domingo, 6 de novembro de 2022

SEGUNDO REINADO NO BRASIL

 

O Segundo Reinado caracterizou-se por uma política interna estável, terríveis confrontos internacionais, o café consolidado como carro-chefe da economia e a manutenção da escravidão. Assim foi o capítulo final da monarquia no Brasil sob o comando de dom Pedro II. 

Pedro II aos 14 anos Imperador do Brasil



Período no qual estabeleceu o governo mais longo da história do Brasil, sendo dom Pedro II o brasileiro que mais tempo esteve na governança do país, por 49 anos, teve início com o golpe da maioridade em 1840 e terminou com a proclamação da República em 1889. A política interna, em geral, manteve-se tranquila, contudo o país se envolveu em sangrentos conflitos com as nações vizinhas. A economia foi impulsionada pelo café que contribuiu para uma série de mudanças, ocorridas no fim do período, que ironicamente acabariam colaborando para a queda da monarquia: a substituição da mão de obra escrava pela assalariada, a vinda em massa de imigrantes europeus e um surto de desenvolvimento industrial. Podemos afirmar que as palavras chaves que resumem o Brasil Império foram: escravidão, café e guerra do Paraguai.





Política Interna

Quando o Segundo Reinado começou, o Partido Progressista passou a se chamar Partido Liberal, e o Regressista foi rebatizado pelo nome de Partido Conservador. Essas duas forças políticas disputaram entre si o poder durante a maior parte do governo de Dom Pedro II. O primeiro Ministério nomeado pelo imperador era composto de liberais, mas a câmara dos deputados tinha maioria conservadora. Pressionado pelos ministros Dom Pedro II dissolve a Câmara e convocou novo pleito. As eleições do cacete como ficariam conhecidas, foram marcadas pela violência e pelas fraudes, que garantiram a vitória dos liberais. Em 1841, porém, como o governo não conseguia controlar Revolta dos Farrapos, na província do sul (que hoje corresponde ao Rio Grande do Sul) o imperador nomeou outro gabinete e, no ano seguinte, desagradou novamente a Câmara, dessa vez em favor dos conservadores. Em reação, irromperam em 1842, em São Paulo e em Minas Gerais as rebeliões liberais, debeladas logo em seguida.  Os revoltosos foram indiciados, depois anistiados e dois anos depois do D. Pedro II formou o novo ministério, mais uma vez liberal .


Parlamentarismo às avessas.

Para evitar que a disputas entre liberais e conservadores resultassem novos conflitos armados, que sempre representavam para as elites o risco de uma revolução popular, em 1847 foi adotado o parlamentarismo no país. O regime entretanto, foi adaptado aos interesses da elite agrária nacional. Nas monarquias parlamentaristas clássicas, o poder legislativo é soberano em relação ao executivo e o rei tem atuação bastante limitada (a exemplo do parlamentarismo britânico). Possui eleições para a câmara dos deputados e o partido que obtém maioria na casa legislativa (composta de duas câmaras) compõem o gabinete (primeiro-ministro e conselho de ministros) que como chefe do governo exerce o poder Executivo. Entretanto, no Brasil o sistema foi implantado ao contrário: o Imperador nomeava o presidente do conselho de ministros (primeiro-ministro): que formava o próprio conselho. Depois, eram convocadas eleições parlamentares, geralmente fraudadas para garantir a vitória dos candidatos  do primeiro-ministro. Caso o poder legislativo entrasse em conflito com o gabinete de ministros o imperador poderia dissolver a câmara e convocar novas eleições de acordo com o a sua vontade. Assim, no Brasil institui-se o quarto poder:  Poder Moderador (exclusivo do imperador), e do mesmo modo podia derrubar o Executivo (primeiro-ministro) quando bem entendesse. Portanto não existia soberania ,ou melhor, independência do poder legislativo sobre o executivo e muito menos em relação ao imperador.


Revolta Praieira.

"Quem viver em Pernambuco deve estar desenganado que ou há de ser Cavalcanti ou há de ser cavalgado", esse verso popular expressa, à época da Revolta Praieira, a condição de domínio das oligarquias agrárias, representadas pela poderosa família Cavalcanti em Pernambuco. A adoção do parlamentarismo garantiria de fato um revezamento pacífico entre liberais e conservadores no poder. A última revolta do império ocorreu, em 1848, em Pernambuco, após o veto do Senado dominado pelos conservadores a indicação do liberal pernambucano Antônio da Grama à uma cadeira da casa, a ala exaltada do partido Liberal da província de Pernambuco se rebelou. Chamado de praieiros, pois a sede do seu jornal ficava na rua da Praia, eles tomaram a cidade de Olinda e atacaram o Recife, mas em 1849 foram derrotados. Seguiram-se quatro décadas de relativa paz interna.


Política Externa.

As relações exteriores brasileiras durante o Segundo Reinado foram caracterizados por um desentendimento  diplomático com a Inglaterra, a denominada: Questão Christie, e por conflitos militares com os nossos vizinhos sul-americanos as Guerras Platinas: contra Oribe-Rosas e Aguirre, e, a maior de todas a Guerra do Paraguai. 

A questão Christie, em 1861, ocorreu quando um navio em inglês naufragou na costa do Rio Grande do Sul e logo depois sua carga desapareceu. E, sem nem esperar conclusão das investigações brasileiras o embaixador em inglês no Brasil exigiu o pagamento de uma pesada indenização. Posteriormente, um incidente com oficiais da marinha inglesa, a paisana, que estavam no Rio de Janeiro provocaram um tumulto ao se embebedarem pelas ruas da cidade. Os oficiais britânicos foram detidos e no distrito policial quando identificados foram libertados. Mas o embaixador em inglês Christi considerou que a marinha britânica havia sido severamente ofendida e exigiu punição aos policiais brasileiros que prenderam os beberrões ingleses.  Como não foi atendido o embaixador mandou um almirante inglês bloquear o porto do Rio de Janeiro e aprisionar navios mercantes brasileiros. A população do Rio de Janeiro reagiu atacando estabelecimentos britânicos da cidade. Christie recuou, então propôs, que a questão fosse resolvida por arbitragem internacional. O árbitro, o rei da Bélgica, que era inclusive parente da Rainha Vitória da Inglaterra, deu ganho de causa ao Brasil e determinou que os ingleses pedissem desculpas. Como a Inglaterra se negou a cumprir o determinado, em 1863 o governo brasileiro cortou relações diplomáticas com o país, só reatando dois anos depois quando finalmente os ingleses emitiram pedido oficial de desculpas.

Guerra contra Oribe e Rosas. Após se tornar independente do Brasil, em 1828, o Uruguai passou a enfrentar disputas internas entre os partidos blanco e colorado. Os partidários do Blanco representavam os fazendeiros de gado aliado da Argentina. Os Colorados eram comerciantes de Montevidéu (capital do Uruguai) apoiados pelo Brasil. Em 1851, o blanco Manuel Oribe assumiu o governo uruguaio e com apoio do ditador argentino Juan Manuel Rosas decretou o bloqueio do porto de Montevidéu. Logo houve reação do Brasil, que já queria intervir no Uruguai em razão das invasões e dos roubos de gado que os partidários blancos, insuflados por Oribe, estavam promovendo no Rio Grande do Sul. Aliado do general rebelde argentino Justo Urquiza, o Brasil conseguiu derrubar Oribe. Após a vitória as tropas aliadas invadiram a Argentina, derrotaram e derrubam Rosas do poder. Em 1852, Urquiza assumiu o governo argentino com aval do Brasil.

Guerra contra Aguirre. A intervenção do Brasil e a deposição de Oribe não cessarão conflitos entre blancos e colorados no Uruguai. Em 1864, subiu ao poder o blanco Aguirre, e as invasões às fronteiras brasileiras voltaram a ocorrer. Atendendo ao pedido dos estancieiros gaúchos o governo Imperial deu a Montevidéu um ultimato: Aguirre deveria pagar uma indenização pelos prejuízos causados aos fazendeiros brasileiros sobre a pena de intervenção militar. O líder uruguaio não aceitou a proposta e rompeu relações com o Brasil procurando apoio do presidente paraguaio Solano López. O Brasil invade o Uruguai e, com ajuda das tropas coloradas de Venâncio Flores derrubou Aguirre. 

Percebam que as guerras contra Rosas-Oribe e Aguirre, denominada como questões fronteiriças na região do rio da Prata, demonstram a interferência externa do Brasil nas questões internas dos seus vizinhos Uruguai e Argentina. Já em relação a Questão Christie, transparecesse a soberba inglesa em relação ao Brasil, do qual era credor e utilizava essa condição, a seu favor, como moeda de troca para pressão política. O governo brasileiro demonstrava a intencionalidade de consolidar sua política expansionista no continente sul-americano, da mesma forma a Inglaterra envidava esforços para resguardar seus interesses comerciais tomando cuidado para não provocar tensões exacerbadas e prejudicar os tratados comerciais firmados com os países da região do Rio da Prata. Essa intricada relação culminará com uma guerra entre quatro nações que arrastará o continente sul para o maior conflito até então registrado: A Guerra do Paraguai.        


Guerra do Paraguai (1864-1870.


Cenário: Pequeno e isolado no interior do continente sul-americano, a antiga nação dos Guaranis, o Paraguai não despertou o interesse das grandes potências estrangeiras após sua independência, em 1811. Adotou um modelo diferente de desenvolvimento em relação aos demais países vizinhos. Praticamente não havia escravidão, nem elite agrária no país, e, sem depender de capital externo (empréstimos) o governo era capaz de garantir eficiente serviços públicos e significativa distribuição da Terra e da renda. Assim, esse relativo sucesso da ex-nação Guarani passou a ser considerado um perigoso exemplo pela Inglaterra e pelos latifundiários dos países vizinhos como o Brasil. Além disso, paraguaios, argentinos e brasileiros tinham pretensões expansionistas conflitantes entre si, de modo que o confronto armado era uma questão de tempo. 
O estopim:  Foi o ataque brasileiro na guerra contra Aguirre, que era aliado do presidente paraguaio Solano López. Ainda em 1864, o líder paraguaio reagiu declarando Guerra ao Brasil. 
A guerra: Esse primeiro ano do conflito foi marcado pelo sucesso da ofensiva Paraguaia. Em 1865, Brasil, Argentina e Uruguai firmaram o Tratado da Tríplice Aliança e com apoio em inglês (empréstimos para logística e compra de armamentos)  deflagraram um forte contra ataque. Sob o comando dos brasileiros Manoel Luís Osório e Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, em 1869 os aliados entraram em Assunção, capital do Paraguai. No ano seguinte com assassinato de Solano López o confronto foi encerrado. O Paraguai teve sua economia destruída cerca de dois terços da sua população foram dizimados e perdeu porções de seu território para os aliados. Apesar de vitorioso o Brasil saiu da guerra com uma grande dívida por causa da importação de armas e equipamentos da Inglaterra.

Ao final da guerra em 1870 o saldo de baixas por país, e o reordenamento das fronteiras: Argentina e Brasil anexam parte do território paraguaio.




Economia e Sociedade . 
Bandeira do Império.
Bandeira do Império

Apesar da riqueza trazida pela produção cafeeira a estrutura socioeconômica do Segundo Reinado não sofreu mudanças significativas. A escravidão só foi oficialmente abolida 1888, um ano antes da proclamação da República. e a agricultura voltada para exportação nos grandes latifúndios continuou  sendo nossa principal atividade econômica durante todo o período. As lutas pela modernização acabariam impulsionando a queda do regime monárquico e a proclamação República no Brasil.
O café foi o principal responsável pelas transformações sociais e econômicas das quais o Brasil passou durante o Segundo Reinado. Observe na imagem da bandeira do Império a presença do ramo de café, uma referência a importância cafeeira. A famosa obra de Cândido Portinari - "O lavrador de café" (1934) - é a constatação de que o café mesmo após a Império continuou como o mais importante produto de exportação do Brasil. Perceba as nuances da obra introduzidas pelo artista: a devastação da paisagem para o cultivo no interior paulista e o trabalhador negro em primeiro plano, o cafezal, e a ferrovia ao fundo





O lavrador de café
Inicialmente produzido somente para consumo interno, a partir do começo do século 19, o café foi exportado para os Estados Unidos e Europa. Na década de 1830, já era o principal produto da nossa carteira de exportação e influenciou nos rumos da economia. O cultivo a princípio, restrito ao Rio de Janeiro, expandiu-se do decorrer do século pelo interior da região Sudeste.  Encontrando no oeste paulista seu polo de desenvolvimento. Com o sucesso do café, o Brasil finalmente conseguiu escapar da grave crise econômica que assolou o país durante o primeiro reinado e as regências. 
O produto obteve papel fundamental na disseminação do uso da mão de obra assalariada. Em 1850, quando a pressão inglesa pelo fim da escravidão levou a proibição do tráfico negreiro pela Lei Euzébio de Queiroz, o café estava em plena expansão e os imigrantes europeus passaram a ser alternativa aos escravizados negros. Inicialmente vigorou sistema de parceria segundo o qual os fazendeiros financiavam a vinda e instalação dos estrangeiros em troca de parte da produção porém os imigrantes ficavam altamente dependentes dos latifundiários brasileiros sem nunca conseguir quitar suas dívidas acabando submetidos a um estado de semisservidão - uma espécie de escravidão disfarçada. No final da década de 1850, esses trabalhadores se rebelaram e o sistema de parceria fracassou. 
A partir desse fato deu impulso a firmar contrato assalariados. O governo do Brasil pagava a viagem desde a Europa, enquanto o fazendeiro custeava o primeiro ano de estada e o imigrante recebia um salário fixo anual e mais um rendimento variável conforme produção obtida na colheita. Como resultado os europeus afluíram em massa para o Brasil, em especial os italianos.
O fluxo migratório para o Brasil ocorreu a partir das levas de europeus entre meados do século XIX e a primeira metade do século XX. Em termos quantitativos, italianos, espanhóis, portugueses, japoneses e alemães se tornaram os principais grupos de imigrantes. Até a primeira metade do século XIX, atraídos pelas ofertas de terras oferecidas pelo governo brasileiro, grande parte dos imigrantes se estabeleceram na região sul. A partir de 1870, ocorreu uma mudança e a saída encontrada pelo governo brasileiro foi incentivar a imigração em massa de europeus, pois tinha necessidade de manter o fluxo da produção para exportação do café, na época nossa principal commodity da pauta de exportação, cuja mão de obra utilizada era de escravizados que estava em crise, devido a campanha abolicionista, a pressão inglesa e a resistência dos cativos. 
A abolição total da escravatura viria em 1888 o governo e os grandes fazendeiros aceleram a substituição dos trabalhadores libertos incentivando a vinda de mão de obra de fora do país principalmente da Europa. No início do século 20 a crise da indústria cafeeira levou a redução dos incentivos aos estrangeiros. Após a Primeira Guerra Mundial de 1914/1918 porém o fluxo migratório voltou a crescer Dessa vez impulsionado também por trabalhadores de outras nacionalidades como poloneses judeus e russos . O período posterior à Segunda Guerra Mundial seria marcado pela chegada de outro tipo de estrangeiro os refugiados de países afetados pelo conflito armado.
O avanço da cafeicultura pelo interior do país 

 
Industrialização.
Aos poucos os lucros obtidos com o café passaram a ser  revertidos no investimento da indústria do país. A instalação de fábricas foi catapultada pela Tarifa Alves Branco de 1844, que a fim de aumentar a arrecadação do governo, elevou as taxas das importações. Neste cenário, um personagem se destacou no período como maior investidor da indústria brasileira. O empreendedor gaúcho Irineu Evangelista de  Sousa, o Visconde de Mauá. Investiu em diversas áreas da economia, desde a mobilidade urbana, como as companhias de bonde, a navegação marítima, passando pela iluminação urbana, fundição metalúrgica, estradas de ferro e, até na instalação de um cabo de telégrafo submarino ligando o país à Europa. Sua atuação foi tão importante que as primeiras décadas da segunda metade do século 19 ficaram conhecida como a era como a Era Mauá. Sem o apoio de políticas públicas voltadas ao incentivo de ações empreendedoras, Mauá acabou falindo. A industrialização do Brasil no império foi apenas um surto que só teria prosseguimento décadas depois, no período da República. 


Abolição 

No Brasil o uso do escravo como mão de obra teve início com a atividade açucareira. Atravessou todo o período do domínio português e só foi oficialmente extinto em 1888, já no fim do Império. Durante praticamente todo esse período o trabalho compulsório forçado constituiu a base da economia do país. Eram os escravizados que realizavam a coleta a pesca no serviço doméstico e agricultura. Inicialmente foram escravizados apenas os indígenas depois os africanos que logo se tornaram majoritários. Trazidos pelo tráfico negreiro que dava enorme lucro a metrópole portuguesa, os africanos assim como os povos originários eram submetidos a política desumana de repressão, controle e castigos. 

Contexto: 
A partir de 1830, no período imperial a expansão da cultura cafeeira aumentou a necessidade da mão de obra. Ao mesmo tempo cresciam as pressões, principalmente da Inglaterra, para extinguir o tráfico negreiro. A preocupação inglesa não se assenta na causa humanitária em relação ao cruel tratamento aplicado sobre os escravizados, em especial aos africanos, sequestrados a força para trabalhar nas Américas. 
Da parte da Inglaterra era o temor da concorrência aos seus produtos, visto que nos domínios ingleses do Caribe o comércio do tráfico humano havia sido proibido e os produtos exportados tinham ficado mais caros. Para além disso, a escravidão não era mais compatível com o sistema capitalista do pós Revolução Industrial, considerando o modelo de desenvolvimento inglês com base no consumo e no trabalho assalariado. A roda que move o capitalismo precisava girar e o trabalho escravizado dificultava sua performance, portanto para os interesses financeiros da Inglaterra o sistema escravista precisava ser extinto. Mas, nem todos concordavam com as pretensões inglesas, entre os resistentes à adoção do novo modelo de produção capitalista estava o Brasil, digo, os grandes latifundiários escravocratas e monarquistas. 

O processo de abolição: lento e gradual
Em 1831 cumprindo acordos firmados com a Inglaterra o governo brasileiro declarou ilegal o tráfico de escravos em todo seu território. Porém, a atividade de comércio de escravizados continuou em grande escala. Diante disso o governo britânico aprovou em 1845 a Bill Aberdeen, lei que dava a marinha de guerra inglesa o direito de perseguir e aprisionar navios tumbeiros em qualquer ponto do Atlântico. A pressão inglesa sobre o governo do Brasil era cada vez maior e, em 1850, foi promulgada a lei Eusébio de Queirós que reforçava a proibição da entrada de escravos no Brasil. Até que o governo brasileiro empenhou-se em cumpri-la, mas foi "uma lei para inglês ver". Na prática o comércio de escravizado se adaptou às restrições da lei e continuou existindo de forma clandestina das remessas vindas da África ou passou a ser realizado na modalidade interna interprovincial (comércio de escravizados da lavoura açucareira para a lavoura cafeeira). Com o fim do tráfico interatlântico a escravidão entrou em declínio.

Diante da dificuldade em conseguir mão de obra escravizada e para suprirem demanda da produção os fazendeiros (principalmente os cafeicultores) e o governo Imperial começaram a incentivar a vinda de imigrantes europeus. O trabalho assalariado tornou-se cada vez mais comum em oposição a escravatura que em decadência e passou a ser vista como algo anacrônico por vários setores da sociedade, principalmente as camadas da classe média urbana. Além disso percebeu-se que o trabalho compulsório era um empecilho ao desenvolvimento do capitalismo, pois atravancava a formação do mercado consumidor interno.  Somente por volta de 1880 surgiu o movimento pró-Abolição mais aguerrido que contava com jornalistas, políticos, artistas, etc. A pressão sobre o governo levou a publicação de uma série de leis, que lentamente, conduziram ao fim do trabalho compulsório escravista. Inicialmente foi a Lei do Ventre Livre, em 1871, que libertava os filhos de escravos nascidos a partir de então. A partir de 1885 foi promulgada a Lei do Sexagenário concedendo a liberdade aos raros escravizados que atingiam os 60 anos.  Em 1888, foi criada a Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel que, na época substituía o imperador Dom Pedro II, e finalmente enterrou a escravização no país.

Importante ressaltar a participação, muitas vezes invibilizada pela historiografia tradicional alinhada com governos reacionários elitistas e outras correntes de pensamento, dos negros africanos e dos afrodescendentes que resistiram ao modelo escravista no Brasil. Os negros sempre lutaram contra a escravidão, desde a "Porta do nunca mais" na ocasião do embarque para o cativeiro, as mais diversas formas de resistências quando aqui chegaram. Entre as que empregavam força física e embates como: fugas, revoltas, insurreições, queima de plantações, atentados aos feitores e senhores, suicídio, até a mais expressiva forma: a organização dos quilombos, cujo líder referência foi Zumbi.  A outra modalidade foi o engajamento político, a exemplo de André Rebouças, Luiz Gama, José do Patrocínio entre outros, que acreditavam no fim da escravidão através da formulação de leis. Além de recorrer publicamente a variadas formas de expressão alternativas, inclusive a artística, misturando ações na forma de recitais, concertos e peças de teatro.    
A libertação dos escravos no Brasil não foi acompanhada de uma política de integração a sociedade estima-se que por ocasião da Lei Áurea dos quais 800 mil escravos libertos, menos de 1% sabia ler. Sem qualificação eles não tinham condições de melhorar de vida, e sem melhorar de vida não podiam dar qualificação aos filhos. Esse círculo vicioso dura até hoje. Atualmente 41,7% dos negros brasileiros estão abaixo da linha da pobreza entre os brancos a porcentagem é 19,5%. Na camada mais pobre da população brasileira os negros correspondem quase 74% por cento. Em quanto os brancos brancos representam 25%. 

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Exercício de fixação: Estado Novo

O OBJETIVO DESTE EXERCÍCIO É TESTAR SEUS CONHECIMENTOS. FAÇA ANTES UMA LEITURA SOBRE O ASSUNTO, DEPOIS RESPONDA AS PERGUNTAS. APENAS CONSULTE O GABARITO COM AS RESPOSTAS NO FINAL DESTA PÁGINA, APÓS RESPONDER TODAS AS QUESTÕES.
1- Sobre o Estado Novo pode-se dizer que os traços marcantes foram a implantação da ditadura; a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP); a formação do Ministério do Trabalho e o controle do movimento sindical através da estrutura corporativista; a construção do trabalhismo enquanto modelo de atuação varguista, elevando Getúlio à condição de líder, guia, estadista e "pai dos pobres". (Mackenzie-SP/2004) Getúlio Vargas pôde, em 1937, inaugurar um novo governo, conhecido como Estado Novo. Sobre esse período, é correto afirmar que:

A) era caracterizado pelo exercício da democracia e das liberdades civis, em repúdioàs idéias comunistas que ameaçavam a nação, dada a intenção desses grupos revolucionários de chegar ao poder por meio de um golpe.
B) diante da ameaça comunista, o Parlamento, as Assembléias Estaduais, assim como as Câmaras Municipais, passaram a legislar e a intervir em diversos assuntos da política nacional.
C) ocorreu a imposição de uma Constituição autoritária, influenciada pelas doutrinas fascistas que vigoravam em algumas nações européias, o que representou o início de um período de ditadura.
D) dentro do novo regime, graças à subordinação das corporações sindicais ao Estado, que passou a controlar a ação dos trabalhadores, houve a conquista de direitos trabalhistas, resultado da boa vontade das elites empresariais.
E) a conjuntura econômica internacional contribuiu para a consolidação do Estado Novo, que, diante da crise que ainda persistia no setor cafeeiro, aumentou o seu papel interventor,buscando solucionar o problema das exportações nacionais.
2- Ao mencionar questões sobre política trabalhista invariavelmente realizamos uma conexão com o governo Vargas. (Mackenzie-SP/2000) Sobre a política trabalhista do Estado Novo é correto afirmar que:
A) autorizava a greve e não se inspirava na Carta Del Lavoro, vigente na Itália fascista.
B) embora sendo reconhecidos os benefícios sociais do salário mínimo, da Justiça do Trabalho e da CLT, Vargas manipulava as lideranças sindicais e as relações com o Estado eram caracterizadas pelo paternalismo e pelo intervencionismo.
C) nesse período vigorou um sindicalismo autêntico, livre da figura do “pelego” ou líder sindical manipulado pelo Estado.
D) a criação do imposto sindical trouxe enormes vantagens sociais, não representando um instrumento de subordinação ao Estado.
E) Vargas procurou manter uma postura liberal, não interferindo nas relações capital e trabalho.
3- Ao mesmo tempo em que concedia aos trabalhadores uma série de leis trabalhistas, Getúlio Vargas controlava os sindicatos dando-lhes configurações meramente assistencialistas e recreativas. (UECE-CE/2001) São características da legislação trabalhista estabelecida no período Vargas:
A) A instituição do imposto sindical e a universalização dos direitos trabalhistas e políticos aos trabalhadores urbanos e rurais.
B) O enquadramento dos sindicatos e a concessão de direitos sociais aos trabalhadores urbanos.
C) A incorporação dos trabalhadores rurais à legislação do trabalho e a plena liberdade sindical.
D) O controle dos sindicatos de trabalhadores e o fim dos direitos sociais, como as férias anuais remuneradas.
4- Na casa do beato Pedro Batista em Santa Brígida, na Bahia, D. Pedro II divide um espaço na parede com Getúlio Vargas. Este exemplo caracteriza um tipo de idealização da figura de mitos que ficaram sedimentados na memória popular. Podemos afirmar que Getúlio Vargas potencializou uma imagem de "pai dos pobres", em grande parte devido às(aos):
A) As medidas de caráter populista, atraindo as massas trabalhadoras.
B) medidas revolucionárias introduzidas com a reforma agrária.
C) restrições econômicas impostas aos industriais brasileiros.
D) restrições rígidas impostas à burguesia nacional e internacional.
E)discursos ufanistas disseminados entre os camponeses brasileiros.

5- (UFBA-BA/2000) “O primeiro carnaval institucionalizado do Estado Novo teve como vencedora a Estácio de Sá (Escola de Samba) que, cumprindo as regras estabelecidas pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), trouxe para as ruas um enredo de fundo histórico e nacional, repleto de referências aos heróis da monarquia brasileira. Entendido como mais uma exigência a ser cumprida para vencer a competição anual – como harmonia, adereços, bateria etc. – aparecia o novo quesito do conhecimento histórico.” (Cunha, Maria Clementina Pereira. “Folcloristas e historiadores no Brasil: pontos para um debate” In: Projeto História, São Paulo, (16), fev. 1998, p. 176).
O Trecho acima revela a influência do Estado Novo em uma das mais notáveis manifestações culturais brasileiras, o carnaval. Sobre a política cultural do Estado Novo, pergunta-se: Qual o papel desempenhado pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) no período do Estado Novo?
I- Forte intervenção no processo de industrialização.
II- Divulgar as ações do governo e exaltar a imagem de Vargas.
III- Propagandear a cultura nacional, usada para legitimar o governo varguista.
IV- impunha a censura política, controlava jornais, teatro e rádio.
V- Promover e fomentar as atividades econômicas.
Marque a opção correta:
A) Todas as alternativas estão corretas.
B) Somente as alternativas I e IV estão corretas.
C) As alternativas IV e V estão corretas.
D) As alternativas I,III, IV e V estão corretas.
E) As alternativas II,III e IV estão corretas.
6-Os integralistas acreditavam que teriam apoio de Vargas para tomar o poder. Mas, Getúlio proibiu a existência legal da Ação Integralista Brasileira (AIB). Traídos, os integralistas tentaram derrubar o presidente e saíram derrotados. A qual período da Era Vargas e como denominou-se este episódio ?

A)Revolução de 30. A Intentona Integralista
B)Governo Provisório. A Intentona Integralista.
C)Governo Constitucional. A Intentona Comunista.
D)Estado Novo. A Intentona Integralista
E)Governo Provisório. A Intentona Comunista
RESPOSTAS: 1-C/2-B/3-B/4-A/5-E/6-D

domingo, 28 de maio de 2017

A Revolução Russa de 1917


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Contexto.

Momento histórico de impacto mundial, a Revolução Russa marcou o fim de um dos últimos impérios de monarquias hereditárias e absolutistas do mundo no século XX. Através da revolução, o socialismo ascendeu pela primeira vez ao poder e a ideologia comunista passou a exercer profunda influência no cenário internacional e mesmo na vida interna das nações durante grande parte do século XX. O estudo deste processo revolucionário tornou-se importante para a História, em razão das representações e rupturas relacionadas com as mudanças na estrutura do poder político, sociais e econômicas. Em linhas gerias é considerada o modelo clássico de revolução proletária que destruiu a ordem capitalista e burguesa lançando os fundamentos do primeiro Estado socialista da história da humanidade, acontecimento este de grande relevância para a História. A partir de 1917, a Rússia caminhou no sentido de se transformar numa das mais importantes potências mundiais, adotando um modelo de Sistema Socialista que se opunha ao Sistema Capitalista. Criando condições de rivalizar com os Estados Unidos, o grande líder do mundo capitalista, no decorrer do século XX no contexto da "Guerra Fria".
Revolução Russa ou Revolução Bolchevique é a designação ao processo que, em dois momentos a partir de 1917, derrubou o governo imperial da Rússia e instalou o comunismo no poder.
O primeiro momento deu-se com a revolução de fevereiro, que promoveu a queda do czarismo e a instalação de um governo da burguesia, democrático e liberal, comandado pelo partido Menchevique.
O segundo momento, com a revolução de outubro, marca o momento da tomada do poder pelos bolcheviques marxistas (do partido operário), início da história de um novo país que se chamou União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) criada em 1921 e  durou até 1991, ano em que o Sistema Socialista desabou.

Como foi possível a Revolução?


No começo do século XX, a Rússia era um país de economia atrasada e dependente da agricultura, pois 80% de sua economia estava concentrada no campo (produção de gêneros agrícolas). Os trabalhadores rurais viviam em extrema miséria e pobreza, pagando altos impostos para manter a base do sistema czarista de Nicolau II. O czar - governava a Rússia de forma absolutista, ou seja, concentrava poderes em suas mãos não abrindo espaço para a democracia distoando do cenário de uma Europa em transformação. Mesmo os trabalhadores urbanos, que desfrutavam os poucos empregos da fraca indústria russa, viviam descontentes com o governo do czar.

Pausa para curiosidade!  A palavra czar, que se pronuncia-se “tzar”, tem suas origens no título de césar que era concedido aos imperadores romanos, na Idade Antiga. Na Idade Média o título de czar era ostentado por búlgaros e sérvios que igual aos russos também pertencem ao ramo dos povos eslavos.

O Fime "O Encouraçado Potemkin" (1925) de Sergei Einsenstein tornou-se um cult ao retratar os antecedentes da Revolução Russa. Assista um trecho desta emblemática película. "O ENCOURAÇADO POTEMKIN"                             


Começa a formação dos sovietes (organização de trabalhadores russos) sob a liderança de Lênin (Vladimir IIlitch Ulianov). Os bolcheviques (que significa partido da maioria em russo) começavam a preparar a revolução socialista na Rússia e a queda da monarquia. Ao longo da segunda metade do século XIX, a Rússia viveu uma crise profunda em conseqüência de fatores que exerciam influências recíprocas e divergentes sobre todos os setores da vida social e política do país. Vigorava no império um sistema político de monarquia autocrática que se chocava com o modelo econômico de capitalismo moderno, em que as relações de produção entrelaçavam-se com as do tipo feudal. Esses problemas se traduziam na baixa produtividade agrícola, que provocava freqüentes crises de abastecimentos alimentares, com fortes repercussões sociais, afetando tanto os camponeses como a população urbana. Havia insustentáveis desigualdades econômicas e sociais entre a poderosa e privilegiada classe de nobres proprietários de terras e uma imensa população de camponeses (grande massa de maioria analfabeta que até 1861 viveu em regime de servidão).
Lenin tomou para si a tarefa de adaptar a teoria fundamentada por Karl Marx e Engels (Marxismo) do século XIX à realidade da Rússia do século XX e provar que era possível,mesmo contrariando a Marx, uma revolução comunista num país como a Rússia no qual o capitalismo ainda engatinhava. Deste erro Lenin vai se penitenciar em 1921, reconhecendo que Marx estava certo. 
Em meio à Primeira Guerra Mundial, na qual a participação da Rússia era desastrosa, aconteceu a denominada revolução russa de 1917. O estopim do descontentamento popular contra o governo do czar foi a manutenção do país na Primeira Guerra Mundial. Foram os jovens soldados, mais do que os camponeses e operários, que promoveram a revolução democrática em 1917 e levaram ao poder o líder menchevique  Keresnsky.

Resumindo, a Revolução Comunista eclodiu num país "atrasado" da Europa, graças à combinação de uma série de fatores:
1- A crise econômica; pesados impostos; a fome que atingia grande parte da população;
2- Incapacidade administrativa dos Czares;
3- As derrotas da Primeira Guerra Mundial;
4- Grande desigualdade social existente no país.


"Todo poder aos Sovietes"
Apesar das espectativas o governo de Kerensky não retirou a Rússia da Guerra, fato que causou uma onda de greves, revoltas e disputas de poder. Nesse cenário anárquico, Lenin e seus seguidores, Stalin e Trotsky, reinvindicavam "todo poder aos sovietes" e lideram a rebelião que depôs Kerensky e colocam no poder o partido bolchevique. Assim deu inicio ao governo socialista dos bolcheviques, uma ditadura com partido único, porém a esta característica Lenin denominou de "ditadura do proletariado"  
Do Sistema de Produção Socialista - extraimos dois importantes conceitos que representarão as bases do Socialismo:
· Confisco de propriedades privadas: Reforma Agrária, ou seja, grandes propriedades foram tomadas dos aristocratas e da Igreja Ortodoxa para serem distribuídas entre o povo.
· Estatização da economia: Controle Operário das fábricas, isto é, O novo governo passou a intervir diretamente na vida econômica, nacionalizando diversas empresas que eram de propriedade privada.


A nova política econômica (NEP)
Em 1921, a situação econômica estava pior que antes da revolução. A Republica Federal Socialista e Soviética Russa (RFSSR), sofreu uma terrível redução de forças, mais do que qualquer outra grande potência, com a Primeira Guerra e, em seguida, com a revolução e a guerra civil. Sua população declinou de 171 milhões de habitantes em 1914 para 132 milhões em 1921. A perda de territórios envolveu também a perda de fábricas, ferrovias e fazendas produtivas. Os conflitos destruíram grande parte do que tinha restado. Nas cidades e nos campos havia fome e miséria. O campo não recebia fertilizantes, ferramentas nem roupas das cidades. Por sua vez, não produzia alimentos e milhares de pessoas morriam de frio, fome e epidemias.

Um passo atrás para para depois dar dois passos à frente.
No início de 1921, o poder bolchevique estava totalmente ameaçado. Reconhecendo a gravidade da situação, Lenin
(principal líder da Revolução Russa) declarou aos seus pares: "Nos equivocamos. Atuamos como se pudessemos construir o socialismo em um país no qual o capitalismo praticamente não existia. Antes de querer realizar a sociedade socialista, há que reconstruir o capitalismo".
A partir daí surgiu a Nova Política Econômica (NEP). Não se tratava de modificar a economia soviética. Eram ajustes de urgência, impostos pela gravidade da situação. Para aumentar a produção a qualquer custo, foram tomadas algumas medidas capitalistas, como a restauração da pequena e da média propriedade na industria alimentícia, no comércio varejista e na agricultura.
Na agricultura, substituíram-se as ilimitadas e odiadas requisições de gênero por um imposto em produtos. No setor industrial os resultados não foram muito significativos, apesar da adoção da liberdade salarial e de comércio.
A terra pertencia ao estado e era arrendada aos camponeses. Os mais ativos e influentes nas comunidades , chamados Kulaks, enriqueceram-se ainda mais. Por outro lado, muitos camponeses pobres faliram, por causa da inflação e da economia de
mercado, e foram para as cidades em busca de trabalho, agravando o desemprego.






sábado, 14 de maio de 2016

LISTA DE EXERCÍCIO - AULÃO ENEM REPUBLICA VELHA



SÁBADO LETIVO – HISTÓRIA – AULÃO ENEM – PROF. FERNANDO 
As respostas estão no final desta postagem-->> Sucesso!!
1- (ENEM-2008) O abolicionista Joaquim Nabuco fez um resumo dos fatores que levaram à abolição da escravatura com as seguintes palavras: “Cinco ações ou concursos diferentes cooperaram para o resultado final:  
1º) o espírito daqueles que criavam a opinião pela idéia, pela palavra, pelo sentimento, e que a faziam valer por meio do Parlamento, dos meetings [reuniões públicas], da imprensa, do ensino superior, do púlpito, dos tribunais;  2.º) a ação coercitiva dos que se propunham a destruir materialmente o formidável aparelho da escravidão, arrebatando os escravos ao poder dos senhores;  3.º) a ação complementar dos próprios proprietários, que, à medida que o movimento se precipitava, iam libertando em massa as suas ‘fábricas’; 4.º) a ação política dos estadistas, representando as concessões do governo; 5.º) a ação da família imperial.” Joaquim Nabuco. Minha formação. São Paulo: Martin Claret, 2005, -p. 144 (com adaptações).

Nesse texto, Joaquim Nabuco afirma que a abolição da escravatura foi o resultado de uma luta :             
                                                                
(A) de idéias, associada a ações contra a organização escravista, com o auxílio de proprietários que libertavam seus escravos, de estadistas e da ação da família imperial. 
(B) classes, associada a ações contra a organização escravista, que foi seguida pela ajuda de proprietários que substituíam os escravos por assalariados, o que provocou a adesão de estadistas e, posteriormente, ações republicanas.    
(C) partidária, associada a ações contra a organização escravista, com o auxílio de proprietários que mudavam seu foco de investimento e da ação da família imperial.  
(D) política, associada a ações contra a organização escravista, sabotada por proprietários que buscavam manter o escravismo, por estadistas e pela ação republicana contra a realeza. 
(E) religiosa, associada a ações contra a organização escravista, que fora apoiada por proprietários que haviam substituído os seus escravos por imigrantes, o que resultou na adesão de estadistas republicanos na luta contra a realeza.
                                                                                                                                                                   

2- Canudos foi um movimento social que ocorreu em fins do século passado e que envolveu milhares de nordestinos. Hoje, o Movimento dos Sem Terra é também um movimento social que envolve milhares de pessoas.

Identifique a alternativa que apresenta características comuns aos dois movimentos. 
a) Os objetivos sociais, apesar de Canudos ter defendido as idéias dos produtores nordestinos, enquanto o Movimento dos Sem Terra defende as idéias dos trabalhadores do sudeste.   
b) A luta pela terra, defendendo desde o início o recurso da luta armada para obtê-la.
c) A luta por melhores condições de vida e contra o desemprego.
d) A luta pela pequena propriedade e o desenvolvimento de uma política de cooperativas agrárias.
e) A luta pela terra, defendendo condições de vida mais dignas para seus participantes.
                                                                      


3- Em um balanço sobre a Primeira República no Brasil, Júlio de Mesquita Filho escreveu:“... a política se orienta não mais pela vontade popular livremente manifesta, mas pelos caprichos de um número limitado de indivíduos sob cuja proteção se acolhem todos quantos pretendem um lugar nas assembléias estaduais e federais”. (A crise nacional, 1925.) 

De acordo com o texto, o autor:
a) critica a autonomia excessiva do poder legislativo. 
b) propõe limites ao federalismo. 
c) defende o regime parlamentarista .  
d) critica o poder oligárquico.
e) defende a supremacia política do sul do país.


4- Analise o texto a seguir. “Foi um meio utilizado para neutralizar a oposição ao governo federal, estadual e o Congresso Nacional através da ideologia do favor. O governo federal articulava-se com os grupos dominantes das oligarquias de cada estado, oferecendo-lhes verbas e benefícios  em garantia da não interferência nos assuntos regionais. Em troca, essas oligarquias, que controlavam  o processo eleitoral  por meio de fraudes e violências e da atuação ao nível municipal dos coronéis, orientavam seus deputados e senadores a não fazerem oposição ao presidente da República” .

Podemos afirmar que o texto acima refere-se :
a) A política das salvações que era um dos mecanismos de poder dos militares.  
b) Voto de cabresto uma forma de controle do eleitorado. 
c) A política do café com leite um dos instrumentos  complementares da política dos governadores. 
d) O clientelismo uma peça chave da república do café com leite. 
e) A política dos governadores que foi o principal mecanismo de manutenção do poder das oligarquias.
                                                                                                                                                  

5-Concidadãos! o Povo, o Exército e a Armada Nacional, em perfeita comunhão de sentimentos com os nossos concidadãos residentes nas províncias, acabam de decretar a deposição da dinastia imperial e conseqüentemente a extinção do sistema monárquico representativo.  Como resultado imediato desta revolução nacional, de caráter essencialmente patriótico, acaba de ser instituído um Governo Provisório, cuja principal missão é garantir com a ordem publica a liberdade e o direito do cidadão. “Manifesto da Proclamação da República de 16 de novembro de 1889”

Pode-se depreender do texto acima em relação ao que realmente ocorreu em 15 de novembro de 1889 :

a) Está correto, pois afirma que o povo e as forças militares decretaram a deposição da monarquia num movimento qualificado de revolução nacional.       
b) Está incorreto, pois o povo esteve distante das articulações que derrubaram a monarquia em 1889. Não houve processo revolucionário com participação popular e sim um golpe militar patrocinado pelas elites.   
c) Está coerente, pois houve intensa participação popular nas articulações que derrubaram a monarquia. Caracterizando um processo revolucionário com grande presença do povo.
d) Está incoerente, pois demonstra o processo de revolução nacional com ampla participação dos militares, dos grupos dominantes, intelectuais e o povo. 


6- A chamada “Política dos Governadores”, instituída na Primeira República, caracterizava-se por:

a) permitir que a escolha do Presidente da República fosse resultado de um consenso entre os governadores e desta forma manter o grupo político no poder.
b) tornar os governadores um mero instrumento do poder do Presidente da República e impedir a formação de novas lideranças contrárias ao governo federal;
c) acordo político que consistia na troca de favores entre os governos federal, estadual e municipal para manter os grupos políticos no poder.
d) tornar os governadores representantes de um federalismo liberal e democrático com objetivo de renovar as lideranças políticas;
e) promover, através dos governadores, a desarticulação das oligarquias locais e promover a renovação dos grupos políticos e lideranças locais.


7-O coronelismo foi uma peça importante da perversa engrenagem que impedia a representatividade política da maioria da população, principalmente a parcela da sociedade mais carente. Podemos definir o coronelismo como:


a)Sistema de poder cujo grupo político que alternava-se no poder federal como forma de garantir a manutenção dos privilégios aos seus respectivos Estados.

b)Sistema de poder que consistia na troca de favores entre o poder estadual e municipal a fim de garantir seus interesses políticos utilizando práticas fraudulentas para vencer as eleições.
c)Sistema de poder no qual o coronel era uma peça secundária e sua participação era ofuscada pela Comissão de Verificação, pois na prática era esta quem declarava os candidatos eleitos.
d)Sistema de poder baseado no coronel o líder político local, grande proprietário de terras que usava jagunços para formar os currais eleitorais, através de práticas de intimidação ao eleitor.

e)Sistema de poder político que arregimentava grande número de seguidores a partir de suas pregações religiosas que convenciam os mais pobres a se submeterem ao seu controle. 

8- A Primeira República ou República Velha foi um período da História política do Brasil que se caracterizou pelo afastamento do ideal da República. O que deveria ser um governo para todos na prática era um governo de poucos. Sobre os fatos com os quais podemos caracterizar a Primeira República estão:

I- Com o “voto de cabresto” os coronéis dominavam as clientelas rurais e manipulavam as eleições;
II- A política dos governadores consagrava a troca de apoio entre o governo federal e as oligarquias estaduais mantendo o mesmo grupo político no poder.
III- A política do café com leite foi o domínio da sucessão presidencial pelos cafeicultores de São Paulo e de Minas Gerais que alternavam-se na presidência da República.
IV- O Movimento dos Tenentes - o Tenentismo - que possuía caráter militar contribuiu para consolidar os governos da Primeira República.
V- As fraudes eleitorais eram exceção e não regra neste período, devido ao rigoroso trabalho de fiscalização do processo eleitorado efetuado pela Comissão de Verificação.

Assinale a alternativa verdadeira:

a) Apenas a alternativa I, está correta.
b) As alternativas I,II,III estão corretas.
c) As alternativas I,II,IV e V estão corretas.
d) As alternativas II,III e IV estão corretas.
e) Apenas a alternativa V está incorreta.



9- "Não é por acaso que as autoridades brasileiras recebem o aplauso unânime das autoridades internacionais das grandes potências, pela energia implacável e eficaz de sua política saneadora das epidemias [...]. O mesmo se dá com a repressão dos movimentos populares de Canudos e do Contestado, que no contexto rural [...] significavam praticamente o mesmo que a Revolta da Vacina no contexto urbano". Nicolau Sevcenko. A revolta da vacina.
De acordo com o texto, a Revolta da Vacina, o movimento de Canudos e o do Contestado foram classificados pelas autoridades internacionalmente como MOVIMENTOS :                                                                                                                                                                                         
a) provocados pelo êxodo maciço de populações saídas do campo rumo às cidades logo após a abolição.                                                      
b) retrógrados, pois as agitações provocadas por estes movimentos populares dificultavam a modernização do país.                                      
c) decorrentes da política sanitarista de Oswaldo Cruz.
d) indícios de que a escravidão e o império chegavam ao fim para dar lugar ao trabalho livre e à república.                                                      
e) conservadores, porque ameaçavam o avanço do capital norte-americano no Brasil. 


10- A respeito do "coronelismo" podemos afirmar que:



a)   O coronel era o líder político do local cujo poder era medido pela quantidade de votos que controlava.
b)   Através da intimidação e da troca de favores sobre o povo o coronel praticava o denominado voto de cabresto.
c)   Constituía o poder local através do voto direto secreto e de maneira democrática.
d)   A penas a alternativa “c” esta correta.
e)   As alternativas “a” e “b” estão corretas.


GABARITO: 1-A/ 2-E/ 3-D/ 4-E/ 5-B/ 6-C/ 7-D/ 8-B/ 9-B/ 10-E

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A Reforme Protestante


Contexto.


As transformações no processo de transição do feudalismo para o capitalismo, também atingem a cultura religiosa da Igreja. Novos tempos, novas crenças e uma outra visão da fé católica, em meio ao turbilhão de mudanças alguns religiosos inconformados propuseram que também era a hora de revolucionar a fé.
Em meados do século XVI desencadeou-se, a partir de membros da própria igreja católica, um movimento inicialmente de caráter religioso, mas que posteriormente teve repercussões políticas e econômicas. Conhecido como Reforma Protestante este movimento contestará a estrutura e os dogmas da milenar Igreja Católica resultando na "grande cisma do ocidente". Em paralelo com o Renascimento e a formação das Monarquias Nacionais europeias, a Reforma Protestante expressará a necessidade de adequação da religião aos interesses do sistema capitalista.


Os antecedentes.


Lutero afixa as 95 teses e revoluciona a fé. 
A fim de nos situarmos vamos pincelar alguns pontos importantes: A mentalidade, a burguesia e a formação das monarquias nacionais. Vamos começar pela mentalidade da época. No final da Idade Média, a população europeia convivia com o persistente medo dos castigos reservados aos pecadores, cujo destino era o inferno. Encontrar satanás era a ultima coisa que as pessoas tementes a Deus pretendiam. Esta angústia que atormentava corações e mentes na época era difundida pela própria Igreja, entretanto na prática o discurso era outro. Enriquecendo com a venda de indulgências (o perdão dos pecados) os membros do alto clero viviam no luxo e  praticavam a avareza (apego aos dinheiro e acúmulo de riqueza), o que contrariava a doutrina cristã e provocava profundo descontentamento de alguns dentro da Igreja.
Outro ponto diz respeito a formação da burguesia, até então a tímida "nova classe burguesa" formada pelos comerciantes estava insatisfeita com as atitudes eclesiásticas. Apesar de viver no luxo e na riqueza, a Igreja condenava a usura (empréstimo de dinheiro a juros) e o lucro em geral praticado pelos comerciantes, com essa postura a doutrina católica feria de morte a alma do negócio burguês e freava o desenvolvimento das atividades comerciais e bancárias. Na visão da burguesia era necessário um basta!
A formação das monarquias nacionais foi o terceiro ponto. A partir do estabelecimento das áreas de fronteiras na Europa, percebeu-se que a grande proprietária de terras era a Igreja e passou a ser vista como um poder externo interferindo nos assuntos nacionais das monarquias. Os atritos entre os reis e o papa passaram a ser constantes e resultavam, via de regra, em conflitos armados. Na ótica dos monarcas era necessário uma mudança de procedimento da Igreja, ou seja, menos interferência nos assuntos políticos das monarquias.






Os nomes da Reforma.
Calvino 
Muito antes do movimento reformista acontecer, vários religiosos fazem críticas à Igreja denunciando John Wycliffe (na Inglaterra), Jan Huss (na Boêmia - região da Alemanha)  e Zwinglio  na Suíça. E claro, os mais renomados:  Martinho Lutero, na Alemanha e João Calvino, francês que fixou-se na Suíça. Em geral eram as propostas em comum dos principais reformistas: condenavam a venda de indulgência, a opulência do clero, o afastamento dos ensinamentos cristãos.e favoráveis ao confisco dos bens da Igreja. Neste contexto, surgem os nomes que impulsionarão a reação contra os desvios da Igreja. No séc. XV, destacam-se precursores como Wyclife, nas suas acusações à Igreja traçava um paralelo entre a pomposidade das vestes dos clérigos e a simplicidade dos trajes de Jesus. Sua pregação incitava a igualdade entre os homens e atingiu em cheio a multidão de camponeses que entendeu perfeitamente  mensagem, fato que gera inúmeras revoltas pela Inglaterra.
  
Estas propostas dos "protestantes" chamaram a atenção tanto dos reis quanto da burguesia, pois encaixavam-se perfeitamente aos seus interesses políticos e comerciais respectivamente. Portanto burguesia e rei viam na Reforma uma possibilidade de mudar o poder a seu favor e contra o domínio da Igreja.


Lutero.
Martinho Lutero
"Trazei o dinheiro!! Salvai vossos antepassados. Assim que o dinheiro tilintar em nossa caixa, suas almas passarão imediatamente ao paraíso", este anúncio fazia parte da pregação da venda de indulgências na Alemanha e presenciado por Lutero. A indignação do monge agostiniano chegou ao limite em 1517, quando afixou na porta da catedral de Winterberg 95 teses condenando as práticas da Igreja. Chamado para retratar-se das suas "heresias", Lutero não renegou suas teses e terminou sendo excomungado pela Bula papal (documento do Papa que o condenou). Em represália Lutero queima a Bula em público e destila ácidas críticas ao estado de coisas que infectavam a Igreja, a começar pelo seu líder, o papa. Acusava o papa e o alto clero pela exploração da boa fé dos fiéis através da prática de sinomia, ou seja o comércio de artigos e serviços religiosos vendidos como relíquias sagradas, mas em verdade não passavam de falsificações. A esse respeito, em sua obra O Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdã escreveu: "Que diria São Jerônimo se pudesse ver o leite da Virgem exibido por dinheiro, recebendo tanta veneração quanto o corpo sagrado de Cristo. (...) Aqui temos o capuz de São Francisco , ali a saia de Nossa Senhora, ou o pente de Santa Ana... e tudo pela avareza dos padres e hipocrisia dos monges que brincam com a credulidade do povo".




A Venda das Indulgências tornou-se um negócio lucrativo.
Além é claro, da venda das Indulgências*, corrupção, libertinagem e falta de instrução do clero, formado em sua maioria por padres e nobres ricos que compravam cargos religiosos sem ter nenhuma formação para exercício do sacerdócio.  

*As indulgências eram uma espécie de "título da salvação", que na prática foi uma forma da Igreja arrecadar dinheiro comercializando-as e dando como contrapartida ao seu portador o perdão dos pecados, livrando sua alma do inferno e garantindo um lugar no céu. 


As bases da Doutrina.

Após a excomunhão exilado na região da Saxônia e protegido pelos príncipes alemães, Martinho Lutero desenvolve as bases da sua doutrina tomando como referência os princípios dos dois grandes teólogos da Igreja católica, no caso Santo Agostinho sobre a predestinação e de Santo Tomas de Aquino, a respeito do livre-arbítrio. Afirmava Lutero que a única saída para salvação é a fé, não havendo necessidade de intermediários (ou seja, o papa e o clero) entre Deus e o homem, portanto deveria o clero ser extinto. Além disso, o luteranismo, defendia a tradução da bíblia para o idioma local, a interpretação do livro sagrado pelos fieis e a submissão da Igreja pelo Estado.  Perceba que esta último conceito casava com os interesses dos governantes, principalmente a nobreza alemã, pois vislumbravam nesta a possibilidade de desvincular-se do alcance de poder do papa e acabar com a intromissão papal nos assuntos de Estado. A Igreja pressiona o imperador Carlos V, e em 1521 ocorre a Dieta de Worms, uma assembleia que condenou Lutero por heresia.  Ainda assim, o protestantismo continuou atraindo a simpatia dos nobres alemães. Tanto que, em 1529, a Dieta de Spira concede tolerância religiosa ao movimento luterano, mas impedia sua expansão. Esta limitação imposta pela Dieta de Spira gerou protestos dos nobres, é daí que vem o termo "protestantes". Somente em 1555, após anos de luta, foi firmado a Paz de Augsburgo que consolidou a liberdade religiosa ao protestantismo. Os bens da Igreja foram confiscados pelos nobres alemães, abrindo as portas para adoção do movimento religioso em outros Estados como a Dinamarca, Suécia e Noruega.


Os Anabatistas e os Calvinistas.


A expansão do movimento protestante foi rápida. 
As transformações do protestantismo não foram apenas de ordem geográfica, outros movimentos reformistas pretendiam provocar mudanças ainda maiores na sociedade, entre estes estava o que ocorreu em 1524: a revolta camponesa liderada pelo ex-discípulo de Lutero, Thomas Munzer, cujo seguidores conhecidos por anabatistas defendiam a utilização da revolta armada para acabar com a propriedade privada e a distribuição igualitária das riquezas. Lutero ficou do lado dos nobres (seus protetores), ao incentivar à repressão aos anabatistas resultando na execução de Munzer e pondo fim ao movimento. A Suíça foi sacudida pela Reforma através de Zwinglio, estudioso do luteranismo, propunha uma doutrina ainda mais radical. Em 1529 inicia-se uma briga entre católicos e protestantes que durou dois anos e ao final Zwinglio morre. Alguns anos depois, chegou a Suíça o religioso francês João Calvino, cujo nome emprestou a doutrina conhecida como Calvinismo. As particularidades deste movimento reformista são:
  • Reconhecia os princípios da predestinação - segundo o qual apenas alguns estão destinados à salvação, ou seja Deus escolhe quem será salvo. 
  • Justificava a salvação pela fé. 
  • Defendia o trabalho como fonte de salvação, via com bons olhos as atividades comerciais e bancárias, encorajando-as junto aos fiéis.
Importante observar que ao adequar a moral religiosa aos interesses da burguesia o Calvinismo encontrou grande aceitação em outros Estados europeus como na Inglaterra, onde os seguidores eram chamados de puritanos, na Escócia (de presbiterianos) e na França (de huguenotes).  


A Reforma na Inglaterra.

Henrique VII 
A reforma inglesa tem sua particularidade no contexto do movimento protestante, pois foi iniciada pelo rei Henrique VIII. A pretensão do rei era tomar para si o poder que a Igreja católica tinha na Inglaterra e vislumbrou em uma mulher a chave para executar o seu plano. Ao argumentar que após 18 anos de matrimônio com Catarina de Aragão (rainha espanhola) não havia lhe dado um herdeiro homem situação que colocava em risco a sucessão real inglesa, pediu ao papa a anulação do casamento. Esta petição de Henrique VIII criou enorme tensão com a Santa Sé. Via de regra o pedido seria atendido, porém o papa mais identificado com os interesses da monarquia espanhola nega o pleito do rei inglês. Inconformado, Henrique VIII rompe com a Igreja católica e é excomungado pelo papa. Em 1533, o parlamento inglês aprovou o divórcio do rei e este casou-se com uma dama da corte, chamada de Ana Bolena. No ano seguinte, Henrique VIII outorga o Ato de Supremacia confiscando os bens da Igreja e muitas propriedades eclesiásticas são fechadas, ao mesmo tempo em que funda a Igreja Anglicana, da qual é o líder religioso, neste aspecto vem a particularidade da reforma inglesa, o movimento de enfrentamento com a Igreja católica partiu do rei e não dos religiosos e teve vertente claramente mais política do que religiosa.
Contudo, a nova doutrina fundada pelo rei inglês não ficaria inume aos conflitos. Embora as propostas assemelhassem às do catolicismo foram duramente criticadas pelos puritanos, seguidores do Calvinismo na Inglaterra, situação que resultou em sérios embates.


A Contrarreforma.

Concílio de Trento discute e aplica as mudanças na Igreja
Podemos definir a Contrarreforma como o movimento de reação da Igreja católica à expansão das doutrinas protestantes.  O Concílio de Trento, convocado pelo papa  Paulo III trouxe algumas melhorias ao catolicismo, contudo reafirmou os dogmas católicos e condenou os movimentos protestantes. As reforma internas foram: Regular as obrigações do clero e conter o excesso de luxo praticado por membros da Igreja.
O instrumento de coação aos protestantes foi a instauração da Inquisição ( espécie de tribunal religioso com poder de sentenciar à morte os hereges) uma verdadeira "caça às bruxas".
O Index, foi uma providência adotada pelo Concílio de Trento para conter a proliferação de ideias profanas ao catolicismo, para tanto havia uma lista de livros proibidos aos católicos ou Index Librorum Prohibitorum. 
Embora não tenha conseguido êxito em acabar com o protestantismo, a Contrarreforma estancou sua expansão. Mas, no quesito disseminação da fé católica pelo Novo Mundo a empreitada foi exitosa, a partir do trabalho realizado pelas ordens religiosas, principalmente pela Companhia de Jesus ou jesuítas (símbolo está na imagem abaixo, a direita), fundada em 1534 por Inácio de Loyola conseguiu ampliar territorialmente a fé católica, inclusive aqui no Brasil. É graças ao trabalho de evangelização praticado pelos jesuítas que a América Latina atualmente é considerada o continente com maior número de adeptos do catolicismo.

         
 












A imagem ao lado retrata a Inquisição em Lisboa, muitos arderam na fogueira. O tribunal do Santo Ofício serviu como instrumento de repressão pela Igreja católica aos que professassem outra fé ou contrariassem o pensamento da Santa Sé.