terça-feira, 28 de outubro de 2014

A Idade Média e o Feudalismo



A Idade Média





Costuma-se a chamar de Idade Média o período que começa com a queda do Império Romano do ocidente em 476 d.C. e encerra-se em 1453 com a tomada de Constantinopla, então, a capital do Império Bizantino.  O período medieval, em geral, é dividido em Alta e Baixa Idade Média.

  • A Alta Idade Média estende-se do séc. V ao X, que corresponde ao período de consolidação do feudalismo, o sistema socioeconômico predominante na Europa medieval.
  • A Baixa Idade Média inicia-se no séc. XI e encerra-se no séc. XV. Corresponde ao período do auge e da decadência do feudalismo, a partir de uma lenta transformação que resultou na substituição do modelo feudal pelo sistema capitalista.
Habitualmente costuma-se a relacionar a Idade Média como uma época de insignificante desenvolvimento científico, tecnológico e artístico. Essa visão nasceu durante o período do Renascimento quando criou-se a denominação de Idade das Trevas, neste particular devemos considerar o contexto da luta entre o pensamento do racionalismo Renascentista (baseado no resgate do pensamento clássico grego) contra o pensamento religioso da Igreja. Entretanto, devemos ponderar que o período medieval foi responsável por importantes contribuições em relação a produção agrícola, na área educacional (com a criação das universidades), além do desenvolvimento de movimentos artísticos como o romântico, o gótico e principalmente o Renascimento. 
O termo "Trevas" está mais relacionado ao distanciamento da razão do que necessariamente a ausência desta no contexto medieval, afinal uma parte das ideias e conceitos do período foram criados pelos doutos cuja fonte eram as obras clássicas gregas.   
A Imagem acima é uma iluminura do século XV extraída do Livro das Horas do Duque de Berry, retrata o cotidiano do trabalho servil. 


A Formação do Feudalismo.

Entre o fim de Roma e a instalação do Feudalismo, a Europa foi varrida por uma onda de invasões dos povos bárbaros: os vândalos, os anglo-saxões, os lombardos, os francos e os árabes. Apesar de destruírem as instituições romanas, jamais conseguiram consolidar-se como Estado forte, a exceção dos árabes e dos francos.  

Os reinos francos ergueram um vigoroso império na Europa Ocidental. Instalados na Gália, atual França, os francos finalmente fixam-se a partir do  século V, na região que outrora era uma província romana . 
A dinastia dos merovíngios foi a primeira tentativa de unificação dos francos, realizada por Clóvis que empenhou-se em conquistar terras e formalizar uma aliança com a Igreja Católica na ocasião de sua conversão ao cristianismo. 
Esta aliança com a Igreja solidificou-se quando a dinastia merovíngia conseguiu deter o avanço do islamitas na Europa através de Carlos Martel que liderou e venceu a batalha de Poitiers em 732 d.C. delimitando o território do império islâmico na Europa apenas à península ibérica (Espanha e Portugal). 

A dinastia dos carolíngios sucedeu os merovíngios ainda no século VII, e atingiu o apogeu com Carlos Magno, coroado imperador pelo papa, adquiri assim, a incumbência de disseminar e defender o cristianismo. Importante ressaltar que nesta época a Europa atravessava o processo de ruralização e descentralização do poder, elementos chave da formação do sistema feudal. A expansão territorial feita por Carlos Magno alcançou grande extensão da região central da Europa,mas após sua morte o império fragmentou-se e  a desintegração contribuiu para o aumento do poder da nobreza local, somado ao acontecimento das novas invasões bárbaras: dos normandos e saxões, permitiu a consolidação do feudalismo. 

Esta nova leva de invasões acentuou o clima de insegurança e instabilidade entre a nobreza. Como forma de defesa surge a construção dos grandes castelos, que funcionavam como fortalezas militares, em torno deles viviam a população pobre (servos do castelo) que buscavam proteção. Em razão da segurança os castelos situavam-se em regiões afastadas e de difícil acesso, esta situação cria a necessidade de produzir ali mesmo o que era preciso para sobreviver, ou seja, a autossuficiência voltada para a subsistência (produzir apenas o necessário para viver). A economia tinha a sua base na agricultura e a posse da propriedade (o feudo) determinada a condição de poder e social do indivíduo.



Os castelos surgiram como uma alternativa para proteção das pessoas contra as frequentes invasões na Alta Idade Média. 
Essas construções cercadas de muralhas de pedra tinham como principal função a defesa, mas também serviam de residência do senhor feudal e sede do poder no feudo. Situavam-se, em geral, no alto do vale a fim de ter uma ampla visão da região. A foto ao lado é do Castelos dos Mouros (Árabes) na região de Sintra em Portugal. Demonstrando que nem sempre foram os europeus que construíram castelos. 
Conquistar uma dessas construções não era tarefa fácil, dependia de muito esforço e perseverança do invasor para proclamar a frase: Entregue sua fortaleza. As paredes dos castelos suportavam fortes impactos, mas até a mais resistente sucumbiria se as fundações sofressem algum tipo de avaria. O método habitual era cavar tuneis até a parede. Uma vez encontrada a fundação, escava-se um buraco na base enchendo-o de material inflamável e reveste de lenha para iniciar o incêndio. Um bom exemplo foi o cerco ao castelo de Rochester, em 1215, na Inglaterra, utilizou-se a gordura de 40 porcos para atear fogo e demolir as muralhas.   



"Uns rezam, alguns lutam e outros trabalham."

A citação acima pode perfeitamente sintetizar as relações sociais e de poder existentes no feudalismo, pois as relações eram bem definidas a partir do sistema de obrigações e direitos. Abordamos antes que após a desintegração de Roma e do Império Carolíngio, o sistema feudal instala-se no continente europeu. 






Ao lado encontra-se a imagem de uma iluminura francesa do século XII retratando os 3 principais grupos sociais do feudalismo. Condizente com a citação "Uns rezam, alguns lutam e outros trabalham", a imagem corrobora com a definição de que a função social de cada grupo social na época medieval era bem demarcada, relacionando o papel de cada classe na sociedade com o tipo de atividade que desempenhava. Para tempo era necessário uma rigidez em relação a mobilidade social, costumava-se a dizer que o nascimento determinava a condição social do indivíduo, ou seja quem nasce servo erá servo e quem nasce nobre será nobre.   












Agora veremos como foi esse processo e de que forma a vida desenvolveu-se nesta época. Podemos definir o feudalismo como um sistema político, social, econômico e cultural que predominou na Idade Média. Entre suas características podemos apontar: 
# a descentralização do poder político; 
# a pouca mobilidade (engessamento) social; 
# autossuficiência econômica do feudo (era a unidade básica de produção da Idade Média)
a agricultura com base da economia e a principal força de trabalho era servil. 

A figura abaixo é uma representação da relação de suserania e vassalagem do feudalismo.



O poder político.

descentralização do poder era a principal característica política do feudalismo. A autoridade do rei era meramente figurativa, pois na prática o poder era exercido pelo senhor feudal (membro da nobreza) que recebia do rei generosas porções de terra (o feudo), em contrapartida era obrigado a dar proteção militar à realeza. 
Este costume chamava-se "beneficium" (derivado das instituições germânicas), tornou-se comum entre os nobres que passaram a doar as terras entre si numa cerimônia chamada de "homenagem", o vassalo - aquele que recebia a propriedade e em troca prometia fidelidade e proteção militar ao doador, chamado de suserano - aquele que doava as terras e por sua vez jurava proteção ao vassalo. Esse sistema de obrigações recíprocas denominou-se relações de suserania e vassalagem, e constituiu-se uma das principais características do feudalismo, que teve sua origem numa antiga instituição germânica chamada de "comitatus" (era a fidelidade mútua entre chefes das tribos). 
Outros costumes derivados das instituições romanas influenciaram a estrutura do poder político no feudalismo, como por exemplo o "colonato", obrigava a fixação do trabalhador à terra e justificava assim a situação de servidão do trabalhador. Assim é crível afirmar que o feudalismo é o resultado da união das instituições romanas e germânicas.


A organização social.     

A sociedade feudal estava estruturada basicamente em três níveis sociais: senhores feudais, clero e servos.
  • senhores feudais - eram os nobres, detinham o poder sobre as propriedades (feudos)  e o controle militar.
  • clero - eram os religiosos, formado pelo alto (nobres) e baixo (servos) clero.
  • servos - eram os trabalhadores rurais.
Entre as características da sociedade medieval podemos destacar: a mobilidade social era muito restrita, quase não existia, a divisão social era legitimada pela doutrina da igreja católica ao atribuir a estratificação e hierarquização à vontade de Deus.
Os servos não eram escravos, pois não pertenciam ao senhor feudal, não podiam ser vendidos ou negociados, mas estavam presos à terra em razão da sua condição de dependência a estrutura de produção do feudo, ou seja, em troca do direito de usar a terra, o servo tinha de prestar uma gama de serviços e pagar vários tributos, tais como a corveia, a talha e a banalidade. 
As idéias socialistas de Karl Marx não fariam sucesso na Idade Média, a final a desigualdade social entre as classes fazia parte da ordem natural vigente no período, e portanto não deveria ser modificada. A classe social de uma pessoa era determinada pelo seu nascimento. 
Além dos três grupos sociais, havia um outro pequeno grupo social na sociedade feudal, chamados de vilões, que moravam nas vilas, eram trabalhadores livres ligados a um senhor.


A economia.

O feudo era a unidade básica de produção no sistema feudal, e a agricultura era a base da economia. A atividade econômica era voltada para o consumo interno, o feudo adotava a autossuficiência e a produção de subsistência. O comércio era praticamente nulo. As transações eram a base de trocas de produtos (o escambo), apesar de existir uma incipiente atividade monetária (uso de moedas). Lembrar que em razão da insegurança os feudos usam o isolamento como forma de preservação da integridade física, razão pela qual o contato com outros feudos era raro, obrigando assim, a adoção da autossuficiência econômica.
A estrutura básica de um feudo era constituída pelo manso senhorial (terras exclusivas do senhor feudal), manso servil (usadas pelos servos desde que pagassem tributos pela utilização), manso comum (utilizada por todos, eram os bosques e os pastos), o castelo (morada do senhor feudal), casa dos servos. Veja a figura abaixo.
  

           
O poder da igreja: corações e mentes a serviço da fé.

Na idade Média, é ponto pacífico que nenhuma instituição era tão rica, bem organizada e influente quanto a igreja católica. A impressão que deveria passar àquele que entrava num templo católico naquela época era algo parecido com a visão dos portões do paraíso. Se havia uma luz na escura Idade Média, seu clarão apontava ao encontro com Deus. A única salvação possível para toda e qualquer alma do período medieval estava na fé católica. Neste contexto, de chegar o mais próximo possível de Deus, surge a arquitetura gótica, erguendo catedrais imponentes tanto em dimensão quanto em ostentação. Com a suntuosidade cênica dos vitrais que permitiam a entrada da luz criando uma atmosfera celestial nos templos que guardavam relíquias sagradas de Cristo.


VITRAL DA CATEDRAL DE NOTRE DAME - PARIS
A arquitetura gótica foi instada promover a criação de uma atmosfera mística. Ostentar mais do que um simples efeito visual era uma simbologia de poder onipotente.   
Desde que o Imperador romano Teodósio tornou o cristianismo a religião oficial do Império em 391 d.C., a igreja acumulou fortunas e enormes porções de terras. Bem organizada e presente em quase todas as regiões da Europa, os seus membros dedicaram-se a converter os bárbaros e promover a sua integração ao sistema de poder vigente.
Além de deter o poder espiritual, econômico e político, os religiosos faziam parte de uma elite letrada que monopoliza o conhecimento medieval. A ponto da filosofia ser confundida com a teologia cristã, através das ideias de seus maiores expoentes como: Santo Agostinho, Tomas de Aquino e Abelardo. Com tanto poder nas mãos, os sacerdotes não se davam por satisfeitos e queriam mais. A fim de manter a coesão da vida era necessário o auxílio divino. Neste ponto entravam os nobres reis medievais, quando na cerimonia de coroação o novo monarca era ungido com o óleo sagrado e a benção da igreja, marcando assim o seu direito de governar sancionado por Deus e portanto estava justificado o poder do governante sobre o povo.
Outra forma da Igreja impor seu poder foi através do pretexto de combater as heresias (eram práticas contrárias à doutrina da católica) através dos tribunais do Santo Ofício, mais conhecidos como Inquisição.  Símbolo máximo da repressão a Inquisição tornou-se uma espécie de justificativa para livrar o rei e papa de pessoas incômodas. Com poderes para julgar e sentenciar à morte os réus considerados infiéis os tribunais quase sempre condenavam aqueles que discordavam dos desmandos da Igreja ou de seus aliados. As vítimas mais famosas da Inquisição foram: Joana D'arc, sentenciada a morte na fogueira e Galileu Galilei condenado a retratar-se diante da Igreja devido a suas descobertas científicas. 




A intensa participação dos religiosos nos assuntos terrenos provoca a reação de alguns segmentos da cristandade contrários a esta postura pouco evangelizadora do clero regular. Nasce então as ordens religiosas monásticas, também conhecidas como clero secular. Viviam isolados, reclusos em mosteiros e abadias, praticavam votos de pobreza e castidade, dedicavam-se a vida simples envoltos em orações e ao trabalho intelectual, além  da transcrição de obras da antiguidade clássica realizadas pelos monges copistas. Entre estas ordens religiosas uma das mais antigas foi a dos Beneditinos, fundada por São Bento, em 525 d.C. Posteriormente surgem outras ordens como os Franciscanos, Carmelitas e Jesuítas. 








Observe a altura da Igreja em estilo gótico do Convento de Santa Maria da Vitória, em Batalha -  Portugal. 




Exercícios
1- O aumento da circulação de moedas principalmente nas cidades, foi importante fator para a crise no Feudalismo porque

a) desarticulou o sistema de trocas de mercadorias, característica principal do feudalismo;
b)provocou o êxodo rural (fuga da zona rural em direção às cidades). Muitos servos passaram a comprar sua liberdade.
c) criou impostos, proporcionados pelo desenvolvimento comercial, os reis passaram a contratar exércitos. 
d) com o surgimento da burguesia, nova classe social que dominava o comércio e que possuía alto poder econômico. 
e) o contato da Europa com o Oriente, quebra o isolamento do sistema feudal e aumenta a troca de mercadorias.




2- “No final do século XV, o feudalismo encontrava-se desarticulado e enfraquecido. Os senhores feudais perderam poder econômico e político”. Estas transformações determinam uma importante transição entre períodos da História, a passagem do Feudalismo para o Capitalismo. Assinale a alternativa que não faz parte deste contexto histórico:

a) Renascimento comercial e urbano;  
b) O final das cruzadas;                                                                                                                c) O desenvolvimento do comércio dinâmico a partir do Mar Mediterrâneo;                                        d) O surgimento do operariado como grupo social urbano.                                                                       e) O surgimento da burguesia como uma nova classe social



3- O aparecimento da Burguesia, no fim da Idade Média, está intimamente ligado à atividade:


a) agrícola          b) industrial           c) manufatureira          d) comercial             e) financeira




4-Podemos afirmar que são características do Absolutismo:

( ) Reis com poderes totais – centralizavam o comando político, justiça, economia e sociedade.             ( ) Os reis eram escolhidos através do voto popular.
( ) transmissão hereditária de poder. 
( ) geralmente usavam da violência e promoviam injustiças para governar.
( ) sistema democrático no qual o povo escolhia o seu governante através do voto. 

Assinale a sequencia correta e depois marque no gabarito:
 a) V,F,V,F,V            b)V,V,V,V,V          c)F,F,F,F,F            d)F,V,F,V,V           e)V,F,V,V,F


RESPOSTAS:
1-A / 2-D / 3-D / 4-E

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A Crise do Capitalismo – 1929


“Dificuldades financeiras nos Estados Unidos provocam venda do Banco Merrill para o Bank of América.” (Folha 15/9/2008)
“4º maior banco dos Estados Unidos, anuncia falência” (Jornal Folha de São Paulo em 15/9/2008).
“Notícias de falências provocam fortes perdas nas Bolsas de Valores no mundo” (Jornal Estado de São Paulo 15/9/2008).
“O governo dos EUA tenta amenizar a crise fornecendo financiamento aos bancos em dificuldades”. (Jornal A Tarde 14/9/2008).
"Devemos reconhecer que isso (a crise) é um evento que acontece uma vez a cada meio século" (Alan Greenspan, ex-presidente do Banco Central dos Estados Unidos, em entrevista e rede de televisão ABC em setembro de 2008).




As manchetes e as charges acima extraídas de alguns jornais são atualíssimas e parecem ter alguma semelhança com o fato que aconteceu em 1929, conhecido como a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque. Em parte têm mesmo. As crises no sistema capitalista são eventuais e podemos graduá-las em leves, médias e fortes. O Modo de Produção Capitalista não é perfeito, aliás nenhum é, mas para começo de conversa o que vem a ser Modo de Produção? De forma bastante aligeirada podemos sintetizar este conceito como a forma na qual determinada sociedade organiza sua força produtiva e as suas relações de produção

O sistema capitalista tem as seguintes características e pressupostos: 
  • As relações de produção caracterizam-se pelo trabalho assalariado e pela propriedade privada dos meios de produção. 
  • Os dois grupos sociais principais são a burguesia e os trabalhadores assalariados. 
  • Os trabalhadores vendem sua força de trabalho para receber o "salário". O capitalista é aquele que detém os meios de produção (ou seja, ferramentas para produzir algo) e para tanto compra a força de trabalho do assalariado. 
  • O capitalismo, em essência, é movido pelo lucro. 

Em relação aos princípios da economia, postula-se:
  • Deve ser regulada pela "mão invisível do mercado", ou seja, a chamada lei da oferta e da procura
  • O governo não deve interferir na economia. Deixa que o mercado resolve. Será??? 

A maior potência econômica capitalista da atualidade, os Estados Unidos tornou-se a referência dos migrantes do planeta em busca de oportunidades de trabalho e melhoria do padrão de vida. Contudo nem tudo são flores, pois milhões que lá vivem não desfrutam de condições satisfatórias de vida. Segundo o Censo de 2003 cerca de 12,5 por cento da população viviam abaixo da linha da pobreza. 

A imagem dos Estados Unidos como terra das oportunidades se formou na década de 20 do século passado, disseminada pelo mundo através da propaganda e dos filmes de Hollywood. O “american way life” ou o estilo de vida dos Estados Unidos foi exportado como modelo ideal de sociedade a ser seguido pelos demais países. Entretanto nem sempre a realidade corresponde à imagem e o sonho pode ser tornar um pesadelo.
Para entender o processo da recessão econômica, conhecida como a Grande Depressão que abateu os EUA em 1929 e por tabela atingiu as demais economias do planeta é necessário retomarmos alguns pontos e associarmos as peças do quebra-cabeça.

As peças da crise de 1929. 


O termino da 1ª Guerra. As nações europeias saíram da 1ª Guerra Mundial com suas economias destruídas. Os Estados Unidos muito pelo contrário, conseguiram obter lucros fantásticos chegando a aumentar sua riqueza em 250 vezes. A economia foi alavancada pela exportação de armamentos, alimentos e produtos industrializados aos países em guerra. Ao termino do conflito, além dos créditos com o comércio, possuíam considerável valor em empréstimos aos governos das nações europeias.

Os anos 20. A expansão da riqueza dos Estados Unidos, o chamado PIB - Produto Interno Bruto. 

Ops!! Qual o conceito de PIB? Corresponde ao valor total dos bens (produtos e serviços) produzidos por um país em um determinado período. 
Feito o esclarecimento, voltemos ao ponto em que paramos. 
O PIB dos EUA obteve um crescimento acelerado e vertiginoso no pós guerra. A produção industrial alcançou elevados picos de vendas. O modelo de produção em linha de montagem trazia rapidez, eficiência e baixo custo aos produtos. As facilidade de acesso ao crédito motivou o cidadão à contrair empréstimos comprar imóveis e bens duráveis (automóveis, eletrodomésticos, aparelhos de rádio, etc). A propaganda consumista estimulava um ritmo de compras frenético. O mercado estava aquecido, a expectativa de consumo crescente e a valorização das empresas tendem a sinalizar para investimentos em títulos (ações) na bolsa de valores. Muitos cidadãos vislumbraram a possibilidade de obterem lucros altos e imediatos investindo suas economia em ações.

O Efeito Dominó: A quebra da Bolsa de Nova York foi o resultado da sucessão de acontecimentos desastrosos. Passados alguns anos do final da Primeira Guerra mundial, as economias das nações europeias emitem sinais de recuperação, a partir da diminuição das importações de produtos agrícolas e industriais, principalmente dos EUA. Fato que levou a falência milhares de agricultores nos EUA. Apesar disto as grandes empresas mantiveram o ritmo de produção em alta, não considerando a diminuição da expectativa de pedidos de compra dos seus produtos. As vésperas dos anos 30 a situação agrava-se e os pedidos de compras dos produtos das empresas cessaram. Na chamada quinta-feira negra de Outubro de 1929 acontece o pior, a quebra ou “Crack” da Bolsa de Nova York.

Como foi este processo? 

Em linhas gerais podemos explicar a quebra da bolsa a partir do seguinte aspecto. Na situação de euforia que se encontrava a economia, era comum as empresas emitirem títulos negociáveis (ações) em bolsa de valores. Considerando a expectativa de lucro com a alta nas vendas dos produtos destas empresas, o mercado financeiro compra estes títulos (ações) acreditando obter lucros altos e rápidos. 
Porem, o mercado de ações é um terreno pantanoso e sem as devidas cautelas podem trazer perdas financeiras irreparáveis. Foi o que aconteceu quando o excesso de produtos (superprodução) sem a devida demanda (expectativa de compra) provocam o desequilíbrio na economia. A oferta em demasia acumulou grandes estoques que não encontravam compradores fazendo os produtos encalharem nas prateleiras. O “efeito dominó” se inicia, pois sem consumo não existe venda, conseqüentemente não gera receita (dinheiro). A possibilidade de lucro desaparece e o fantasma da falência torna-se real. O temor por maiores perdas financeiras leva os investidores a negociarem as ações das empresas vendendo-as na bolsa de valores. A venda contínua e sistêmica das ações de uma empresa provoca a diminuição do seu valor de mercado e indica a desconfiança dos investidores. Este ciclo perverso termina por respingar na oferta de empregos, pois com a diminuição nas vendas os postos de trabalho são reduzidos por precaução, significando desemprego. 
Enfim os efeitos da crise espalham por todos os setores da economia mundial e repercutem principalmente nos países capitalistas exportadores de produtos agrícolas, como o café do Brasil (Lembram quando estudamos a Revolução de 1930 - predecessora da Era Vargas? Pois é, os efeitos da crise ajudaram a derrubar  a república do café). 
A exceção ficou por conta da União Soviética cujo o modo de produção era o Sistema Socialista, que tinha a economia planificada e sem economia de mercado.  

A Crise Global.
Os países capitalistas foram assolados pela crise, o desemprego alarmante nos Estados Unidos com 15 milhões de desempregados e falências generalizadas no campo e nas cidades. 
Na Europa, especialmente a Alemanha é afetada por uma gravíssima situação econômica, cerca de 6 milhões de desempregados, inflação, fome e miséria. O governo vem em socorro a economia de mercado dos capitalistas (Ops!! contrariando um dos princípios do capitalismo: O livre mercado) financiando o sistema a fim de diminuir os efeitos da crise, criando frentes de trabalho na execução de obras públicas. 
A esta intervenção do governo na economia dos Estados Unidos para combater a recessão chamou-se de o “New Deal” ou Novo Acordo ocorreu no governo do presidente Franklin Roosevelt. 
Ops de novo!! Mas, segundo as assertivas dos economistas capitalistas que estão no começo deste assunto, não seria a lei da oferta e da procura que regularia as relações econômicas??  Segundo este princípio o governo não deve intervir na economia e deve deixar a mão invisível do mercado atuar livremente?? 
Pois é, na prática a teoria é outra. 
E não mudou muita coisa não daquele tempo para cá. O Tesouro dos EUA (o ministério da Fazenda deles) em fevereiro de 2009 desembolsou US$ 2 Trilhões (dinheiro do contribuinte) para socorrer bancos e empresas. 
Acredito que agora entendem a afirmação de que nenhum modo de produção é perfeito.  

domingo, 7 de setembro de 2014

A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (Resumo)


PARA IMPRIMIR ESTE RESUMO CLIQUE AQUI


O CENÁRIO NA EUROPA ANTES DA GUERRA.
Podemos considerar que as principais causas da Primeira Guerra “Mundial” de 1914 a 1918 são de ordem econômicaOs impérios Europeus acirravam os ânimos entre si devido a busca de regiões ricas em matérias primas para suas indústrias e de mercados consumidores para os seus produtos industrializados. O choque de interesses entre as potências imperialistas se agravaram com a entrada da Alemanha (unificada em 1871) e da Itália na corrida imperialista. Alemães e italianos estavam insatisfeitos com a repartição do mundo colonial queriam uma redivisão dos territórios, embora o problema da perda terreno na disputa por colônias tenha sido causado pela unificação tardia destes dois paises.
Indiscutivelmente a Primeira Guerra do século XX foi motivada por fator de ordem econômica, no entanto, não foi o único. As raízes do conflito encontram-se nas rivalidades históricas reavivadas por disputas no século XIX, na Europa verificava-se uma situação de conflito de interesses que colocava frente a frente uma série de países.

Vejamos alguns desses atritos:

· Inglaterra X Alemanha: As duas maiores potências industriais da Europa disputavam os mercados mundiais com extrema tenacidade. A Inglaterra tinha a vantagem de possuir mais colônias na África e na Ásia;

· França X Alemanha: Ao unificar-se a Alemanha, anexou as províncias francesas de Alsácia e Lorena, ricas em ferro e carvão – base para a indústria. Isso estimulou um sentimento revanchista e anti-germânico nos franceses.

· França X Itália: Esses dois países disputavam a posse da Tunísia, na África.

· Rússia X Império Áustro-Húngaro: A Rússia era o maior dos países eslavos, e além de posicionar-se a favor da Sérvia na questão dos Bálcãs, ambicionava formar uma grande nação eslava sob seu comando.


A PREPARAÇÃO PARA A GUERRA

Anteriormente abordamos alguns dos motivos gerais (de ordem econômica e as rivalidades históricas) que contribuíram para a Primeira Grande Guerra do século XX, agora verificaremos os muitos atritos que envolviam as potências europeias.
A insegurança provocada pelo clima hostil entre as potências, provocou uma verdadeira corrida armamentista preventiva, que ficou conhecida com a hipócrita denominação de Paz Armada. Isso quer dizer que os países procuravam incrementar seu poderio bélico (armamentista), imaginando escapar das investidas de nações inimigas. O antagonismo (interesses opostos) entre as nações provocou a formação de blocos de países preparados para um possível enfrentamento armado. Os blocos militares  ou alianças militares, formados a partir de então foram os seguintes:

A) TRÍPLICE ALIANÇA: A Alemanha e o Império Austro-Húngaro assinaram, em 1879, um acordo de ajuda militar mútua. Posteriormente a Itália, em represália pela invasão francesa à Tunísia, aderiu à Tríplice Aliança em 1882. Entretanto, posição italiana nessa aliança foi dúbia desde o princípio. De forma que, secretamente os italianos assinaram um acordo com o bloco rival em caso de guerra, recebendo como recompensa colônias na África.

B) TRÍPLICE ENTENTE: Inicialmente existia um acordo entre França e Inglaterra (Entente Cordiale), no qual a primeira reconhecia as pretensões colonialistas da segunda e esta se comprometia a ajudar a França, no caso de uma agressão alemã. Em 1907 a Rússia adere ao bloco. Formava-se assim a Tríplice Entente.

Importante ressaltar que para os dois blocos militares organizados prevaleceu a máxima: "o inimigo do meu inimigo é meu amigo", ou seja, os países  
buscaram aliar-se com nações que possuíssem atritos com seus rivais.

Outro  importante atrito, a chamada Questão Balcânica, gerou o evento que desencadeou a Primeira Guerra, e merece um detalhamento maior. Desde a decadência do Império Turco Otomano, a região dos Bálcãs (tome como referência de local as imediações da Grécia) estava em crise. Resumindo, o quadro de crise política na região assim se apresentava:
- A Sérvia apoiava os movimentos nacionalistas eslavos na luta contra as pretensões da Áustria em anexar a região.
- A Áustria contrariava o plano de formação de um grande país eslavo sob a liderança da Sérvia; - O Império Russo pretendia ampliar sua influência na região e obter uma saída para o Mar Mediterrâneo;
- A Turquia, como ex-potência da região, se aproximou da Alemanha e da Áustria para impedir o avanço russo.

OPS lembrem-se!! Observem que as razões da Guerra Civil Iugoslava (entre 1991 a 2001) estão relacionadas com as divergências históricas entre sérvios, croatas e bósnios, e são anteriores a Primeira Guerra Mundial. Após a fragmentação da Iugoslávia em 1991 as divergências retornaram com foco na limpeza étnica em áreas de população sérvia. O ideal de criação da Grande Sérvia ainda é a percepção e principal meta para os sérvios. Em resumo a região ainda continua um barril de pólvora no século XXI.



Assim, percebe-se que a região balcânica era um verdadeiro barril de pólvora no começo do século XX. Como dizia na época: o inicio da guerra estava por uma centelha. Só faltava um pretexto para se atear fogo ao estopim nesse barril de pólvora. A fagulha ocorreu com o assassinato do herdeiro do trono austríaco, o Arquiduque Francisco Ferdinando.
Acaso do destino ou imprudência? Fico com a segunda opção. Resolveu o arquiduque visitar, no dia 28 de junho de 1914, Sarajevo, a capital da Bósnia. Esta atitude insensata do Francisco Ferdinando é comparável a hipotética visita do presidente Obama ao Iraque nos dias atuais desfilando em carro aberto. Imaginaram qual seria o resultado??
Os assassinos do arquiduque eram ligados ao movimento nacionalista sérvio, e, por isso, Áustria declarou guerra à Sérvia no dia 28 de julho do mesmo ano. A Rússia manifestou solidariedade à Sérvia, e a Alemanha declarou guerra à Rússia, no dia 1º de agosto de 1914. É a aplicação da máxima: "o inimigo do meu inimigo é meu amigo", lembram!!! Este horizonte de eventos desencadeou o conflito entre os países membros das duas alianças militares, arrastando o mundo para uma das mais sangrentas guerras do século XX.

Os primeiros movimentos da Guerra.

Em 3 de agosto, a Alemanha declarou guerra à França, e no dia seguinte, invadiu a Bélgica. Na frente oeste, nos primeiros meses da guerra, a iniciativa coube aos alemães, que tomaram grandes extensões dos territórios belga e francês.
Na frente leste, o exército russo parecia vitorioso, conquistando parte da Prússia Oriental (atual território da Polônia, na época pertencente a Alemanha).

As Fases da Guerra.

Podemos caracterizar a fase inicial da guerra pela ocorrência de um frenético avanço de tropas conquistando territórios e pelo elevado número de mortos. Estas características fazem parte da primeira fase da guerra denominada de Guerra de Movimento. Contudo, o expressivo número de mortos nesta fase foi a motivo para a adoção de uma estratégia mais defensiva que procurava não expor os exércitos em campo aberto visando preserva-los das modernas armas de guerra e assim inicia-se uma nova fase.


A metralhadora e o tanque  foram algumas das inovações da Primeira Guerra Mundial. A metralhadora foi a arma letal e responsável pelo grande número de mortos na primeira etapa da guerra. A utilização dos gás mostarda e  o gás de cloro foram exemplos de armas químicas empregadas durante o conflito


A segunda fase seria a Guerra de Trincheiras ou Guerra de Posições. Sem condições de manter o ritmo inicial, os exércitos alemães recuaram na frente oeste e retomaram os territórios na frente leste. Depois disso, tanto as forças da Entente como as da Tríplice Aliança mantiveram as posições e sem condições de romper as linhas das forças inimigas. Esta situação perdurou até praticamente o fim da guerra.

A imagem ao lado mostra um instantâneo da guerra, soldados caminhando pelas trincheiras (utilizando máscara de gás). O grande número de baixas na primeira fase motivou uma mudança de estratégia dos exércitos ao adotar uma postura mais defensiva através das trincheiras. Milhares de quilômetros de trincheiras foram escavados por todo cenário das batalhas na Europa.





Em maio de 1915, a Itália declarou guerra à Alemanha e à Áustria, teoricamente seus aliados. Esta atitude da Itália foi oportunista, esperava lutando ao lado da França e da Inglaterra, obter territórios nas províncias rebeldes e na África.
O esforço de guerra começou a ser sentido pelas populações dos países em guerra. A falta de alimentos, de matérias-primas e as condições de trabalho provocaram greves, motins e levantes operários, principalmente na Alemanha.
Na frente de batalha, o quadro se modificou profundamente depois de abril de 1917. Submarinos alemães afundaram navios norte-americanos, provocando a entrada dos Estados Unidos na guerra.
Os Estados Unidos já forneciam armas, munições e alimentos aos aliados. Agora, o peso econômico-industrial “ianque” faria mudar o rumo do conflito, pois os alemães não tinham condições de materiais de continuar lutando por muito tempo. Entretanto, convém lembrar que a entrada dos EUA na guerra também se explica pelo fato de que se houvesse vitória da Alemanha, todo investimento estadunidense aplicado nos países da Entente durante os três primeiros anos da guerra estariam perdidos. A Revolução Russa corroborou para os Estados Unidos optarem em entrar no conflito. Em 1917 (outubro/novembro), a Rússia saiu da guerra, depois que os bolcheviques (Revolução Russa) tomaram o poder. Este acontecimento deu condições para que a Alemanha prolongasse sua permanência na guerra por mais de um ano. Em 1918, os aliados dos alemães abandonam a guerra deixando-os sozinhos. Na Alemanha, revoltas populares, levantes de soldados e marinheiros paralisavam a máquina de guerra. Exaustos no dia 9 de novembro de 1918, o imperador Guilherme II foi derrubado e substituído por um governo provisório (social-democrata), o qual assinou o armistício (suspensão do conflito) com os aliados. A guerra havia acabado. Em janeiro de 1919, começou a Conferência de Paz de Versalhes, que se encerraria em 28 de junho.

Os Termos da Rendição: Em janeiro, o presidente dos EUA, Wilson propôs os seus famosos “14 pontos” para uma paz mais justa. Contudo a intolerância e insistência da França e da Inglaterra em exigirem reparações, invalidaram a iniciativa do presidente dos EUA.


Numa conferência foi assinado o Tratado de Versalhes, que determinou o seguinte:
· Criação da Liga das Nações, para mediar diplomaticamente os conflitos internacionais. A Liga foi o embrião da ONU, porém, já surgiu com seus poderes pouco efetivos. Isso porque a Alemanha, responsabilizada pela guerra, a Rússia, abalada pela Revolução socialista e os EUA, discordantes do Tratado de Versalhes, ficaram de fora desse organismo;
· Estabelecimento de novas fronteiras. A Alemanha devolveu a Alsácia-Lorena para a França e cedeu territórios para a criação da Polônia como país independente. O território alemão ficou ainda dividido em duas porções pelo corredor polonês, para dar acesso ao mar à Polônia;
· A Alemanha perdia suas colônias e ficava obrigada a desmilitarizar e limitar o efetivo do seu exército a 100 mil homens e a desmantelar as fortificações fronteiriças;
· A Alemanha e seus aliados foram considerados responsáveis pela guerra e condenados a pagar pesadíssimas indenizações. As indenizações exigiram a entrega dos navios acima de mil toneladas e de diversos recursos naturais alemães à exploração dos países vencedores.

Evidentemente, essas imposições eram demasiado pesadas para que a Alemanha pudesse cumpri-las na sua integralidade. O presidente dos EUA, Woodron Wilson, insistentemente alertava aos líderes da Inglaterra e da França que uma rendição honrosa e viável para a Alemanha seria a garantia de uma paz duradoura, mas os teimosos líderes ingleses e franceses não acataram as recomendações de Wilson, que insistia na aprovação dos 14 pontos da sua proposta de tratado de rendição, sarcasticamente comentado por Clemanceau, representante da França: "Ora até Deus precisou de apenas 10 mandamentos, qual motivo de agora precisarmos de 14 artigos".  Assim, os anos 20 foram tremendamente difíceis para a Alemanha, devido as imposições do Tratado de Versalhes, gerando um sentimento de frustração e revanche no povo alemão. Nos termos do Tratado de Versalhes encontramos entre outras as origens da 2ª Guerra Mundial.

Após as decisões do Tratado de Versalhes os EUA adotam uma política internacional isolacionista "dando as costas" aos países da Europa.

O Império Áustro-Húngaro também foi penalizado no Tratado de Saint-Germain, que lhe tirou a saída para o mar e reduziu drasticamente seu território.

CONECTANDO COM A ATUALIDADE:
O Esfacelamento do Império Otomano e a crise entre palestinos e o Estado de Israel. 

Quando o Império Turco Otomano foi desmembrado, após a Primeira Grande Guerra, surgem novos países e diferentes povos. Um detalhe que normalmente passa desapercebido é que a desintegração do Império Otomano vai ser a semente das futuras desavenças entre palestinos e israelenses, bastante acentuadas após a Segunda Guerra Mundial. Síria, Monte Líbano, Palestina, Meca e Medina eram parte do Império Otomano, de população majoritariamente árabe e que professavam as seguinte religiões: o islamismo, o cristianismo e o judaismo. 
O controle destes territórios, então herdados do Império Otomano, coube à Inglaterra e a França que visavam resguardar seus interesses colonialistas e portanto ignoram sistematicamente as reivindicações árabes para formar países independentes. A Liga das Nações (um arremedo do que seria a ONU), em 1922, resolve dividir a região em mandatos (territórios) que seriam administrados por França e Inglaterra por períodos determinados.
Neste mesmo ano a Carta da Liga das Nações continha uma determinação que entre os objetivos do mandato inglês na Palestina estaria a criação de um território judeu e com a condição de não ferir os interesses da população não judaíca que habitava a região. Ao passo que os paises vizinhos conquistavam sua independência a Palestina mantinha-se sob o controle britânico. Paralelamente o movimento Sionista começa a organizar a migração em massa de judeus para a Palestina deslocando a força a população árabe existente a fim de estabelecer os assentamentos judaícos. Assim, iniciam os primeiros choques violentos entres árabes e judeus provenientes da Europa Oriental. Importante ressaltar que o conflito dos anos 20 não foram de natureza religiosa, mas política. Importante ressaltar que nos dogmas do judaísmo e do islamismo NÃO HÁ(grifo meu) incitação à guerra santa, como alguns desavisados ou mal intencionados formadores de opinião costumam, em suas publicações, apontarem para a religião como causa do conflito. O problema está nas interpretações religiosas equivocadas de radicias sionistas e islâmicos, que infelizmente de certa forma prevalecem no inconsciente coletivo, mascaradas pelo viés político.  A partir de 1936 eclodiram várias revoltas dos palestinos, duramente reprimidas pelos ingleses, contabilizaram aos milhares entre mortos e feridos e outros milhares de presos. O partido nacional palestino exigia já desde àquela época a formação de um governo palestino autônomo. Contudo sem conseguir manter a ordem na Palestina e incapaz de conseguir um Estado aos judeus, sem ferir os direitos e causar revoltas dos palestinos, a Inglaterra entrega o mandato (território) a ONU. Esta era a constatação de que a política internacional inglesa havia fracassado. A partir de então os problemas se avolumaram chegando a seu ponto nevrálgico com a Guerra dos 6 Dias em 1967, conflito que arrefeceu as possibilidades de estabilidade na região. De lá para cá israelenses e palestinos teceram uma relação conflituosa com avanços e retrocessos, como o que está acontecendo em 2014 com o bombardeio israelense na Faixa de Gaza e aos lançamentos de foguetes pelo Hamas em Israel.   

As mudanças geopolíticas.
   
No novo mapa europeu criado, a partir desses tratados, surgem novos países como Hungria, Polônia, Iugoslávia, Tchecoslováquia, Finlândia. Fora da Europa, surgem regiões do espólio do Império Turco-Otomano que originaram os atuais países do Oriente Médio, tais como Jordânia, Síria, Líbano, Iraque.
No âmbito das relações econômicas e sociais, a I Guerra Mundial deu aos EUA a condição de maior potência econômica mundial. Os EUA entraram na guerra como devedores e saíram como credores. A Primeira Guerra Mundial trouxe também um nefasto saldo de algo em torno de 14 milhões de mortes. Pior do que isso, essa guerra, que antes de começar dizia-se que acabaria com todas as outras guerras, apenas acirrou ainda mais os ânimos dos países europeus, uma lamentável realidade que encaminharia a II Guerra Mundial, com danos ainda maiores.
Para saber mais clique no link: 


O MAPA EUROPA ANTES DA 1ª GRANDE GUERRA



MAPA DA EUROPA APÓS A GUERRA DE 1914 A 1918.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Governo Populista - Populismo


A REPÚBLICA POPULISTA 1946 – 1964 (Resumo)


Apesar de habitualmente convencionar-se o período de 1945 a 1964 como o auge do populismo é importante ressaltar que suas raízes não remontam desta época. As suas origens estão na Revolução de 1930. O populismo não foi um advento tipicamente brasileiro, mas latino americano. Trazia a marca de suas origens: a política ambígua como produto de forças transformadoras e contraditórias. Notabilizado por Getúlio Vargas que usou e abusou do carisma pessoal, dos discursos melodramáticos e do uso da propaganda massiva, características consagradoras do grande ícone populista que, ainda hoje, inspira os hábitos e comportamentos das lideranças políticas contemporâneas. Seu discurso nacionalista, a concentração de poderes políticos, uma delicada teia de interesses e alianças proporcionaram-lhe longa permanência a frente da presidência do Brasil. O populismo de Vargas saudava valores e idéias que o credenciava como “grande líder” porta-voz das massas, fundamentando o seu discurso em projetos de inclusão social. Contudo o exemplo que ratifica a contradição do populismo é a denominação dada à Vargas que conseguia, ao mesmo tempo, ser o “pai dos pobres” e a “mãe dos ricos”.
Segundo o sociólogo Francisco Weffort, o populismo, como "estilo de governo", é sempre sensível às pressões populares; simultaneamente, como "política de massa", procura conduzir e manipular as aspirações populares. Isto significa que, aparentemente o comando estava com o povo, porem na realidade, sem aperceber-se a massa popular era sutilmente controlada pelo governante. Podemos retirar a conclusão do que representou o populismo a partir de 3 aspectos:
No plano político/econômico foi o deslocamento do pólo dinâmico da economia - do setor agrário para o urbano -, através do processo de desenvolvimento industrial, em grande parte iniciado pela revolução de 1930.
No plano social, tais transformações econômicas implicaram a ascensão das classes populares urbanas, cujos anseios foram sistematicamente ignorados e reprimidos no período da República Oligárquica.
Do ponto de vista da camada dirigente, o populismo é, por sua vez, a forma assumida pelo Estado para dar conta dos anseios populares e, simultaneamente, elaborar mecanismos para o seu controle.

O MITO DO PAI DOS POBRES - Este texto traz mais informações sobre o populismo.
Vargas foi uma referência do populismo, mas não o único. JK, Jânio e Jango também figuram como representantes deste modelo na época. Posteriormente outros políticos absorveram características populistas em suas trajetórias pessoais, seja no ambito estadual ou nacional. O populismo não acabou. Ainda está em evidência. Como prova apontamos o estilo de governar do presidente Lula ao incorporar aspectos populistas, mantém altos índices de popularidade no Brasil e destaca-se no cenário político internacional. Cito como exemplo do folclore populista o recente fato de ter recebido elogios do presidente Obama ao comentar "Este é o cara" referindo-se a Lula. Portanto "nunca na História deste país" o populismo esteve tão em voga. Importante lembrar que a passagem para o período da República Populista origina-se nas consequências do término da Segunda Guerra Mundial que repercutiram sobre a política interna do Brasil e contribuiram para o enfraquecimento das bases de sustentação do governo Vargas. Justificativa não faltava. Afinal não fazia sentido manter aqui uma ditadura (o Estado Novo) que enviou tropas para combater a ditadura nazifascista na Europa. Situação não condizente ao cenário mundial de restabelecimento das democracias, após a derrota do nazifascismo. As pressões aumentaram para o término do Estado Novo.

Foi assim que o "Reporter Esso a testemunha ocular da História" anunciou a pelo rádio a renúncia de Vargas em 1945: (Clique no link abaixo para ouvir)

REPÓRTER ESSO NOTICIA A RENÚNCIA DE VARGAS



Eurico Dutra (1946-1951)
Embora não figure como um típico populista, Dutra foi o primeiro presidente do dito período. Eleito com o apoio do PTB e de Getúlio Vargas, a quem derrubou do poder em 1945, chegou a presidência em uma época conturbada por problemas econômicos e políticos. O aumento do custo de vida provocou manifestações de protesto da classe trabalhadora em reação o governo Dutra proibiu greves e interveio em sindicatos. Vamos observar alguns aspectos deste governo considerando a seguinte classificação:
Contexto político Nacional:
  • Elaboração da Constituição de 1946 (Quinta constituição do Brasil e quarta da República) foi considerada foi considerada liberal e redemocratizante. Características: Foi Promulgada; Manteve República Federativa; O Regime Presidencialista (com mandato presidencial de cinco anos); Independência entre os três Poderes; Autonomia estadual e municipal; Voto universal e obrigatório para alfabetizados maiores de 18 anos; Votação para Presidente e Vice-Presidente.
  • Plano Salte (saúde, alimentos, transporte e energia);
  • Proibição do jogo do bicho e fechamento dos cassinos;

Contexto político Internacional:

  • Alinhamento do Brasil aos EUA no contexto da Guerra Fria (Imperialismo Cultural);
  • Rompimento das Relações Diplomáticas com a URSS;Fechamento do PCB;




Getúlio Vargas – PTB (1951 – 1954):


Em 1950 na campanha para presidente traz a baila Getúlio Vargas. Utilizando seus atributos populistas Gegê, como era carinhosamente chamado, consegue se eleger e voltar ao poder "nos braços do povo". Inova na campanha política. Utiliza o "jingle" de campanha divulgado pelos canais midiáticos, principalmente o rádio, fortalecendo a comunicação com as massas trabalhadoras.  
Clique no link para ouvirJINGLE DA CAMPANHA DE VARGAS EM 1950


Afinal nos trabalhadores encontraria um dos pilares de sustentação do governo, cuja principal característica foi a política econômica nacionalista e intervencionista. Característica esta que valeu forte oposição dos adversários políticos e apesar do carisma popular o clima do governo transcorreu em meio a turbulentas crises e resultou no gesto fatídico do suicídio. Fatos do governo Vargas:
  • Plano Lafer (Horácio Lafer): estímulo a indústria de base (Plano Qüinqüenal);
  • Campanha "O petróleo é nosso", com o apoio de Monteiro Lobato, que culminou em 1953 com a criação da Petrobrás;
  • Empresários nacionais, associados a capitais internacionais, financiaram a oposição ao governo através da UDN e do seu líder e governador da Guanabara Carlos Lacerda (dono da Tribuna da Imprensa);
  • A fim de ganhar apoio das massas Vargas adota uma medida populista: o aumento de 100% do salário mínimo, concedido pelo Ministro do Trabalho João Goulart;
  • Atentado a Carlos Lacerda (rua Toneleros, Copacabana no Rio de Janeiro);
  • Suicídio de Getúlio Vargas (24 de agosto de 1954). Carta Testamento: "...saio da vida para entrar na História."                                                                                                                                                                                  
Clique no link para ouvir o trecho da Carta Testamento anunciada pelo Repórter Esso: A CARTA TESTAMENTO DE VARGAS





Multidão acompanha o cortejo fúnebre de
Vargas no Rio de Janeiro 







O povo chora pela morte do "pai dos pobres"


Assumem respectivamente a presidência Café Filho (vice-presidente), Carlos Luz (presidente da Câmara dos Deputados) e Nereu Ramos (presidente do Senado). Tentativa de golpe dos udenistas (com o apoio de Carlos Luz), que tentam impedir a posse de JK e Jango, acusando-os de "comunistas" e por não conseguirem a maioria absoluta de votos. A tentativa de golpe foi desarticulada pelo general Henrique Teixeira Lot (Ministro da Guerra).


Juscelino Kubitschek – PSD (1955 – 1961)
Carismático e político habilidoso JK, o presidente "bossa nova", notabilizou-se pelo empreendedorismo e na construção de um Brasil moderno como marca da sua administração. Podemos apontar como principal característica deste governo a política econômica modernizadora e com base no capital estrangeiro. Abriu as portas para o capital internacional, elevou o padrão de consumo da população urbana ao incentivar a instalação das indústrias de bens duráveis (automóveis e eletrodomésticos). Concluiu seu mandato com a audaciosa e dispendiosa construção de Brasília. Os principais fatos deste governo foram:
Construção de Brasília a marca da adminisração JK.

  • Sua plataforma de campanha e de governo foi o Plano de Metas: "50 anos de desenvolvimento em 5 de governo";
  •  Empréstimos e investimentos estrangeiros. O Plano de Metas previa investimentos em: energia, transporte, alimentação indústria de base e educação.
  • Construção de Brasília (Projeto de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa), construída pelos candangos.
  • Concentração de industrias em SP, Rio e MG. Instalação de indústrias de bens duráveis, principalmente multinacionais automobilísticas;
No final do governo JK, o país teve um aumento considerável da dívida externa e da inflação (superinflação), o que provocou o aumento do custo de vida e poder aquisitivo do salário mínimo caiu consideravelmente;
  • O aumento da inflação do custo de vida e da dívida externa, levou o governo a romper com o FMI e a decretar oratória.
  • Criação da SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste);


Jânio Quadros – PTN (1961):

Apesar de ser candidato do inexpressivo partido PTN foi eleito com o apoio da UDN. Comentava-se que: "Jânio é a UDN de porre!". Seu símbolo de campanha foi a "vassourinha" que segundo Jânio, se eleito, varreria a corrupção da administração pública. Particularmente entendo que a escolha de Jânioo foi o voto de protesto do eleitorado. Teve o significado de um recado aos políticos, em virtude do desacrédito nas atitudes das instituições da República no contexto da época. Figura caricata, Jânio, foi autor de medidas polêmicas como a proibição de rinhas de galo e uso do biquíni. No plano da política externa provocou arrepios aos políticos conservadores ligados ao capital estrangeiro (Estados Unidos) quando condecorou Che Guevara em cerimônia oficial. Esquisitices a parte Jânio encerrou seu mandato com uma renúncia pitoresca alegando que "forças terríveis ameaçavam seu mandato" "a mim não falta a coragem da renúncia" . Os principais acontecimentos deste governo:
Jânio condecora Che Guevara em Brasília
  • Manteve uma política externa independente: Reatou relações diplomáticas com a URSS e China Popular. Condecorou o ministro cubano e líder revolucionário de esquerda, Ernesto "Che" Guevara, com a comenda da Ordem do Cruzeiro do Sul.
  • A UDN rompe com Jânio e Carlos Lacerda, em rede de TV, acusa-o de abrir as portas do Brasil ao "comunismo internacional";
  • Sem apoio Jânio Quadros renuncia(26 de Agosto de 1961): "...forças terríveis levantaram-se contra mim e me intrigam ou infamam... A mim não falta a coragem da renúncia."Assim o

Repórter Esso anunciou a misteriosa renúncia de Jânio: A RENÚNCIA DE JÂNIO


Com a renúncia de Jânio, deveria assumir o vice-presidente. Jango estava em visita oficial a China Popular e era considerado pelos grupos reacionários, simpatizante do comunismo. Setores ligados ao grande capital nacional e internacional, com o apoio de parte das Forças Armadas tentaram impedir a posse de Goulart, quando eclodiu em Porto Alegre, depois se espalhando pelo RS e Brasil, o Movimento da Legalidade, liderado pelo governador Leonel Brizola (com o apoio do III Exército), que exigia o cumprimento da constituição e a posse de João Goulart.




João Goulart – PTB (1961 - 1964):
A posse de João Goulart, foi muito tumultuada. Graças as forças da legalidade seu mandato foi garantido. Época em que movimentos pró e anti-revolucionários eclodiram pelo país o governo Jango foi palco do conflito de interesses da implantação de reformas sociais com o capital internacional. A novidade foi a inédita adoção do sistema Parlamentarista,que deveria ser referendado por um plebiscito, tendo como Primeiro Ministro Tancredo Neves; Realização do plebiscito (6 de janeiro de 1963): de um total de 12 milhões de votos, quase 10 milhões de cidadãos votaram contra o parlamentarismo; Podemos caracterizar o mandato de Jango como governo nacionalista e política externa independente. Outros acontecimenos deste governo :
  • Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social:
  • Reformas de Base:   Reforma Agrária; Reforma Urbana; Reforma Educacional; Reforma Eleitoral; Reforma Tributária.
  • Lei de remessas de lucro para o exterior. Desagradou os interesses das multinacionais que operavam no Brasil.

Os trabalhadores deflagaram greves para pressionar os deputados e senadores na aprovação das reformas, as classes dominantes, em oposição, organizavam ,em várias cidades, as Marchas com Deus pela Liberdade, em São Paulo a Marcha teve como uma de suas líderes a socialite Hebe Camargo. Em 31 de março de 1964 começou o Golpe Civel Militar por Minas Gerais (general Olímpio Mourão Filho, apoiado pelo governador Magalhães Pinto), que recebeu a adesão de unidades no RS, SP e GB. Em 1 de abril Jango deixou Brasília e rumou para Porto Alegre, onde Brizola, com o apoio da BM, tentou convence-lo inutilmente a resistir, ambos fugiram para o Uruguai. Termina assim com um golpe militar a República Populista

Para sabe mais sobre a DitaduraPALESTRA SOBRE FATOS DA DITADURA