sexta-feira, 26 de julho de 2013

Era Vargas - Estado Novo 1937 a 1945


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A ditadura imposta por Getúlio Vargas no período de 1937 a 1945 ficou conhecida como Estado Novo, correspondeu ao fortalecimento do Estado. Getúlio recebeu apoio dos cafeicultores, dos industriais, das oligarquias e da classe média urbana, todos amedrontados com a expansão da esquerda e  crescimento do comunismo. A denominada ameaça comunista construída pelo embuste do Plano Cohen reforçou a justificativa da criação do regime ditatorial que seria necessário como um instrumento de defesa da democracia contra o comunismo. Entretanto a pergunta que ninguém fez foi: Como defender a democracia da ameaça comunista utilizando o instrumento antidemocrático do regime ditatorial?  Esta foi mais uma das inúmeras contradições da Era Vargas.

Pelas ondas do rádio Vargas anuncia o Estado Novo

A Constituição de 1937, outorgada por Getúlio Vargas, e apelidada de Polaca, por ser extremamente autoritária, concentrava todo poder político nas mãos do Presidente da República. A Carta de 37 tornou-se a base legal e permitiu o fechamento do Congresso Nacional, das Assembléias Estaduais e das Câmaras Municipais, ficando o sistema judiciário subordinado diretamente ao Poder Executivo. Os Estados passaram a ser governados por interventores, nomeados pelo Presidente (na Bahia o escolhido foi Landulfo Alves) que designavam os prefeitos municipais. A atuação da Polícia Especial nunca foi tão avassaladora, os meios de comunicação passam pelo controla do poderoso DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda.órgão responsável pela censura e propaganda do Estado Novo ( criação do programa de rádio  Hora do Brasil, atualmente A Voz do Brasil).
Vargas utilizava as mesmas estratégias de propaganda dos regimes nazifascistas.Tais como a autopromoção da imagem como líder de salvação nacional em comícios grandiosos, utilização das mídias de comunicação em massa (o rádio foi o meio de divulgação da propaganda do governo).

Em 1938, o Governo sufocou uma tentativa de golpe de estado conhecida por Intentona Integralista. Vargas percebeu que os integralistas tornaram-se aliados incômodos em virtude do seu caráter dogmático e inflexível incompatível com o estilo populista e decretou a ilegalidade do partido Integralista. Sentindo-se traidos, os integralistas partiram para o revide, planejaram uma conspiração armada visando tomar o poder de Vargas,mas a rebelião foi sufocada pelas tropas do governo. Depois de presos, muitos rebeldes foram sumariamente executados, nas imediações da residência da presidência.  

Saudação dos integralistas. A AIB atuou como aliado de Vargas, mas foram "traídos" e colocados na ilegalidade.








PASSEATA DE TRABALHADORES A FAVOR DO ESTADO NOVO
Vargas desenvolveu uma política tipicamente populista, relacionando-se com massas de trabalhadores, concedendo-lhe diversos benefícios, como o salário mínimo, indenização por dispensa sem justa causa, a regulamentação da jornada de trabalho e do trabalho infantil, decretando a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) baseada na Carta del Lavoro instituída pelo regime fascista e Mussoline. A construção da imagem de "Pai dos Trabalhadores ou Pai dos Pobres" percebe-se pela forma sutil, mas eficiente, de aproximação. Ao iniciar um discurso Vargas pronunciava o jargão: "Trabalhadores do Brasil", dando a entender a grande importância do trabalhador para o país. A propaganda institucional do governo Vargas contabilizou a seu favor esta imagem de "pai do trabalhador".



A carteira de trabalho de Getúlio Vargas

Observe a imagem acima, é a CTPS de Getúlio Vargas. A primeira impressão é que esta foi a carteira número 1, contudo é uma estratégia de marketing a fim de associar a imagem Getúlio como protetor dos trabalhadores. 
Instituída pelo decreto nº 21.175, de 21 de março de 1932 e regulamentada por outro decreto o nº 22.035, de 29 de outubro de 1932 a CTPS tornou-se o símbolo da legislação trabalhista servia na época como um atestado de boa conduta e sinônimo de honestidade ao seu portador,além de garantir direitos trabalhistas e o acesso a benefícios previdenciários. 

A dualidade de suas ações foi o traço característico da figura de Vargas, embora cultivasse a imagem de benfeitor do povo aplicava uma violenta e ostensiva repressão política. A administração da máquina estatal e a economia fluíam progressiva e crescentemente, com o Estado exercendo um poder centralizador e atuando diretamente na economia. Entre 1938 e 1940 tivemos a formação de diversos órgãos oficiais, como o Conselho Nacional do Petróleo (CNP), e o Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica (CNAEE), e a criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

O BRASIL DO ESTADO NOVO VAI A GUERRA:
Getúlio Vargas em razão da sua posição oscilante entre o Eixo e os Aliados viabilizou a obtenção, junto aos Estados Unidos, o financiamento para a construção da Usina de Volta Redonda, a compra de armamentos alemães e o fornecimento de material bélico americano. O Estado Novo Varguista manteve uma política ambígua em relação ao Eixo e aos Aliados - "o Brasil sé entra na guerra se a cobrar fumar", era o discurso do governo, porém os Estados Unidos pretendendo utilizar bases militares no nordeste brasileiro a fim de servirem como apoio logístico nas missões militares no norte da África, concederam ao Brasil recursos financeiros, tecnológicos e mão-de-obra especializada para a construção da CSN. 

E não é que a cobra fumou!! As circunstâncias fizeram com que o Governo se inclinasse para os Aliados, declarando guerra aos países do Eixo em agosto de 1942, com a imediata mobilização militar. Em 1943, organizou-se a Força Expedicionária Brasileira (FEB), com 25.000 soldados. Anteriormente, em 1941, foram criados o Ministério da Aeronáutica e a FAB (Força Aérea Brasileira), com as tropas brasileiras desembarcando na Itália em 1944.

A cobra fumou e o Brasil foi a guerra. Os soldados (os pracinhas) usaram a imagem da cobra fumando afixada ao uniforme. A cobra vai fumar! Era uma expressão muita usada na época, se referia a alguma dificuldade à caminho. 








                                                                                          Mascote a Força Aérea



O FIM DO ESTADO NOVO
As conseqüências da guerra refletiram-se sobre a política interna brasileira e parte da elite que apoiava a ditadura retirou publicamente esse apoio com a publicação do Manifesto dos Mineiros, em 24 de outubro de 1943. Pressionado, Vargas assinou um Ato Adicional em fevereiro de 1945 convocando eleições presidenciais para o final do ano, formando-se, então, vários partidos políticos: PSD e PTB, que lançaram a candidatura de Eurico Gaspar Dutra, e a UDN, que indicou o Brigadeiro Eduardo Gomes, além da legalização do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que apresentou o nome de Yedo Fiúza. Entretanto, as forças políticas mais poderosas do País, civis e militares, estavam posicionados contra Vargas. A nomeação do seu irmão provoca o pretexto que em 29 de outubro de 1945, precipitou o fim do Estado Novo, com os Generais Gaspar Dutra e Góis Monteiro cercando o Palácio de Guanabara com forças blindadas, obrigando Getúlio Vargas a renunciar. Estava virada a página de um importante período da História do Brasil. 


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14 comentários:

  1. muito bom postar esse tipo de coisa ajuda muito

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  2. Gostei do material. Precisamos de mais páginas como esta para auxiliar aqueles que buscam conhecimento.

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    1. E buscam resposta para trabalho de escola hehe

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  3. Adorei o texto e a organização,parabéns.

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  4. Achei de grande acrescento, porém acredito que estão faltando alguns detalhes bem importantes para complementar, auxiliando na realização dos Exercícios.
    Mas ajudou Muito ^^

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  5. Professor, gostaria de dar uma opiniao sobre um resumo de todas as revolucoes que aconteceram e estao acontecendo nesses dois anos, nao entendo muito sobre historia mas seus textos sao de facil entendimento. Voce poderia fazer ?

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  6. Prezado, revolução na acepção do termo para a historiografia significa uma ruptura radical (geralmente de forma violenta) da estrutura de uma determinada nação ou sociedade. Nos últimos dois anos (conforme o recorte de tempo que você fixou) o movimento que aproxima-se do que seria uma Revolução foram as Revoltas Árabes, fato também denominado de "Primavera Árabe" (em referência ao episódio da Primavera de Praga na época da Guerra Fria), contudo ainda é muito cedo para avaliarmos as mudanças nessas sociedades ou nações pós evento Revolta Árabe e caso tenham ocorrido estas transformações qual a natureza: estruturais ou conjunturais. Por precaução vamos denominar os movimentos reivindicatórios no mundo islâmico de “ Revoltas Árabes ou Islâmicas”. Em verdade quero que perceba o cuidado que se deve ter em denominar tal fato como revolução. Por exemplo, o caso do Egito pós derrubada do regime de Mubarack. Qual foi a transformação na sociedade egípcia? Ocorreu uma mudança radical do processo político? Estas são respostas ainda em formação, pois o evento é muito recente para avaliações definitivas. Entretanto não devemos desprezar o valor histórico do processo reivindicatório e seus desdobramentos. Visto que vários especialistas em mundo árabe afirmam que a onda de revoltas está associada ao contexto econômico da crise de2008 que atingiu em cheio os regimes ditatoriais em diversos países islâmicos. Entre os apontadores da crise no Mundo Islâmico podemos apontar fatores como “altos índices de desemprego, governos repressores sem representatividade social e uma população jovem de nível universitário, com acesso a internet, sem perspectivas e insatisfeitos com a dura realidade que são obrigados a viver. Segundo o especialista em política internacional, Reginaldo Nasser, a participação da juventude deve-se a "uma nova geração de jovens que, embora tenha formação intelectual, não encontra oportunidades no mercado de trabalho.” Outro fator interessante é a utilização das redes sociais como meio de arregimentação dos manifestantes, este ineditismo no uso destas ferramentas tecnológicas contribuíram significativamente para disseminar as revoltas e conclamar a população a sair às ruas para protestar, exigindo mudanças, expondo sua indignação contra ditadores inaptos e atônitos, pois a circulação das informações e imagens se dá de modo anárquico, disperso, não há uma hierarquia de poder, sem possibilidade de identificar com celeridade o cabeça, o líder da revolta ou o centro publicizador de dados. Em resumo, o processo conduzido pelas redes sociais na internet tornou-se incontrolável e uma enorme dor de cabeça para os “ditadores de plantão”. Também aponto uma nova forma de movimentos reivindicatórios os movimentos derivados da revoltas árabes conhecidos como Indignados ou em inglês “Anonynous” e “Ocuppy”. São movimentos contestatórios, com forte repercussão principalmente nos EUA e na Europa contra o establishment e iniciaram o movimento denominado Ocuppy Wall Street, nos mesmos moldes, desta feita, na Europa ciberativistas criaram o movimento conhecido como Anonymous. Estes movimentos têm em comum nos seus programas de mobilização debater e combater a política econômica dos governos e exigir mudanças na política, mais investimentos na educação, além de rediscutir o modelo da sociedade. Neste cenário verificamos o importante papel das redes sociais e outras as ferramentas tecnológicas ao disponibilizaram em tempo real através da postagem das fotos, imagens e textos aos demais usuários. Acredito que tenha lhe ajudado a respeito do tema, mas alerto que este assunto não se esgota aqui existe mais “ combustível” para este tema como por exemplo, a silenciosa transformação na China seria uma espécie de “Revolução”?
    Abraço
    Fernando

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  7. Parabéns a esse cite

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  8. como o governo varguista usou o plano cohen ?

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  9. A denominada ameaça comunista construída pelo embuste do Plano Cohen reforçou a justificativa da criação do regime ditatorial que seria necessário como um instrumento de defesa da democracia contra o comunismo.

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  10. Vlw #resposta para meu trabalho:encontrada# /missão resposta: concluída/ rsrs #_#

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