terça-feira, 4 de junho de 2024

EXERCÍCOS INCONFIDÊNCIA MINEIRA



1. (Enem - ADAPTADA) O instituto popular, de acordo com o exame da razão, fez da figura do alferes Joaquim Jose da Silva Xavier o principal personagem dos Inconfidentes mineiros, e colocou os seus parceiros a meia ração de glória. Merecem, decerto, a nossa estima aqueles outros; eram patriotas. Mas o que se ofereceu a carregar com os pecadores de Israel, o que chorou de alegria quando viu comutada a pena de morte dos seus companheiros, pena que só ia ser executada nele, o enforcado, o esquartejado, o decapitado, esse tem de receber o prêmio na proporção do martírio, e ganhar por todos, visto que pagou por todos. ASSIS, M. Gazeta de Notícias, n. 114, 24 abr. 1892.

No processo das rebeliões que antecederam a transição para a Independência política do Brasil em relação a Portugal, a narrativa de Machado de Assis, no texto acima, sobre a Inconfidência Mineira associa a morte de Tiradentes a(o):  

a) Serviu na prática para livrar da pena capital os demais integrantes das elites mineiras que participaram da inconfidência

b) Propósito  da veneração do condenado ao patamar dos santos e afastar o radicalismo militar.

c) Fazer apologia aos mártires protestantes e o culto ufanista de uma república em Minas Gerais.

d) Tradição messiânica de associar como salvador da pátria e uma tendência regionalista.

e) Contribuir para condenação dos demais participantes da rebelião pelo seu dogmatismo ideológico.


2. (Enem) O que ocorreu na Bahia de 1798, ao contrário das outras situações de contestação política na América Portuguesa, é que o projeto que lhe era subjacente não tocou somente na condição, ou no instrumento, da integração subordinada das colônias no império luso. Dessa feita, ao contrário do que se deu nas Minas Gerais (1789), a sedição avançou sobre a sua decorrência. JANCSÓ, I.; PIMENTA, J. P. Peças de um mosaico. In: MOTA, C. G. (Org.). Viagem Incompleta: a experiência brasileira (1500-2000). São Paulo: Senac, 2000.

A diferença entre as sedições abordadas no texto encontrava-se na pretensão de
a) eliminar a hierarquia militar.
b) abolir a escravidão africana.
c) anular o domínio metropolitano.
d) suprimir a propriedade fundiária.
e) extinguir o absolutismo monárquico.


3. (Uel) Leia o texto e analise a imagem a seguir.
Vou falar hoje, neste bicentenário, da conjuração mineira, menos sobre as consequências desta prisão do que sobre as causas da chamada Inconfidência Mineira, designação de que francamente não gosto, e que não uso; a palavra inconfidência vem dos donos do poder e não da oposição. Vem da contrarrevolução e não da revolução; e, enfim, o objeto das nossas comemorações é uma revolução frustrada, não uma repressão bem-sucedida. É bom que estejamos bem claros sobre isto. MAXWELL, K. Conjuração mineira: novos aspectos. Estudos Avançados. v. 3. n. 6. mai/ago, 1989, p. 4.

Com base no texto, na imagem e nos conhecimentos a respeito da Inconfidência ou Conjuração Mineira, responda aos itens a seguir.

a) Discorra sobre esse movimento denominado de Inconfidência ou Conjuração Mineira, ocorrido em Minas Gerais, em 1789.


b) Analise a representação de Tiradentes na pintura elaborada por Pedro Américo, após a proclamação da República no Brasil.














Respostas:
1-A / 2-B 

Resposta da questão 3:
a) A Inconfidência Mineira, influenciada pelo Iluminismo e pela Revolução Americana, reuniu parte da população de Vila Rica em busca da contestação dos abusos coloniais (como a cobrança da derrama) e do desligamento do Brasil de Portugal, ou seja, buscava proclamar a Independência do Brasil. Além disso, os inconfidentes buscavam a proclamação de uma República, o livre comércio e a abertura de universidades no Brasil.
b) Pedro Américo pintou tal quadro durante a República, quando o governo brasileiro buscava forjar heróis nacionais que não tivessem ligação com Portugal. Tiradentes foi um dos escolhidos como “herói da Nação”. Daí a representação da sua morte ser dramatizada com contornos religiosos: Tiradentes assemelha-se a Jesus Cristo na pintura e o esquartejamento assemelha-se ao martírio crístico. Além disso, o corpo de Tiradentes forma o contorno do mapa do Brasil.






sexta-feira, 21 de abril de 2023

A AMÉRICA ESPANHOLA

Painel de Diego Rivera retratando o modelo de exploração da Espanha no México.


Modelo de "colonização" espanhola na América.

Primeiramente entenda que o processo de domínio das terras do Novo Mundo (Américas) não foi colonizador, e sim de exploração. O termo colonização foi apenas na visão eurocêntrica, pois para indígenas e africanos se institui a dominação na precisão integral do termo. Os europeus invadiram, mataram, conquistaram, escravizaram e exploraram o quanto puderam. Ao mesmo tempo forjaram as bases políticas, econômicas e sociais do que hoje é a América. Após, a chegada de Cristóvão Colombo na América, em 1492, as potências ultramarinas começaram a se instalar no Novo Mundo. Os conquistadores dizimaram boa parte dos nativos, subjugaram os restantes e exploraram intensamente quase a totalidade das terras durante cerca de três séculos, o que resultou em um vigoroso fluxo de riquezas para a Europa, principalmente para a Espanha.

Formas de dominação da "colonização".

No contexto da Expansão Marítima do século XV, as potências europeias tomaram posse da terra nas Américas e conforme a conveniência aplicaram o modelo de extrair recursos mais vantajoso aos seus propósitos. 
No geral, o modelo adotado foi o de exploração dos recursos naturais de cada território e era voltada para o abastecimento do mercado europeu, caracterizavam-se pelo Plantation, ou seja, a grande propriedade, a monocultura e o trabalho escravo, uma forma eficiente de produzir muito e com baixo custo. Além da agricultura, praticava-se intensa extração de metais, em razão do tipo de mercantilismo adotado pelos países ibéricos: o metalismo. Nessas regiões, valia o que chamamos de Pacto Colonial ou Exclusivo Colonial, segundo o qual a "colônia" só podia vender sua produção à Metrópole a preços reduzidos e dela importar aquilo de que precisasse a alto custo e lucro para os comerciantes da matriz europeia. Esse foi o tipo de "colonização" empregado pela Inglaterra "na porção sul de sua colônia" na América do Norte ( atual Estados Unidos) e por Espanha e Portugal nos seus domínios aqui nas Américas central e do sul. Conforme o infográfico abaixo:




A colonização de povoamento foi implementada, em menor escala e para os europeus, na parte norte da colônia inglesa (atual EUA e Canadá), onde o clima não permitiu o cultivo de itens tropicais e sim, de similares aos plantados na Europa. Deste modo a produção era voltada para o consumo interno, predomina a pequena propriedade, a policultura e a mão de obra familiar.


O domínio dos espanhóis

A América pré-colombiana era ocupada por uma população estimada entre 50 milhões a 100 milhões de indígenas, que formavam desde agrupamentos muito primitivos até civilizações sofisticadas. Podemos caracterizar a colonização espanhola como intensa, violenta, uso da agressividade e armas potentes contra os povos indígenas. Teve início com ocupação das ilhas do Caribe durante a viagem de Colombo.  Em 1531, o México foi dominado por Hérnan Cortez levando a quase aniquilação a população e devastando o Império Asteca. No Peru, a conquista do império Inca começou em 1532, e determinou a submissão da população indígena. No fim do século XVI a Espanha já havia tomado posse da maior parte do território de suas possessões na América.
O decréscimo acentuado da população dos nativos foi mais por doenças trazidas pelos europeus e menos por  guerras de dominação. Assim, debilitados foram obrigados a submeter-se como mão de obra escravizada. Após a conquista, as autoridades espanholas trataram de organizar a exploração.  
Dividiu a América espanhola em quatro vice-reinos: Nova Espanha, Nova Granada,  Peru e Rio da Prata. O Real  Supremo Concílio das Índias era o órgão quem indicava administradores para os vice-reinados e para as capitanias. Para isso criaram alguns mecanismos como a Casa de Contratação que controlava o comércio entre a Espanha e a América e punia quem tentasse burlar o monopólio  ou seja, a exclusividade comercial da Metrópole.

As formas de exploração
A atividade econômica mais difundida nas colônias espanholas era extração de metais preciosos principalmente a prata do Peru (no Potosí) e do México. A mão de obra indígena era explorada por diversos meios e estratégias: Adelantados, Mita, Encomienda e Haciendas. 
  • Adelantados eram colonos autorizados pelo governo a escravizar os indígenas para a mineração. 
  • A Mita: regime de trabalho forçado temporário que durava entre 4 meses a um ano. 
  • Haciendas era a grande propriedade agrícola de monocultura e mão de obra escravizada. 
  • Encomienda: a prática era aplicada à agricultura. Os adelantados recebiam terras e a permissão de explorar a mão de obra nativa desde que se comprometessem a ajudar na  catequização. Em troca deveriam pagar impostos ao governo.
A estrutura da sociedade na América espanhola era dominada pelos chapetones, espanhóis que cuidavam da administração. Abaixo deles estavam os criollos, descendentes de espanhóis nascidos na América que formavam aristocracia local. Os cabildos exerciam o controle das câmaras municipais ou ayuntamientos.  Já os mestiços eram artesãos ou capatazes sempre com cargos intermediários na escala produtiva. Os negros escravizados trabalhavam geralmente nas lavouras. Mas a mão de obra mais numerosa foi a indígena. Junto aos negros africanos os nativos estavam na base da pirâmide social e apesar de não ser oficialmente considerados escravos eram tratados como tal.
O clero da Igreja católica que foi para América condenava a exploração dos indígenas. Algumas iniciativas como a criação das reduções ou missões, ou seja espaços controlados pelos eclesiásticos. Nos quais os nativos eram catequizados, alfabetizados e se dedicavam à agricultura tentaram amenizar o sofrimento indígena. Já quanto as escravos negros a igreja pouco se manifestou.

Os resultados.

O processo de exploração na América espanhola foram catastróficos para os povos indígenas, e não se reduziu aos maus tratos. Foi para além disso, provocou a drástica redução da população nativa vitimada por epidemias que reduziam a expectativa de vida. Associada a fome das crises de alimentos, jornada de trabalho extenuantes e insalubres. Além da expulsão dos nativos das suas terras.     

SISTEMA COLONIAL PORTUGUÊS

 

O SISTEMA DE PRODUÇÃO DA AMÉRICA PORTUGUESA


         MAPA DE LUIS TEIXEIRA 1574 - SISTEMA DE CAPITANIAS HEREDITÁRIAS NA AMÉRICA PORTUGUESA.


O desafio gigante para Portugal.
Repleta de riquezas, mais extenso e distante a América portuguesa, que mais tarde se chamará Brasil, era um desafio administrativo para os portugueses. Como eles tentaram resolver o problema?
Com o objetivo de tomar posse, explorar e defender o território que hoje se chama Brasil. Portugal deu início, no século XVI, a montagem da estrutura administrativa da colônia. Para tanto dividiu o território em capitanias hereditárias e mais tarde, aprimorou o sistema criando o Governo Geral

Capitanias hereditárias.

Para empreender uma ocupação em grande escala na Nova Terra, o rei português Dom João III decidiu, em 1534, dividir o território que hoje chamamos de Brasil em 15 faixas de terra: as capitanias hereditárias. O direito de administrá-las, era vitalício e hereditário, conseguido aos donatários, nobres ou burgueses que se comprometiam arcar com os custos internos, repassando grande parte dos rendimentos à coroa portuguesa.
A regulamentação do sistema era feito por meio de dois documentos: a carta de doação e o foral, estabeleceu os direitos e deveres dos donatários e da coroa. O donatário deveria aplicar a justiça e podia doar sesmarias (fazendas) e cobrar impostos relativos a agricultura e a exploração dos rios. A administração portuguesa tributava a exploração do pau-brasil, das especiarias e dos metais preciosos que por ventura encontrasse. No entanto o sistema de Capitanias não apresentou os resultados esperados por causa do isolamento, os ataques dos indígenas e da falta de Investimentos capitanias. Das quinze, somente duas prosperaram foram aí de Pernambuco e a de São Vicente a primeira foi favorecida pelo sucesso na produção açucareira. A segunda desenvolveu a significativa economia de subsistência. As demais o faliram, ou nem sequer foram ocupadas pelos seus donatários.


Governo geral.

Com o fracasso econômico das capitanias hereditárias e o aumento das investidas estrangeiras da colônia, principalmente de franceses, Portugal resolveu impor-se mais fortemente para assumir o controle efetivo da administração do território, em 1548, surgiu o Governo Geral consegue retomar para a coroa a capitania da Bahia e fundar a cidade fortaleza de Salvador, em 1549, a primeira capital da América Portuguesa. Cabia ao governador geral coordenar a defesa, a cobrança de impostos e incentivar a economia. Ele era assessorado pela provedor mor (tesoureiro), ouvidor mor (juiz) e pelo capitão mor (a cargo da Defesa).
Embora o Governo Geral tenha sido implantado após as capitanias, ele não vai substitui-las por completo. A ideia era impor uma centralização política na colônia, o que funcionou na esfera militar, mas não se refletiu no dia a dia em razão da falta de infraestrutura de transporte e comunicação. O poder, de fato, era exercida pelas câmaras municipais de cada Vila, pelos chamados "homens bons". Entre os principais governadores gerais estão Tomé de Souza e Mem de Sá, após a morte desse último em 1572 Portugal dividiu o território Colonial nos governos do norte e do Sul depois voltou atrás e reunificou a colônia. Em 1621, porém fez nova divisão foram criados os estados do Brasil, com capital em Salvador e o Estado do Maranhão, com capital em São Luís e o último passaria em 1701 a se chamar Estado do Grão Pará e Maranhão com sede em Belém.

Mapa de 1574 da Baia de todos os Santos e da cidade de Salvador.

Colonização prá quem?
Durante os três séculos que governou o Brasil, Portugal colocou em prática o rentável modelo de política econômica com o objetivo de transferir as riquezas da colônia para a metrópole, na prática um rapto de fortuna.
Primeiramente entenda que o processo de domínio das terras do Novo Mundo (Américas) não foi colonizador, e sim de exploração. Falar em colonização foi apenas na visão eurocêntrica, pois para indígenas e africanos se institui a dominação na precisão integral do termo. Nesse texto será usado o termo "colônia" como uma terminologia didática tradicional. Esclarecimento feito, a economia do Brasil colonial foi sempre voltada em benefício de Portugal, inserida no contexto do mercantilismo português, foi caracterizada pelo denominado pacto colonial ou exclusivo colonial, pelo qual a colônia somente poderia realizar transações comerciais com a metrópole portuguesa, de forma que a vantagem dos portugueses era total, pois compravam barato da colônia e vendiam caro para a mesma com a garantia da exclusividade na exportação das mercadorias. A enorme parte dos lucros das transações comerciais iam para os cofres da Coroa portuguesa que cobrava impostos abusivos sobre as exportações dos produtos coloniais. As principais atividades econômicas no período inicial do domínio português foram a extração do pau-brasil, a produção de açúcar, a pecuária e uma incipiente mineração.


                                Representação de como funcionava o Exclusivo Colonial de Portugal  


O Pau-Brasil.
A primeira riqueza percebida por Portugal foi o pau-brasil, madeira então abundante em nosso litoral e que fazia parte da variedade de espécies da nossa Mata Atlântica. Usada como matéria-prima para fabricação de tinturas na Europa. A extração da madeira era feita pelos indígenas, que trocavam a mercadoria, numa prática conhecida como escambo, por espelhos, colares, machados e outras ferramentas que eram fornecidas pelos comerciantes portugueses. Em alguns pontos da Costa foram instaladas as feitorias para o armazenamento do produto. A atividade era simples e bastante lucrativa, mas trazia um problema: os marcadores lusitanos vinham ao Brasil, carregavam os navios e, em seguida, voltava à Europa, sem se fixar na terra, esse procedimento facilitava a ocorrência de ataques estrangeiros. Ou seja, para garantir a proteção de seus domínios da América Portugal precisava povoa-los urgentemente. Ocorre que havia uma maneira bastante rentável de fazer isso: bastava introduzir uma atividade produtiva na região.

O Açúcar.
Escolhida a estratégia, definiu-se o produto: o açúcar. A matéria-prima, a cana-de-açúcar, adaptava-se bem ao clima e ao solo da colônia. Além disso Portugal já já possuía experiência na produção de cana nos Açores e na Ilha da Madeira. Para completar, o açúcar tinha grande aceitação na Europa o que era uma garantia de mercado consumidor. Entretanto, faltavam aos portugueses capital Inicial e um eficiente infraestrutura de distribuição. Essa questão foi resolvida com uma parceria com os holandeses que já fretavam o açúcar produzido para Portugal nas ilhas do Atlântico e distribuía pela Europa.
O sistema adotado foi o de plantation, cujas características eram: grandes propriedades (latifúndios) monoculturas (dedicadas apenas um produto) - os engenhos. A mão de obra escrava (primeiramente indígena e depois africana). A produção voltada para o mercado externo.
Latifúndios monocultores e escravidão permitiam uma produção vasta e baixos custos, o que levava a altos lucros. O destino era unicamente a exportação uma vez que Portugal não tinha o menor interesse em desenvolver a economia interna brasileira. Os lucros que permaneciam no Brasil eram poucos e ficava nas mãos dos senhores de engenho, os donos dos latifúndios, provocando grande concentração de renda. A produção de açúcar foi a principal atividade econômica do Brasil colonial durante os séculos 16 e 17 sendo ultrapassada no século 18 pela mineração.

A Pecuária
A criação de gado foi a única das principais atividades da econômicas do sistema de produção colonial voltada ao mercado interno. Em meados do século XVI, foi adotada na Bahia e Pernambuco como fornecedora de meio de transporte, alimento e força de tração nos engenhos de açúcar.  A fim de não competir com a zona de produção da cana de açúcar o gado foi direcionado para o interior (sertões) do território. As trocas e feiras comerciais organizadas pela atividade pecuária permitiu o surgimento de vilas e povoados no interior no Brasil. Além do Nordeste a atividade desenvolveu vigorosamente na região Sul do país, favorecida pelas pastagens naturais dos Pampas gaúchos. 
Os trabalhadores - vaqueiros -  eram homens livres e de origem humilde, geralmente de origem indígena ou mestiços, assalariados ou recebiam algumas cabeças de gado. Assim, embora precariamente, tinham condições de empreender um pequeno negócio e contribuíam para o desenvolvimento da atividade pecuária. Com o advento da atividade mineradora nos sertões, a pecuária foi impulsionada devido a necessidade de abastecimento nas regiões das minas.  

A Mineração.
Assim que a notícia da descoberta das jazidas de ouro na região de Minas Gerais se espalhou, a partir dos século XVII, ocorreu um grande fluxo de pessoas de diversas regiões e condições sociais em busca de riquezas. A fim de organizar a extração dos metais e pedras preciosas a administração portuguesa tratou assegurar seus lucros publicando o Regimento Aurífero que regulamentava a exploração do ouro. 
Estabelecendo a criação de Intendências da minas  e a divisão em lavras e faiscações. As lavras eram mais extensas, demandava mais investimentos e grande quantidade de mão de obra escravizada. 
Diferente das lavras as faiscações eram menores, porém em maior quantidade. 
Aqueles que se dedicavam a atividade mineradora deveriam pagar 20% de imposto à Coroa portuguesa, era o quinto. Devido a grande sonegação do quinto, a administração portuguesa proibindo o uso e comercialização do ouro em pó e cria as Casas de Fundição, obrigando a transformação do ouro em barras, assegurando assim a cobrança do quinto e garantindo a arrecadação do imposto aos cofres da Coroa. Mas, ainda assim, a  fraude fiscal manteve-se e para amenizar o prejuízo a Coroa institui um novo imposto sobre a atividade mineradora, desta vez aplicado sobre a quantidade de escravizados utilizados na mineração.    
A mineração contribuiu para a expansão das novas fronteiras da América Portuguesa, através da interiorização de núcleos urbanos que surgiam, pois ajudavam no crescimento populacional, além de integrar o comércio interno com as transações de compra de gado da região Sul e escravos do Nordeste. A decadência da mineração ocorreu no século XIX com o esgotamento das jazidas provocando um crescente e rápido esvaziamento das áreas das minas.  

domingo, 6 de novembro de 2022

SEGUNDO REINADO NO BRASIL

 

O Segundo Reinado caracterizou-se por uma política interna estável, terríveis confrontos internacionais, o café consolidado como carro-chefe da economia e a manutenção da escravidão. Assim foi o capítulo final da monarquia no Brasil sob o comando de dom Pedro II. 

Pedro II aos 14 anos Imperador do Brasil



Período no qual estabeleceu o governo mais longo da história do Brasil, sendo dom Pedro II o brasileiro que mais tempo esteve na governança do país, por 49 anos, teve início com o golpe da maioridade em 1840 e terminou com a proclamação da República em 1889. A política interna, em geral, manteve-se tranquila, contudo o país se envolveu em sangrentos conflitos com as nações vizinhas. A economia foi impulsionada pelo café que contribuiu para uma série de mudanças, ocorridas no fim do período, que ironicamente acabariam colaborando para a queda da monarquia: a substituição da mão de obra escrava pela assalariada, a vinda em massa de imigrantes europeus e um surto de desenvolvimento industrial. Podemos afirmar que as palavras chaves que resumem o Brasil Império foram: escravidão, café e guerra do Paraguai.





Política Interna

Quando o Segundo Reinado começou, o Partido Progressista passou a se chamar Partido Liberal, e o Regressista foi rebatizado pelo nome de Partido Conservador. Essas duas forças políticas disputaram entre si o poder durante a maior parte do governo de Dom Pedro II. O primeiro Ministério nomeado pelo imperador era composto de liberais, mas a câmara dos deputados tinha maioria conservadora. Pressionado pelos ministros Dom Pedro II dissolve a Câmara e convocou novo pleito. As eleições do cacete como ficariam conhecidas, foram marcadas pela violência e pelas fraudes, que garantiram a vitória dos liberais. Em 1841, porém, como o governo não conseguia controlar Revolta dos Farrapos, na província do sul (que hoje corresponde ao Rio Grande do Sul) o imperador nomeou outro gabinete e, no ano seguinte, desagradou novamente a Câmara, dessa vez em favor dos conservadores. Em reação, irromperam em 1842, em São Paulo e em Minas Gerais as rebeliões liberais, debeladas logo em seguida.  Os revoltosos foram indiciados, depois anistiados e dois anos depois do D. Pedro II formou o novo ministério, mais uma vez liberal .


Parlamentarismo às avessas.

Para evitar que a disputas entre liberais e conservadores resultassem novos conflitos armados, que sempre representavam para as elites o risco de uma revolução popular, em 1847 foi adotado o parlamentarismo no país. O regime entretanto, foi adaptado aos interesses da elite agrária nacional. Nas monarquias parlamentaristas clássicas, o poder legislativo é soberano em relação ao executivo e o rei tem atuação bastante limitada (a exemplo do parlamentarismo britânico). Possui eleições para a câmara dos deputados e o partido que obtém maioria na casa legislativa (composta de duas câmaras) compõem o gabinete (primeiro-ministro e conselho de ministros) que como chefe do governo exerce o poder Executivo. Entretanto, no Brasil o sistema foi implantado ao contrário: o Imperador nomeava o presidente do conselho de ministros (primeiro-ministro): que formava o próprio conselho. Depois, eram convocadas eleições parlamentares, geralmente fraudadas para garantir a vitória dos candidatos  do primeiro-ministro. Caso o poder legislativo entrasse em conflito com o gabinete de ministros o imperador poderia dissolver a câmara e convocar novas eleições de acordo com o a sua vontade. Assim, no Brasil institui-se o quarto poder:  Poder Moderador (exclusivo do imperador), e do mesmo modo podia derrubar o Executivo (primeiro-ministro) quando bem entendesse. Portanto não existia soberania ,ou melhor, independência do poder legislativo sobre o executivo e muito menos em relação ao imperador.


Revolta Praieira.

"Quem viver em Pernambuco deve estar desenganado que ou há de ser Cavalcanti ou há de ser cavalgado", esse verso popular expressa, à época da Revolta Praieira, a condição de domínio das oligarquias agrárias, representadas pela poderosa família Cavalcanti em Pernambuco. A adoção do parlamentarismo garantiria de fato um revezamento pacífico entre liberais e conservadores no poder. A última revolta do império ocorreu, em 1848, em Pernambuco, após o veto do Senado dominado pelos conservadores a indicação do liberal pernambucano Antônio da Grama à uma cadeira da casa, a ala exaltada do partido Liberal da província de Pernambuco se rebelou. Chamado de praieiros, pois a sede do seu jornal ficava na rua da Praia, eles tomaram a cidade de Olinda e atacaram o Recife, mas em 1849 foram derrotados. Seguiram-se quatro décadas de relativa paz interna.


Política Externa.

As relações exteriores brasileiras durante o Segundo Reinado foram caracterizados por um desentendimento  diplomático com a Inglaterra, a denominada: Questão Christie, e por conflitos militares com os nossos vizinhos sul-americanos as Guerras Platinas: contra Oribe-Rosas e Aguirre, e, a maior de todas a Guerra do Paraguai

A questão Christie, em 1861, ocorreu quando um navio em inglês naufragou na costa do Rio Grande do Sul e logo depois sua carga desapareceu. E, sem nem esperar conclusão das investigações brasileiras o embaixador em inglês no Brasil exigiu o pagamento de uma pesada indenização. Posteriormente, um incidente com oficiais da marinha inglesa, a paisana, que estavam no Rio de Janeiro provocaram um tumulto ao se embebedarem pelas ruas da cidade. Os oficiais britânicos foram detidos e no distrito policial quando identificados foram libertados. Mas o embaixador em inglês Christi considerou que a marinha britânica havia sido severamente ofendida e exigiu punição aos policiais brasileiros que prenderam os beberrões ingleses.  Como não foi atendido o embaixador mandou um almirante inglês bloquear o porto do Rio de Janeiro e aprisionar navios mercantes brasileiros. A população do Rio de Janeiro reagiu atacando estabelecimentos britânicos da cidade. Christie recuou, então propôs, que a questão fosse resolvida por arbitragem internacional. O árbitro, o rei da Bélgica, que era inclusive parente da Rainha Vitória da Inglaterra, deu ganho de causa ao Brasil e determinou que os ingleses pedissem desculpas. Como a Inglaterra se negou a cumprir o determinado, em 1863 o governo brasileiro cortou relações diplomáticas com o país, só reatando dois anos depois quando finalmente os ingleses emitiram pedido oficial de desculpas.

Guerra contra Oribe e Rosas. Após se tornar independente do Brasil, em 1828, o Uruguai passou a enfrentar disputas internas entre os partidos blanco e colorado. Os partidários do Blanco representavam os fazendeiros de gado aliado da Argentina. Os Colorados eram comerciantes de Montevidéu (capital do Uruguai) apoiados pelo Brasil. Em 1851, o blanco Manuel Oribe assumiu o governo uruguaio e com apoio do ditador argentino Juan Manuel Rosas decretou o bloqueio do porto de Montevidéu. Logo houve reação do Brasil, que já queria intervir no Uruguai em razão das invasões e dos roubos de gado que os partidários blancos, insuflados por Oribe, estavam promovendo no Rio Grande do Sul. Aliado do general rebelde argentino Justo Urquiza, o Brasil conseguiu derrubar Oribe. Após a vitória as tropas aliadas invadiram a Argentina, derrotaram e derrubam Rosas do poder. Em 1852, Urquiza assumiu o governo argentino com aval do Brasil.

Guerra contra Aguirre. A intervenção do Brasil e a deposição de Oribe não cessarão conflitos entre blancos e colorados no Uruguai. Em 1864, subiu ao poder o blanco Aguirre, e as invasões às fronteiras brasileiras voltaram a ocorrer. Atendendo ao pedido dos estancieiros gaúchos o governo Imperial deu a Montevidéu um ultimato: Aguirre deveria pagar uma indenização pelos prejuízos causados aos fazendeiros brasileiros sobre a pena de intervenção militar. O líder uruguaio não aceitou a proposta e rompeu relações com o Brasil procurando apoio do presidente paraguaio Solano López. O Brasil invade o Uruguai e, com ajuda das tropas coloradas de Venâncio Flores derrubou Aguirre. 

Percebam que as guerras contra Rosas-Oribe e Aguirre, denominada como questões fronteiriças na região do rio da Prata, demonstram a interferência externa do Brasil nas questões internas dos seus vizinhos Uruguai e Argentina. Já em relação a Questão Christie, transparecesse a soberba inglesa em relação ao Brasil, do qual era credor e utilizava essa condição, a seu favor, como moeda de troca para pressão política. O governo brasileiro demonstrava a intencionalidade de consolidar sua política expansionista no continente sul-americano, da mesma forma a Inglaterra envidava esforços para resguardar seus interesses comerciais tomando cuidado para não provocar tensões exacerbadas e prejudicar os tratados comerciais firmados com os países da região do Rio da Prata. Essa intricada relação culminará com uma guerra entre quatro nações que arrastará o continente sul para o maior conflito até então registrado: A Guerra do Paraguai.        


Guerra do Paraguai (1864-1870.


Cenário: Pequeno e isolado no interior do continente sul-americano, a antiga nação dos Guaranis, o Paraguai não despertou o interesse das grandes potências estrangeiras após sua independência, em 1811. Adotou um modelo diferente de desenvolvimento em relação aos demais países vizinhos. Praticamente não havia escravidão, nem elite agrária no país, e, sem depender de capital externo (empréstimos) o governo era capaz de garantir eficiente serviços públicos e significativa distribuição da Terra e da renda. Assim, esse relativo sucesso da ex-nação Guarani passou a ser considerado um perigoso exemplo pela Inglaterra e pelos latifundiários dos países vizinhos como o Brasil. Além disso, paraguaios, argentinos e brasileiros tinham pretensões expansionistas conflitantes entre si, de modo que o confronto armado era uma questão de tempo. 
O estopim:  Foi o ataque brasileiro na guerra contra Aguirre, que era aliado do presidente paraguaio Solano López. Ainda em 1864, o líder paraguaio reagiu declarando Guerra ao Brasil. 
A guerra: Esse primeiro ano do conflito foi marcado pelo sucesso da ofensiva Paraguaia. Em 1865, Brasil, Argentina e Uruguai firmaram o Tratado da Tríplice Aliança e com apoio em inglês (empréstimos para logística e compra de armamentos)  deflagraram um forte contra ataque. Sob o comando dos brasileiros Manoel Luís Osório e Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, em 1869 os aliados entraram em Assunção, capital do Paraguai. No ano seguinte com assassinato de Solano López o confronto foi encerrado. O Paraguai teve sua economia destruída cerca de dois terços da sua população foram dizimados e perdeu porções de seu território para os aliados. Apesar de vitorioso o Brasil saiu da guerra com uma grande dívida por causa da importação de armas e equipamentos da Inglaterra.

Ao final da guerra em 1870 o saldo de baixas por país, e o reordenamento das fronteiras: Argentina e Brasil anexam parte do território paraguaio.




Economia e Sociedade
Bandeira do Império.
Bandeira do Império

Apesar da riqueza trazida pela produção cafeeira a estrutura socioeconômica do Segundo Reinado não sofreu mudanças significativas. A escravidão só foi oficialmente abolida 1888, um ano antes da proclamação da República. e a agricultura voltada para exportação nos grandes latifúndios continuou  sendo nossa principal atividade econômica durante todo o período. As lutas pela modernização acabariam impulsionando a queda do regime monárquico e a proclamação República no Brasil.
O café foi o principal responsável pelas transformações sociais e econômicas das quais o Brasil passou durante o Segundo Reinado. Observe na imagem da bandeira do Império a presença do ramo de café, uma referência a importância cafeeira. A famosa obra de Cândido Portinari - "O lavrador de café" (1934) - é a constatação de que o café mesmo após a Império continuou como o mais importante produto de exportação do Brasil. Perceba as nuances da obra introduzidas pelo artista: a devastação da paisagem para o cultivo no interior paulista e o trabalhador negro em primeiro plano, o cafezal, e a ferrovia ao fundo





O lavrador de café
Inicialmente produzido somente para consumo interno, a partir do começo do século 19, o café foi exportado para os Estados Unidos e Europa. Na década de 1830, já era o principal produto da nossa carteira de exportação e influenciou nos rumos da economia. O cultivo a princípio, restrito ao Rio de Janeiro, expandiu-se do decorrer do século pelo interior da região Sudeste.  Encontrando no oeste paulista seu polo de desenvolvimento. Com o sucesso do café, o Brasil finalmente conseguiu escapar da grave crise econômica que assolou o país durante o primeiro reinado e as regências. 
O produto obteve papel fundamental na disseminação do uso da mão de obra assalariada. Em 1850, quando a pressão inglesa pelo fim da escravidão levou a proibição do tráfico negreiro pela Lei Euzébio de Queiroz, o café estava em plena expansão e os imigrantes europeus passaram a ser alternativa aos escravizados negros. Inicialmente vigorou sistema de parceria segundo o qual os fazendeiros financiavam a vinda e instalação dos estrangeiros em troca de parte da produção porém os imigrantes ficavam altamente dependentes dos latifundiários brasileiros sem nunca conseguir quitar suas dívidas acabando submetidos a um estado de semisservidão - uma espécie de escravidão disfarçada. No final da década de 1850, esses trabalhadores se rebelaram e o sistema de parceria fracassou. 
A partir desse fato deu impulso a firmar contrato assalariados. O governo do Brasil pagava a viagem desde a Europa, enquanto o fazendeiro custeava o primeiro ano de estada e o imigrante recebia um salário fixo anual e mais um rendimento variável conforme produção obtida na colheita. Como resultado os europeus afluíram em massa para o Brasil, em especial os italianos.
O fluxo migratório para o Brasil ocorreu a partir das levas de europeus entre meados do século XIX e a primeira metade do século XX. Em termos quantitativos, italianos, espanhóis, portugueses, japoneses e alemães se tornaram os principais grupos de imigrantes. Até a primeira metade do século XIX, atraídos pelas ofertas de terras oferecidas pelo governo brasileiro, grande parte dos imigrantes se estabeleceram na região sul. A partir de 1870, ocorreu uma mudança e a saída encontrada pelo governo brasileiro foi incentivar a imigração em massa de europeus, pois tinha necessidade de manter o fluxo da produção para exportação do café, na época nossa principal commodity da pauta de exportação, cuja mão de obra utilizada era de escravizados que estava em crise, devido a campanha abolicionista, a pressão inglesa e a resistência dos cativos. 
A abolição total da escravatura viria em 1888 o governo e os grandes fazendeiros aceleram a substituição dos trabalhadores libertos incentivando a vinda de mão de obra de fora do país principalmente da Europa. No início do século 20 a crise da indústria cafeeira levou a redução dos incentivos aos estrangeiros. Após a Primeira Guerra Mundial de 1914/1918 porém o fluxo migratório voltou a crescer Dessa vez impulsionado também por trabalhadores de outras nacionalidades como poloneses judeus e russos . O período posterior à Segunda Guerra Mundial seria marcado pela chegada de outro tipo de estrangeiro os refugiados de países afetados pelo conflito armado.
O avanço da cafeicultura pelo interior do país 

 
Industrialização.
Aos poucos os lucros obtidos com o café passaram a ser  revertidos no investimento da indústria do país. A instalação de fábricas foi catapultada pela Tarifa Alves Branco de 1844, que a fim de aumentar a arrecadação do governo, elevou as taxas das importações. Neste cenário, um personagem se destacou no período como maior investidor da indústria brasileira. O empreendedor gaúcho Irineu Evangelista de  Sousa, o Visconde de Mauá. Investiu em diversas áreas da economia, desde a mobilidade urbana, como as companhias de bonde, a navegação marítima, passando pela iluminação urbana, fundição metalúrgica, estradas de ferro e, até na instalação de um cabo de telégrafo submarino ligando o país à Europa. Sua atuação foi tão importante que as primeiras décadas da segunda metade do século 19 ficaram conhecida como a era como a Era Mauá. Sem o apoio de políticas públicas voltadas ao incentivo de ações empreendedoras, Mauá acabou falindo. A industrialização do Brasil no império foi apenas um surto que só teria prosseguimento décadas depois, no período da República. 


Abolição 

No Brasil o uso do escravo como mão de obra teve início com a atividade açucareira. Atravessou todo o período do domínio português e só foi oficialmente extinto em 1888, já no fim do Império. Durante praticamente todo esse período o trabalho compulsório forçado constituiu a base da economia do país. Eram os escravizados que realizavam a coleta a pesca no serviço doméstico e agricultura. Inicialmente foram escravizados apenas os indígenas depois os africanos que logo se tornaram majoritários. Trazidos pelo tráfico negreiro que dava enorme lucro a metrópole portuguesa, os africanos assim como os povos originários eram submetidos a política desumana de repressão, controle e castigos. 

Contexto: 
A partir de 1830, no período imperial a expansão da cultura cafeeira aumentou a necessidade da mão de obra. Ao mesmo tempo cresciam as pressões, principalmente da Inglaterra, para extinguir o tráfico negreiro. A preocupação inglesa não se assenta na causa humanitária em relação ao cruel tratamento aplicado sobre os escravizados, em especial aos africanos, sequestrados a força para trabalhar nas Américas. 
Da parte da Inglaterra era o temor da concorrência aos seus produtos, visto que nos domínios ingleses do Caribe o comércio do tráfico humano havia sido proibido e os produtos exportados tinham ficado mais caros. Para além disso, a escravidão não era mais compatível com o sistema capitalista do pós Revolução Industrial, considerando o modelo de desenvolvimento inglês com base no consumo e no trabalho assalariado. A roda que move o capitalismo precisava girar e o trabalho escravizado dificultava sua performance, portanto para os interesses financeiros da Inglaterra o sistema escravista precisava ser extinto. Mas, nem todos concordavam com as pretensões inglesas, entre os resistentes à adoção do novo modelo de produção capitalista estava o Brasil, digo, os grandes latifundiários escravocratas e monarquistas. 

O processo de abolição: lento e gradual
Em 1831 cumprindo acordos firmados com a Inglaterra o governo brasileiro declarou ilegal o tráfico de escravos em todo seu território. Porém, a atividade de comércio de escravizados continuou em grande escala. Diante disso o governo britânico aprovou em 1845 a Bill Aberdeen, lei que dava a marinha de guerra inglesa o direito de perseguir e aprisionar navios tumbeiros em qualquer ponto do Atlântico. A pressão inglesa sobre o governo do Brasil era cada vez maior e, em 1850, foi promulgada a lei Eusébio de Queirós que reforçava a proibição da entrada de escravos no Brasil. Até que o governo brasileiro empenhou-se em cumpri-la, mas foi "uma lei para inglês ver". Na prática o comércio de escravizado se adaptou às restrições da lei e continuou existindo de forma clandestina das remessas vindas da África ou passou a ser realizado na modalidade interna interprovincial (comércio de escravizados da lavoura açucareira para a lavoura cafeeira). Com o fim do tráfico interatlântico a escravidão entrou em declínio.

Diante da dificuldade em conseguir mão de obra escravizada e para suprirem demanda da produção os fazendeiros (principalmente os cafeicultores) e o governo Imperial começaram a incentivar a vinda de imigrantes europeus. O trabalho assalariado tornou-se cada vez mais comum em oposição a escravatura que em decadência e passou a ser vista como algo anacrônico por vários setores da sociedade, principalmente as camadas da classe média urbana. Além disso percebeu-se que o trabalho compulsório era um empecilho ao desenvolvimento do capitalismo, pois atravancava a formação do mercado consumidor interno.  Somente por volta de 1880 surgiu o movimento pró-Abolição mais aguerrido que contava com jornalistas, políticos, artistas, etc. A pressão sobre o governo levou a publicação de uma série de leis, que lentamente, conduziram ao fim do trabalho compulsório escravista. Inicialmente foi a Lei do Ventre Livre, em 1871, que libertava os filhos de escravos nascidos a partir de então. A partir de 1885 foi promulgada a Lei do Sexagenário concedendo a liberdade aos raros escravizados que atingiam os 60 anos.  Em 1888, foi criada a Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel que, na época substituía o imperador Dom Pedro II, e finalmente enterrou a escravização no país.

Importante ressaltar a participação, muitas vezes invibilizada pela historiografia tradicional alinhada com governos reacionários elitistas e outras correntes de pensamento, dos negros africanos e dos afrodescendentes que resistiram ao modelo escravista no Brasil. Os negros sempre lutaram contra a escravidão, desde a "Porta do nunca mais" na ocasião do embarque para o cativeiro, as mais diversas formas de resistências quando aqui chegaram. Entre as que empregavam força física e embates como: fugas, revoltas, insurreições, queima de plantações, atentados aos feitores e senhores, suicídio, até a mais expressiva forma: a organização dos quilombos, cujo líder referência foi Zumbi.  A outra modalidade foi o engajamento político, a exemplo de André Rebouças, Luiz Gama, José do Patrocínio entre outros, que acreditavam no fim da escravidão através da formulação de leis. Além de recorrer publicamente a variadas formas de expressão alternativas, inclusive a artística, misturando ações na forma de recitais, concertos e peças de teatro.    
A libertação dos escravos no Brasil não foi acompanhada de uma política de integração a sociedade estima-se que por ocasião da Lei Áurea dos quais 800 mil escravos libertos, menos de 1% sabia ler. Sem qualificação eles não tinham condições de melhorar de vida, e sem melhorar de vida não podiam dar qualificação aos filhos. Esse círculo vicioso dura até hoje. Atualmente 41,7% dos negros brasileiros estão abaixo da linha da pobreza entre os brancos a porcentagem é 19,5%. Na camada mais pobre da população brasileira os negros correspondem quase 74% por cento. Em quanto os brancos brancos representam 25%. 

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Exercício de fixação: Estado Novo

O OBJETIVO DESTE EXERCÍCIO É TESTAR SEUS CONHECIMENTOS. FAÇA ANTES UMA LEITURA SOBRE O ASSUNTO, DEPOIS RESPONDA AS PERGUNTAS. APENAS CONSULTE O GABARITO COM AS RESPOSTAS NO FINAL DESTA PÁGINA, APÓS RESPONDER TODAS AS QUESTÕES.
1- Sobre o Estado Novo pode-se dizer que os traços marcantes foram a implantação da ditadura; a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP); a formação do Ministério do Trabalho e o controle do movimento sindical através da estrutura corporativista; a construção do trabalhismo enquanto modelo de atuação varguista, elevando Getúlio à condição de líder, guia, estadista e "pai dos pobres". (Mackenzie-SP/2004) Getúlio Vargas pôde, em 1937, inaugurar um novo governo, conhecido como Estado Novo. Sobre esse período, é correto afirmar que:

A) era caracterizado pelo exercício da democracia e das liberdades civis, em repúdioàs idéias comunistas que ameaçavam a nação, dada a intenção desses grupos revolucionários de chegar ao poder por meio de um golpe.
B) diante da ameaça comunista, o Parlamento, as Assembléias Estaduais, assim como as Câmaras Municipais, passaram a legislar e a intervir em diversos assuntos da política nacional.
C) ocorreu a imposição de uma Constituição autoritária, influenciada pelas doutrinas fascistas que vigoravam em algumas nações européias, o que representou o início de um período de ditadura.
D) dentro do novo regime, graças à subordinação das corporações sindicais ao Estado, que passou a controlar a ação dos trabalhadores, houve a conquista de direitos trabalhistas, resultado da boa vontade das elites empresariais.
E) a conjuntura econômica internacional contribuiu para a consolidação do Estado Novo, que, diante da crise que ainda persistia no setor cafeeiro, aumentou o seu papel interventor,buscando solucionar o problema das exportações nacionais.
2- Ao mencionar questões sobre política trabalhista invariavelmente realizamos uma conexão com o governo Vargas. (Mackenzie-SP/2000) Sobre a política trabalhista do Estado Novo é correto afirmar que:
A) autorizava a greve e não se inspirava na Carta Del Lavoro, vigente na Itália fascista.
B) embora sendo reconhecidos os benefícios sociais do salário mínimo, da Justiça do Trabalho e da CLT, Vargas manipulava as lideranças sindicais e as relações com o Estado eram caracterizadas pelo paternalismo e pelo intervencionismo.
C) nesse período vigorou um sindicalismo autêntico, livre da figura do “pelego” ou líder sindical manipulado pelo Estado.
D) a criação do imposto sindical trouxe enormes vantagens sociais, não representando um instrumento de subordinação ao Estado.
E) Vargas procurou manter uma postura liberal, não interferindo nas relações capital e trabalho.
3- Ao mesmo tempo em que concedia aos trabalhadores uma série de leis trabalhistas, Getúlio Vargas controlava os sindicatos dando-lhes configurações meramente assistencialistas e recreativas. (UECE-CE/2001) São características da legislação trabalhista estabelecida no período Vargas:
A) A instituição do imposto sindical e a universalização dos direitos trabalhistas e políticos aos trabalhadores urbanos e rurais.
B) O enquadramento dos sindicatos e a concessão de direitos sociais aos trabalhadores urbanos.
C) A incorporação dos trabalhadores rurais à legislação do trabalho e a plena liberdade sindical.
D) O controle dos sindicatos de trabalhadores e o fim dos direitos sociais, como as férias anuais remuneradas.
4- Na casa do beato Pedro Batista em Santa Brígida, na Bahia, D. Pedro II divide um espaço na parede com Getúlio Vargas. Este exemplo caracteriza um tipo de idealização da figura de mitos que ficaram sedimentados na memória popular. Podemos afirmar que Getúlio Vargas potencializou uma imagem de "pai dos pobres", em grande parte devido às(aos):
A) As medidas de caráter populista, atraindo as massas trabalhadoras.
B) medidas revolucionárias introduzidas com a reforma agrária.
C) restrições econômicas impostas aos industriais brasileiros.
D) restrições rígidas impostas à burguesia nacional e internacional.
E)discursos ufanistas disseminados entre os camponeses brasileiros.

5- (UFBA-BA/2000) “O primeiro carnaval institucionalizado do Estado Novo teve como vencedora a Estácio de Sá (Escola de Samba) que, cumprindo as regras estabelecidas pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), trouxe para as ruas um enredo de fundo histórico e nacional, repleto de referências aos heróis da monarquia brasileira. Entendido como mais uma exigência a ser cumprida para vencer a competição anual – como harmonia, adereços, bateria etc. – aparecia o novo quesito do conhecimento histórico.” (Cunha, Maria Clementina Pereira. “Folcloristas e historiadores no Brasil: pontos para um debate” In: Projeto História, São Paulo, (16), fev. 1998, p. 176).
O Trecho acima revela a influência do Estado Novo em uma das mais notáveis manifestações culturais brasileiras, o carnaval. Sobre a política cultural do Estado Novo, pergunta-se: Qual o papel desempenhado pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) no período do Estado Novo?
I- Forte intervenção no processo de industrialização.
II- Divulgar as ações do governo e exaltar a imagem de Vargas.
III- Propagandear a cultura nacional, usada para legitimar o governo varguista.
IV- impunha a censura política, controlava jornais, teatro e rádio.
V- Promover e fomentar as atividades econômicas.
Marque a opção correta:
A) Todas as alternativas estão corretas.
B) Somente as alternativas I e IV estão corretas.
C) As alternativas IV e V estão corretas.
D) As alternativas I,III, IV e V estão corretas.
E) As alternativas II,III e IV estão corretas.
6-Os integralistas acreditavam que teriam apoio de Vargas para tomar o poder. Mas, Getúlio proibiu a existência legal da Ação Integralista Brasileira (AIB). Traídos, os integralistas tentaram derrubar o presidente e saíram derrotados. A qual período da Era Vargas e como denominou-se este episódio ?

A)Revolução de 30. A Intentona Integralista
B)Governo Provisório. A Intentona Integralista.
C)Governo Constitucional. A Intentona Comunista.
D)Estado Novo. A Intentona Integralista
E)Governo Provisório. A Intentona Comunista
RESPOSTAS: 1-C/2-B/3-B/4-A/5-E/6-D

domingo, 28 de maio de 2017

A Revolução Russa de 1917


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Contexto.

Momento histórico de impacto mundial, a Revolução Russa marcou o fim de um dos últimos impérios de monarquias hereditárias e absolutistas do mundo no século XX. Através da revolução, o socialismo ascendeu pela primeira vez ao poder e a ideologia comunista passou a exercer profunda influência no cenário internacional e mesmo na vida interna das nações durante grande parte do século XX. O estudo deste processo revolucionário tornou-se importante para a História, em razão das representações e rupturas relacionadas com as mudanças na estrutura do poder político, sociais e econômicas. Em linhas gerias é considerada o modelo clássico de revolução proletária que destruiu a ordem capitalista e burguesa lançando os fundamentos do primeiro Estado socialista da história da humanidade, acontecimento este de grande relevância para a História. A partir de 1917, a Rússia caminhou no sentido de se transformar numa das mais importantes potências mundiais, adotando um modelo de Sistema Socialista que se opunha ao Sistema Capitalista. Criando condições de rivalizar com os Estados Unidos, o grande líder do mundo capitalista, no decorrer do século XX no contexto da "Guerra Fria".
Revolução Russa ou Revolução Bolchevique é a designação ao processo que, em dois momentos a partir de 1917, derrubou o governo imperial da Rússia e instalou o comunismo no poder.
O primeiro momento deu-se com a revolução de fevereiro, que promoveu a queda do czarismo e a instalação de um governo da burguesia, democrático e liberal, comandado pelo partido Menchevique.
segundo momento, com a revolução de outubro, marca o momento da tomada do poder pelos bolcheviques marxistas (do partido operário), início da história de um novo país que se chamou União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) criada em 1921 e  durou até 1991, ano em que o Sistema Socialista desabou.

Como foi possível a Revolução?


No começo do século XX, a Rússia era um país de economia atrasada e dependente da agricultura, pois 80% de sua economia estava concentrada no campo (produção de gêneros agrícolas). Os trabalhadores rurais viviam em extrema miséria e pobreza, pagando altos impostos para manter a base do sistema czarista de Nicolau II. O czar - governava a Rússia de forma absolutista, ou seja, concentrava poderes em suas mãos não abrindo espaço para a democracia distoando do cenário de uma Europa em transformação. Mesmo os trabalhadores urbanos, que desfrutavam os poucos empregos da fraca indústria russa, viviam descontentes com o governo do czar.

Pausa para curiosidade!  A palavra czar, que se pronuncia-se “tzar”, tem suas origens no título de césar que era concedido aos imperadores romanos, na Idade Antiga. Na Idade Média o título de czar era ostentado por búlgaros e sérvios que igual aos russos também pertencem ao ramo dos povos eslavos.

O Fime "O Encouraçado Potemkin" (1925) de Sergei Einsenstein tornou-se um cult ao retratar os antecedentes da Revolução Russa. Assista um trecho desta emblemática película. "O ENCOURAÇADO POTEMKIN"                             


Começa a formação dos sovietes (organização de trabalhadores russos) sob a liderança de Lênin (Vladimir IIlitch Ulianov). Os bolcheviques (que significa partido da maioria em russo) começavam a preparar a revolução socialista na Rússia e a queda da monarquia. Ao longo da segunda metade do século XIX, a Rússia viveu uma crise profunda em conseqüência de fatores que exerciam influências recíprocas e divergentes sobre todos os setores da vida social e política do país. Vigorava no império um sistema político de monarquia autocrática que se chocava com o modelo econômico de capitalismo moderno, em que as relações de produção entrelaçavam-se com as do tipo feudal. Esses problemas se traduziam na baixa produtividade agrícola, que provocava freqüentes crises de abastecimentos alimentares, com fortes repercussões sociais, afetando tanto os camponeses como a população urbana. Havia insustentáveis desigualdades econômicas e sociais entre a poderosa e privilegiada classe de nobres proprietários de terras e uma imensa população de camponeses (grande massa de maioria analfabeta que até 1861 viveu em regime de servidão).
Lenin tomou para si a tarefa de adaptar a teoria fundamentada por Karl Marx e Engels (Marxismo) do século XIX à realidade da Rússia do século XX e provar que era possível,mesmo contrariando a Marx, uma revolução comunista num país como a Rússia no qual o capitalismo ainda engatinhava. Deste erro Lenin vai se penitenciar em 1921, reconhecendo que Marx estava certo. 
Em meio à Primeira Guerra Mundial, na qual a participação da Rússia era desastrosa, aconteceu a denominada revolução russa de 1917. O estopim do descontentamento popular contra o governo do czar foi a manutenção do país na Primeira Guerra Mundial. Foram os jovens soldados, mais do que os camponeses e operários, que promoveram a revolução democrática em 1917 e levaram ao poder o líder menchevique  Keresnsky.

Resumindo, a Revolução Comunista eclodiu num país "atrasado" da Europa, graças à combinação de uma série de fatores:
1- A crise econômica; pesados impostos; a fome que atingia grande parte da população;
2- Incapacidade administrativa dos Czares;
3- As derrotas da Primeira Guerra Mundial;
4- Grande desigualdade social existente no país.


"Todo poder aos Sovietes"
Apesar das espectativas o governo de Kerensky não retirou a Rússia da Guerra, fato que causou uma onda de greves, revoltas e disputas de poder. Nesse cenário anárquico, Lenin e seus seguidores, Stalin e Trotsky, reinvindicavam "todo poder aos sovietes" e lideram a rebelião que depôs Kerensky e colocam no poder o partido bolchevique. Assim deu inicio ao governo socialista dos bolcheviques, uma ditadura com partido único, porém a esta característica Lenin denominou de "ditadura do proletariado"  
Do Sistema de Produção Socialista - extraimos dois importantes conceitos que representarão as bases do Socialismo:
· Confisco de propriedades privadas: Reforma Agrária, ou seja, grandes propriedades foram tomadas dos aristocratas e da Igreja Ortodoxa para serem distribuídas entre o povo.
· Estatização da economia: Controle Operário das fábricas, isto é, O novo governo passou a intervir diretamente na vida econômica, nacionalizando diversas empresas que eram de propriedade privada.


A nova política econômica (NEP)
Em 1921, a situação econômica estava pior que antes da revolução. A Republica Federal Socialista e Soviética Russa (RFSSR), sofreu uma terrível redução de forças, mais do que qualquer outra grande potência, com a Primeira Guerra e, em seguida, com a revolução e a guerra civil. Sua população declinou de 171 milhões de habitantes em 1914 para 132 milhões em 1921. A perda de territórios envolveu também a perda de fábricas, ferrovias e fazendas produtivas. Os conflitos destruíram grande parte do que tinha restado. Nas cidades e nos campos havia fome e miséria. O campo não recebia fertilizantes, ferramentas nem roupas das cidades. Por sua vez, não produzia alimentos e milhares de pessoas morriam de frio, fome e epidemias.

Um passo atrás para para depois dar dois passos à frente.
No início de 1921, o poder bolchevique estava totalmente ameaçado. Reconhecendo a gravidade da situação, Lenin
(principal líder da Revolução Russa) declarou aos seus pares: "Nos equivocamos. Atuamos como se pudessemos construir o socialismo em um país no qual o capitalismo praticamente não existia. Antes de querer realizar a sociedade socialista, há que reconstruir o capitalismo".
A partir daí surgiu a Nova Política Econômica (NEP). Não se tratava de modificar a economia soviética. Eram ajustes de urgência, impostos pela gravidade da situação. Para aumentar a produção a qualquer custo, foram tomadas algumas medidas capitalistas, como a restauração da pequena e da média propriedade na industria alimentícia, no comércio varejista e na agricultura.
Na agricultura, substituíram-se as ilimitadas e odiadas requisições de gênero por um imposto em produtos. No setor industrial os resultados não foram muito significativos, apesar da adoção da liberdade salarial e de comércio.
A terra pertencia ao estado e era arrendada aos camponeses. Os mais ativos e influentes nas comunidades , chamados Kulaks, enriqueceram-se ainda mais. Por outro lado, muitos camponeses pobres faliram, por causa da inflação e da economia de
mercado, e foram para as cidades em busca de trabalho, agravando o desemprego.