos, novas crenças e uma outra visão da fé católica, em meio ao turbilhão de mudanças alguns religiosos inconformados propuseram que também era a hora de revolucionar a fé.
Em meados do século XVI desencadeou-se, a partir de membros da própria igreja católica, um movimento inicialmente de caráter religioso, mas que posteriormente teve repercussões políticas e econômicas. Conhecido como Reforma Protestante este movimento contestará a estrutura e os dogmas da milenar Igreja Católica resultando na "grande cisma do ocidente". Em paralelo com o Renascimento e a formação das Monarquias Nacionais europeias, a Reforma Protestante expressará a necessidade de adequação da religião aos interesses do sistema capitalista.


Os antecedentes.


Lutero afixa as 95 teses e revoluciona a fé. 
A fim de nos situarmos vamos pincelar alguns pontos importantes: A mentalidade, a burguesia e a formação das monarquias nacionais. Vamos começar pela mentalidade da época. No final da Idade Média, a população europeia convivia com o persistente medo dos castigos reservados aos pecadores, cujo destino era o inferno. Encontrar satanás era a ultima coisa que as pessoas tementes a Deus pretendiam. Esta angústia que atormentava corações e mentes na época era difundida pela própria Igreja, entretanto na prática o discurso era outro. Enriquecendo com a venda de indulgências (o perdão dos pecados) os membros do alto clero viviam no luxo e  praticavam a avareza (apego aos dinheiro e acúmulo de riqueza), o que contrariava a doutrina cristã e provocava profundo descontentamento de alguns dentro da Igreja.
Outro ponto diz respeito a formação da burguesia, até então a tímida "nova classe burguesa" formada pelos comerciantes estava insatisfeita com as atitudes eclesiásticas. Apesar de viver no luxo e na riqueza, a Igreja condenava a usura (empréstimo de dinheiro a juros) e o lucro em geral praticado pelos comerciantes, com essa postura a doutrina católica feria de morte a alma do negócio burguês e freava o desenvolvimento das atividades comerciais e bancárias. Na visão da burguesia era necessário um basta!
A formação das monarquias nacionais foi o terceiro ponto. A partir do estabelecimento das áreas de fronteiras na Europa, percebeu-se que a grande proprietária de terras era a Igreja e passou a ser vista como um poder externo interferindo nos assuntos nacionais das monarquias. Os atritos entre os reis e o papa passaram a ser constantes e resultavam, via de regra, em conflitos armados. Na ótica dos monarcas era necessário uma mudança de procedimento da Igreja, ou seja, menos interferência nos assuntos políticos das monarquias.






Os nomes da Reforma.
Calvino 
Muito antes do movimento reformista acontecer, vários religiosos fazem críticas à Igreja denunciando John Wycliffe (na Inglaterra), Jan Huss (na Boêmia - região da Alemanha)  e Zwinglio  na Suíça. E claro, os mais renomados:  Martinho Lutero, na Alemanha e João Calvino, francês que fixou-se na Suíça. Em geral eram as propostas em comum dos principais reformistas: condenavam a venda de indulgência, a opulência do clero, o afastamento dos ensinamentos cristãos.e favoráveis ao confisco dos bens da Igreja. Neste contexto, surgem os nomes que impulsionarão a reação contra os desvios da Igreja. No séc. XV, destacam-se precursores como Wyclife, nas suas acusações à Igreja traçava um paralelo entre a pomposidade das vestes dos clérigos e a simplicidade dos trajes de Jesus. Sua pregação incitava a igualdade entre os homens e atingiu em cheio a multidão de camponeses que entendeu perfeitamente  mensagem, fato que gera inúmeras revoltas pela Inglaterra.
  
Estas propostas dos "protestantes" chamaram a atenção tanto dos reis quanto da burguesia, pois encaixavam-se perfeitamente aos seus interesses políticos e comerciais respectivamente. Portanto burguesia e rei viam na Reforma uma possibilidade de mudar o poder a seu favor e contra o domínio da Igreja.


Lutero.
Martinho Lutero
"Trazei o dinheiro!! Salvai vossos antepassados. Assim que o dinheiro tilintar em nossa caixa, suas almas passarão imediatamente ao paraíso", este anúncio fazia parte da pregação da venda de indulgências na Alemanha e presenciado por Lutero. A indignação do monge agostiniano chegou ao limite em 1517, quando afixou na porta da catedral de Winterberg 95 teses condenando as práticas da Igreja. Chamado para retratar-se das suas "heresias", Lutero não renegou suas teses e terminou sendo excomungado pela Bula papal (documento do Papa que o condenou). Em represália Lutero queima a Bula em público e destila ácidas críticas ao estado de coisas que infectavam a Igreja, a começar pelo seu líder, o papa. Acusava o papa e o alto clero pela exploração da boa fé dos fiéis através da prática de sinomia, ou seja o comércio de artigos e serviços religiosos vendidos como relíquias sagradas, mas em verdade não passavam de falsificações. A esse respeito, em sua obra O Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdã escreveu: "Que diria São Jerônimo se pudesse ver o leite da Virgem exibido por dinheiro, recebendo tanta veneração quanto o corpo sagrado de Cristo. (...) Aqui temos o capuz de São Francisco , ali a saia de Nossa Senhora, ou o pente de Santa Ana... e tudo pela avareza dos padres e hipocrisia dos monges que brincam com a credulidade do povo".




A Venda das Indulgências tornou-se um negócio lucrativo.
Além é claro, da venda das Indulgências*, corrupção, libertinagem e falta de instrução do clero, formado em sua maioria por padres e nobres ricos que compravam cargos religiosos sem ter nenhuma formação para exercício do sacerdócio.  

*As indulgências eram uma espécie de "título da salvação", que na prática foi uma forma da Igreja arrecadar dinheiro comercializando-as e dando como contrapartida ao seu portador o perdão dos pecados, livrando sua alma do inferno e garantindo um lugar no céu. 


As bases da Doutrina.

Após a excomunhão exilado na região da Saxônia e protegido pelos príncipes alemães, Martinho Lutero desenvolve as bases da sua doutrina tomando como referência os princípios dos dois grandes teólogos da Igreja católica, no caso Santo Agostinho sobre a predestinação e de Santo Tomas de Aquino, a respeito do livre-arbítrio. Afirmava Lutero que a única saída para salvação é a fé, não havendo necessidade de intermediários (ou seja, o papa e o clero) entre Deus e o homem, portanto deveria o clero ser extinto. Além disso, o luteranismo, defendia a tradução da bíblia para o idioma local, a interpretação do livro sagrado pelos fieis e a submissão da Igreja pelo Estado.  Perceba que esta último conceito casava com os interesses dos governantes, principalmente a nobreza alemã, pois vislumbravam nesta a possibilidade de desvincular-se do alcance de poder do papa e acabar com a intromissão papal nos assuntos de Estado. A Igreja pressiona o imperador Carlos V, e em 1521 ocorre a Dieta de Worms, uma assembleia que condenou Lutero por heresia.  Ainda assim, o protestantismo continuou atraindo a simpatia dos nobres alemães. Tanto que, em 1529, a Dieta de Spira concede tolerância religiosa ao movimento luterano, mas impedia sua expansão. Esta limitação imposta pela Dieta de Spira gerou protestos dos nobres, é daí que vem o termo "protestantes". Somente em 1555, após anos de luta, foi firmado a Paz de Augsburgo que consolidou a liberdade religiosa ao protestantismo. Os bens da Igreja foram confiscados pelos nobres alemães, abrindo as portas para adoção do movimento religioso em outros Estados como a Dinamarca, Suécia e Noruega.


Os Anabatistas e os Calvinistas.


A expansão do movimento protestante foi rápida. 
As transformações do protestantismo não foram apenas de ordem geográfica, outros movimentos reformistas pretendiam provocar mudanças ainda maiores na sociedade, entre estes estava o que ocorreu em 1524: a revolta camponesa liderada pelo ex-discípulo de Lutero, Thomas Munzer, cujo seguidores conhecidos por anabatistas defendiam a utilização da revolta armada para acabar com a propriedade privada e a distribuição igualitária das riquezas. Lutero ficou do lado dos nobres (seus protetores), ao incentivar à repressão aos anabatistas resultando na execução de Munzer e pondo fim ao movimento. A Suíça foi sacudida pela Reforma através de Zwinglio, estudioso do luteranismo, propunha uma doutrina ainda mais radical. Em 1529 inicia-se uma briga entre católicos e protestantes que durou dois anos e ao final Zwinglio morre. Alguns anos depois, chegou a Suíça o religioso francês João Calvino, cujo nome emprestou a doutrina conhecida como Calvinismo. As particularidades deste movimento reformista são:
  • Reconhecia os princípios da predestinação - segundo o qual apenas alguns estão destinados à salvação, ou seja Deus escolhe quem será salvo. 
  • Justificava a salvação pela fé. 
  • Defendia o trabalho como fonte de salvação, via com bons olhos as atividades comerciais e bancárias, encorajando-as junto aos fiéis.
Importante observar que ao adequar a moral religiosa aos interesses da burguesia o Calvinismo encontrou grande aceitação em outros Estados europeus como na Inglaterra, onde os seguidores eram chamados de puritanos, na Escócia (de presbiterianos) e na França (de huguenotes).  


A Reforma na Inglaterra.

Henrique VII 
A reforma inglesa tem sua particularidade no contexto do movimento protestante, pois foi iniciada pelo rei Henrique VIII. A pretensão do rei era tomar para si o poder que a Igreja católica tinha na Inglaterra e vislumbrou em uma mulher a chave para executar o seu plano. Ao argumentar que após 18 anos de matrimônio com Catarina de Aragão (rainha espanhola) não havia lhe dado um herdeiro homem situação que colocava em risco a sucessão real inglesa, pediu ao papa a anulação do casamento. Esta petição de Henrique VIII criou enorme tensão com a Santa Sé. Via de regra o pedido seria atendido, porém o papa mais identificado com os interesses da monarquia espanhola nega o pleito do rei inglês. Inconformado, Henrique VIII rompe com a Igreja católica e é excomungado pelo papa. Em 1533, o parlamento inglês aprovou o divórcio do rei e este casou-se com uma dama da corte, chamada de Ana Bolena. No ano seguinte, Henrique VIII outorga o Ato de Supremacia confiscando os bens da Igreja e muitas propriedades eclesiásticas são fechadas, ao mesmo tempo em que funda a Igreja Anglicana, da qual é o líder religioso, neste aspecto vem a particularidade da reforma inglesa, o movimento de enfrentamento com a Igreja católica partiu do rei e não dos religiosos e teve vertente claramente mais política do que religiosa.
Contudo, a nova doutrina fundada pelo rei inglês não ficaria inume aos conflitos. Embora as propostas assemelhassem às do catolicismo foram duramente criticadas pelos puritanos, seguidores do Calvinismo na Inglaterra, situação que resultou em sérios embates.


A Contrarreforma.

Concílio de Trento discute e aplica as mudanças na Igreja
Podemos definir a Contrarreforma como o movimento de reação da Igreja católica à expansão das doutrinas protestantes.  O Concílio de Trento, convocado pelo papa  Paulo III trouxe algumas melhorias ao catolicismo, contudo reafirmou os dogmas católicos e condenou os movimentos protestantes. As reforma internas foram: Regular as obrigações do clero e conter o excesso de luxo praticado por membros da Igreja.
O instrumento de coação aos protestantes foi a instauração da Inquisição ( espécie de tribunal religioso com poder de sentenciar à morte os hereges) uma verdadeira "caça às bruxas".
O Index, foi uma providência adotada pelo Concílio de Trento para conter a proliferação de ideias profanas ao catolicismo, para tanto havia uma lista de livros proibidos aos católicos ou Index Librorum Prohibitorum. 
Embora não tenha conseguido êxito em acabar com o protestantismo, a Contrarreforma estancou sua expansão. Mas, no quesito disseminação da fé católica pelo Novo Mundo a empreitada foi exitosa, a partir do trabalho realizado pelas ordens religiosas, principalmente pela Companhia de Jesus ou jesuítas (símbolo está na imagem abaixo, a direita), fundada em 1534 por Inácio de Loyola conseguiu ampliar territorialmente a fé católica, inclusive aqui no Brasil. É graças ao trabalho de evangelização praticado pelos jesuítas que a América Latina atualmente é considerada o continente com maior número de adeptos do catolicismo.

         
 












A imagem ao lado retrata a Inquisição em Lisboa, muitos arderam na fogueira. O tribunal do Santo Ofício serviu como instrumento de repressão pela Igreja católica aos que professassem outra fé ou contrariassem o pensamento da Santa Sé.