domingo, 24 de maio de 2015

A ERA VARGAS (1930 A 1945)


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A REPÚBLICA EM CRISE - INTRODUÇÃO.

A "Revolução" de 1930 deu início a uma nova etapa de nossa história política, que estendeu-se até 1945, essa fase foi marcada pela liderança política de Getúlio Vargas. Podemos segmentá-la em "Revolução" de 30, Governo Provisório, Fase Constitucional e Estado Novo (1937-1945) este último um período ditatorial baseado em burocracia complexa e poder centralizador, com intervenção do Estado na economia e nos sindicatos.
A atividade econômica essencial do país era a agricultura de exportação, principalmente o café. A saturação deste modelo político-econômico das oligarquias agrárias decretou o término da República Velha e ajudou a acelerar um processo de mudanças. Na economia, a indústria e os serviços se desenvolveram em paralelo com a formação da classe operária, integrada inicialmente por imigrantes italianos que trouxeram da Europa as idéias libertárias do comunismo. Na política mais mudanças, em 1922 surgiu o Partido Comunista Brasileiro. Os jovens oficiais genericamente denominados "Tenentes" comandam varias rebeliões e clamam por moralização da política.
Em verdade a proposta de modernização do Brasil consistiu na representação dos interesses da burguesia industrial em ascensão para enfrentar a crise da economia agrário-exportadora que desabou com a quebra do sistema financeiro internacional, fato histórico mais conhecido como a Quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929 cujo reflexo no Brasil afetou mortalmente o poder político-econômico dos barões do café.
A derrubada do último presidente da República Velha, o paulista Washington Luis, pelas forças políticas e militares em 1930 não promoveu nem transformação revolucionária e tampouco o desenvolvimento do país. Um indicador da confirmação desta afirmação foi a atitude dos "Tenentes" que pegaram em armas para lutar contra as oligarquias e após a vitória da dita "Revolução de 30" compuseram alianças políticas com os oligarcas locais que continuavam a ter grande poder. Embora o movimento tenentista reconheça a falência do modelo agrário exportador e tenha retirado os latifundiários da condução do poder político do país, em relação a incentivar a industrialização o tenentismo deu pouca ênfase, atribuindo esta tarefa ao Estado.
Vargas foi o candidato da conciliação “nacional” e representava os interesses das elites. Se por um lado pregava a modernização do Brasil (atendendo aos desejos dos industriais e banqueiros) por outro não podia renegar sua origem agrária, pois era filho de rico estancieiro gaúcho (grande produtor rural). Esta dúbia característica foi um fator de apaziguamento das elites em torno do nome deste gaúcho de São Borja. Durante sua trajetória Vargas exercitará sua habilidade de transitar entre as camadas da sociedade. Vezes afagando as elites outras vezes protegendo as massas populares.
Após a queda do governo da República Velha ou Primeira República através do movimento conhecido como a Revolução de 30 "costurou-se" um acordo a fim de definir quem governaria o Brasil. O nome de Vargas representava o consenso entre os movimentos que desejavam o fim da Oligarquia dos Cafeicultores. Contudo é importante ressaltar que este não significou o término do poder das oligarquias. Inicia-se assim a ERA VARGAS um período importante da História do Brasil que começou com uma "revolução" e terminou com um tiro no peito.

"Façamos a revolução antes que o povo a faça", neste bordão do folclore político do Brasil está contida a verdadeira finalidade dos articuladores do movimento de 30 que derrubou a Primeira República ou República Velha. Mas afinal que Revolução é essa na qual o povo ficou na condição de mero espectador? Este é o conceito de Revolução?
Particularmente creio que o termo "revolução" foi, digamos uma licença poética para trazer impacto ao momento desta troca de poder político e dar a impressão de que as mudanças seriam profundas. Em verdade ficaria mais condizente a denominação de Golpe de 30.
Entre muitas manifestações de protesto antioligárquico estão: Tenentismo, Semana de Arte Moderna, Greves, A coluna Prestes e a fundação do Partido Comunista do Brasil, daí afirmar que esta troca de oligarquias foi uma revolução, existe uma diferença enorme.

Considerando que Vargas foi o nome de consenso das oligarquias, podemos perguntar: A revolução de 30 foi fruto da participação do "Zé Povinho"?

Vargas (Centro) com os revolucionários no Palácio do Catete - Sede do Governo.

Vamos refletir!!

Afinal a Revolução de 30 representou a continuidade ou uma ruptura?
A pergunta ainda causa polêmica. Tire suas conclusões clicando no link abaixo: http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos20/Revolucao30/RupturaContinuidade

Para Saber mais sobre a "Revolução de 30" clique no link abaixo:
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u40.jhtm


O GOVERNO PROVISÓRIO (1930-1932)- Com o discurso apontado à modernidade Vargas recebe o apoio necessário para preparar o terreno em direção aos novos rumos do desenvolvimento do Brasil. Mas "existia uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho existia uma pedra". A pedra era o DESCONTENTAMENTO DAS ELITES. Pelo ponto de vista das oligarquias Vargas inova "em demasia" e preocupa-se com as questões sociais/trabalhistas do operariado, procura defender as riquezas nacionais e centralizar as decisões econômicas e políticas.
A imagem do "pai dos pobres" ou "pai dos trabalhadores" começou a ser construída nesta época, Vargas inaugura uma estratégia populista que iria ser copiada por muitos políticos do Brasil. Para saber mais leia o texto O pai dos pobres o mito de Vargas. 
Assustados com as propostas populistas do governo os setores conservadores da sociedade paulista iniciam forte reação. Apesar de vários Estados demonstrarem seu descontentamento contra o governo de Vargas, apenas São Paulo foi as vias de fato. Armas em punho a 09 de Julho de 1932 a "Revolução Constitucionalista" dos paulistas pede a volta da política de República Velha. Apesar da mobilização de São Paulo, o governo federal com tropas mais bem equipadas consegue debelar a Revolta.




















Cartazes conclamando os paulistas a pegarem em armas contra o governo de Vargas.

Para saber mais sobre a Revolta Constitucionalista clique no link abaixo:
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1702u3.jhtm

O PERÍODO CONSTITUCIONALISTA 1934 -1937
Apesar da derrota para o governo a Revolução dos paulistas de 1932 conseguiu estabelecer a promessa de elaboração de uma nova carta constitucional para o país - A Constituição de 1934 - que trazia em seus artigos definições importantes:
  • Em relação ao Sistema Eleitoral: Implantar Voto Secreto; mulheres adquirem o direito de votar; criação da Justiça eleitoral independente (fiscalizar).
  • Direitos Trabalhistas: Salário mínimo, jornada de 8 horas diárias, férias remuneradas, indenização por demissão.
  • Nacionalização das riquezas minerais: as jazidas minerais e quedas d'água capazes de gerar energia passar a ser da União.
Um avanço no quesito de direitos foi a conquista política das mulheres em relação as eleições:
As mulheres ganham direitos e participam da eleição no Brasil. Em 13 de março de 1934 , uma voz feminina se fez ouvir pela primeira vez no Congresso Nacional. Discursava na Tribuna a primeira congressista brasileira, a deputada Carlota Queiroz .










Comício da Profª Natércia em 1933. ..         ...Discurso de Carlota Queiroz a 1ª Deputada do Brasil(1934).

Vargas soube como poucos políticos brasileiros negociar acordos políticos e transitar em várias correntes ideológicas partidárias. Durante o período constitucionalista esta habilidade de Getúlio foi colocada à prova e o manteve no poder através dos pactos e costuras políticas com as principais correntes ideológicas : O Integralismo e o Comunismo.

OS INTEGRALISTAS:
Formado por setores conservadores da sociedade: como a facção conservadora da Igreja católica (que combatia ao "comunismo ateu"),pela classe média alta, empresários capitalistas e imigrantes ou descendentes de imigrantes ítalo-germânicos. Seu principal nome e líder foi Plínio Salgado. Possuíam características semelhantes aos programas dos governos totalitários de modelo nazifascista. O Lema dos integralistas era DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA , sua saudação era ANAUÊ! e o símbolo era a letra grega sigma ∑. 
A forte presença do fascismo na Europa dava subsídios aos intelectuais do movimento para a defesa da adoção deste modelo político no Brasil . O Integralismo se opôs ao capitalismo e também ao comunismo,  possuía um apelo racista e anti-semita, repudiava a democracia, o pluralismo político partidário e o eram a favor do controle total do Estado sobre a sociedade.

O Integralismo representava as idéias políticas de extrema direita.

                                                                                                                                                                                                                                                                  ALIANÇA NACIONAL LIBERTADORA (ANL) - Era representada por setores ligados aos partidos de esquerda, principalmente ao PCB (Partido Comunista Brasileiro), cujo principal nome é o de Luís Carlos Prestes (no centro da foto). A ANL era contra o fascismo e o imperialismo, portanto fazia oposição ao Integralismo. As propostas dos aliancistas eram voltadas ao programa comunista, ou seja, eram contra o grande latifúndio e a favor da reforma agrária, nacionalização da economia e estatização da propriedade privada.
Como podemos perceber as propostas das principais forças políticas do Brasil neste período eram antagônicas (contrárias) e portanto inconciliáveis, exceto por um "cimento" chamado Vargas. Contudo a postura mediadora de Getúlio foi em verdade com a intenção de observar de perto o intuíto dos grupos políticos que compunham a base do governo. Mais cedo ou mais tarde Vargas sabia que precisaria descartar os seus aliados políticos eventuais, mas  precisaria criar condições adequadas para eliminá-los e ao mesmo tempo ter apoio da sociedade para continuar no poder. Foram os comunistas que deram a Vargas a oportunidade de pôr seu plano em ação, através do advento da Intentona Comunista.
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A INTENTONA COMUNISTA - Devido a decretação da ilegalidade do Partido Comunista pelo governo, eclodiu a chamada Intentona Comunista ou seja uma rebelião militar em alguns quartéis dos Estados do RJ, RN e PE. Mal organizada esta revolta foi rapidamente sufocada e seus líderes presos, entre estes estavam Prestes. A reação dos comunistas provocou o pretexto que o governo necessitava para implantar o Estado de Guerra sob a justificativa da "ameaça comunista" através do Suposto Plano Cohen.

A INTENTONA INTEGRALISTA - Dando continuidade do seu plano de eliminar seus aliados, Vargas não pretendia dividir o poder com os integralistas e conforme determinava um decreto lei de dezembro de 1937 "estavam extintos todos os partidos políticos", inclusive a AIN (partido integralista). Inconformados com a traição getulista os integralistas tentaram invadir o Palácio do Catete (sede do governo federal) situado na capital do país - o Rio de Janeiro - com objetivo de retirar Vargas do poder, porém a tentativa frustrada de golpe militar foi sufocada pelo governo e os líderes integralistas presos ou executados.

Pronto!! Estava estabelecido um novo período da ERA VARGAS: O ESTADO NOVO. Corresponde ao  governo ditatorial inspirado no fascismo e no corporativismo, em voga na Europa naquela época.
Na noite de 10 de novembro de 1937 Vargas anuncia pelas ondas do rádio ao país a decretação da Constituição autoritária, apelidada de Polaca, em razão do seu teor aproximar-se dos moldes do regime ditatorial da Polônia. Este contexto político foi possível em razão do apoio recebido dos cafeicultores, dos industriais, das oligarquias e da classe média urbana, todos amedrontados com a expansão da esquerda e conseqüente crescimento do comunismo.
Vamos estudar o Estado Novo em separado na próxima postagem!! 


















Nas ondas do rádio Vargas anuncia o Estado Novo. Clique abaixo e ouça a voz de Vargas:
http://www.locutor.info/audioHistoria/historiaGetulioVargasDiscurso1deMaio.mp3


AGORA TESTE SEUS CONHECIMENTOS SOBRE ERA VARGAS. CLIQUE NO LINK ABAIXO.

EXERCÍCIOS ERA VARGAS

sexta-feira, 8 de maio de 2015

LISTA DE EXERCÍCIO - AULÃO ENEM REPUBLICA VELHA



SÁBADO LETIVO – HISTÓRIA – AULÃO ENEM – PROF. FERNANDO 


1- (ENEM-2008) O abolicionista Joaquim Nabuco fez um resumo dos fatores que levaram à abolição da escravatura com as seguintes palavras: “Cinco ações ou concursos diferentes cooperaram para o resultado final:  
1º) o espírito daqueles que criavam a opinião pela idéia, pela palavra, pelo sentimento, e que a faziam valer por meio do Parlamento, dos meetings [reuniões públicas], da imprensa, do ensino superior, do púlpito, dos tribunais;  2.º) a ação coercitiva dos que se propunham a destruir materialmente o formidável aparelho da escravidão, arrebatando os escravos ao poder dos senhores;  3.º) a ação complementar dos próprios proprietários, que, à medida que o movimento se precipitava, iam libertando em massa as suas ‘fábricas’; 4.º) a ação política dos estadistas, representando as concessões do governo; 5.º) a ação da família imperial.” Joaquim Nabuco. Minha formação. São Paulo: Martin Claret, 2005, -p. 144 (com adaptações).

Nesse texto, Joaquim Nabuco afirma que a abolição da escravatura foi o resultado de uma luta :             
                                                                
(A) de idéias, associada a ações contra a organização escravista, com o auxílio de proprietários que libertavam seus escravos, de estadistas e da ação da família imperial. 
(B) classes, associada a ações contra a organização escravista, que foi seguida pela ajuda de proprietários que substituíam os escravos por assalariados, o que provocou a adesão de estadistas e, posteriormente, ações republicanas.    
(C) partidária, associada a ações contra a organização escravista, com o auxílio de proprietários que mudavam seu foco de investimento e da ação da família imperial.  
(D) política, associada a ações contra a organização escravista, sabotada por proprietários que buscavam manter o escravismo, por estadistas e pela ação republicana contra a realeza. 
(E) religiosa, associada a ações contra a organização escravista, que fora apoiada por proprietários que haviam substituído os seus escravos por imigrantes, o que resultou na adesão de estadistas republicanos na luta contra a realeza.
                                                                                                                                                                   

2- Canudos foi um movimento social que ocorreu em fins do século passado e que envolveu milhares de nordestinos. Hoje, o Movimento dos Sem Terra é também um movimento social que envolve milhares de pessoas.

Identifique a alternativa que apresenta características comuns aos dois movimentos
a) Os objetivos sociais, apesar de Canudos ter defendido as idéias dos produtores nordestinos, enquanto o Movimento dos Sem Terra defende as idéias dos trabalhadores do sudeste.   
b) A luta pela terra, defendendo desde o início o recurso da luta armada para obtê-la.
c) A luta por melhores condições de vida e contra o desemprego.
d) A luta pela pequena propriedade e o desenvolvimento de uma política de cooperativas agrárias.
e) A luta pela terra, defendendo condições de vida mais dignas para seus participantes.
                                                                      


3- Em um balanço sobre a Primeira República no Brasil, Júlio de Mesquita Filho escreveu:“... a política se orienta não mais pela vontade popular livremente manifesta, mas pelos caprichos de um número limitado de indivíduos sob cuja proteção se acolhem todos quantos pretendem um lugar nas assembléias estaduais e federais”. (A crise nacional, 1925.) 

De acordo com o texto, o autor:
a) critica a autonomia excessiva do poder legislativo. 
b) propõe limites ao federalismo. 
c) defende o regime parlamentarista .  
d) critica o poder oligárquico.
e) defende a supremacia política do sul do país.


4- Analise o texto a seguir. “Foi um meio utilizado para neutralizar a oposição ao governo federal, estadual e o Congresso Nacional através da ideologia do favor. O governo federal articulava-se com os grupos dominantes das oligarquias de cada estado, oferecendo-lhes verbas e benefícios  em garantia da não interferência nos assuntos regionais. Em troca, essas oligarquias, que controlavam  o processo eleitoral  por meio de fraudes e violências e da atuação ao nível municipal dos coronéis, orientavam seus deputados e senadores a não fazerem oposição ao presidente da República” .

Podemos afirmar que o texto acima refere-se :
a) A política das salvações que era um dos mecanismos de poder dos militares.  
b) Voto de cabresto uma forma de controle do eleitorado. 
c) A política do café com leite um dos instrumentos  complementares da política dos governadores. 
d) O clientelismo uma peça chave da república do café com leite. 
e) A política dos governadores que foi o principal mecanismo de manutenção do poder das oligarquias.
                                                                                                                                                  


5-Concidadãos! o Povo, o Exército e a Armada Nacional, em perfeita comunhão de sentimentos com os nossos concidadãos residentes nas províncias, acabam de decretar a deposição da dinastia imperial e conseqüentemente a extinção do sistema monárquico representativo.  Como resultado imediato desta revolução nacional, de caráter essencialmente patriótico, acaba de ser instituído um Governo Provisório, cuja principal missão é garantir com a ordem publica a liberdade e o direito do cidadão. “Manifesto da Proclamação da República de 16 de novembro de 1889”

Pode-se depreender do texto acima em relação ao que realmente ocorreu em 15 de novembro de 1889 :

a) Está correto, pois afirma que o povo e as forças militares decretaram a deposição da monarquia num movimento qualificado de revolução nacional.       
b) Está incorreto, pois o povo esteve distante das articulações que derrubaram a monarquia em 1889. Não houve processo revolucionário com participação popular e sim um golpe militar patrocinado pelas elites.   
c) Está coerente, pois houve intensa participação popular nas articulações que derrubaram a monarquia. Caracterizando um processo revolucionário com grande presença do povo.
d) Está incoerente, pois demonstra o processo de revolução nacional com ampla participação dos militares, dos grupos dominantes, intelectuais e o povo. 


GABARITO: 1-A/ 2-E/ 3-D/ 4-E/ 5-B

quarta-feira, 11 de março de 2015

República Velha ou Primeira República.

A Formação da República.

CLIQUE AQUI PARA IMPRIMIR!! (Será impresso apenas o texto, as imagens não serão impressas)

O período da Proclamação da República de 1889 à Revolução de 1930, tradicionalmente é denominado de República Velha. Contudo nos últimos anos, o termo vem sendo gradualmente substituído por Primeira República, porém, as interpretações sobre o período não sofreram alterações significativas.

CHARGE SIMBOLIZANDO OS NOVOS TEMPOS:
A REPUBLICA CHEGOU, MAS SERÁ QUE A VIDA
DA POPULAÇÃO MELHOROU?
NOVOS TEMPOS, NOVOS ATORES E NENHUMA MUDANÇA.

"Liberdade! Liberdade!

Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!"

Esta estrofe do Hino da República dá a impressão que os autores que participaram deste episódio da história nacional são todos os brasileiros, mas não foi bem assim. As asas da liberdade foram abertas sobre os militares, as elites e alguns intelectuais republicanos, mas não sobre a maioria do “povo”. A propósito a palavra “povo”, literalmente, não faz parte do hino republicano.
Sem disparar um só tiro (de fato apenas duas salvas de tiro aconteceram) para demonstrar que se tratava de um golpe e não de um desfile militar os 600 soldados da tropa perfilados no Campo de Santana, talvez desavisa dos, desconfiassem que participavam de uma manobra para derrubar o regime imperial do Brasil.









Primeira Bandeira da República. 
Entender o processo em que a República foi proclamada necessário se faz observar os acontecimentos referentes ao episódio da Crise no Segundo Império Brasileiro. Nas últimas décadas do século XIX o regime monárquico viveu em constante desgaste, refletindo o surgimento de novos interesses no país, associados à elite cafeeira, aos militares, às camadas urbanas e aos imigrantes, sendo que estes últimos representavam a nova força de trabalho. O entendimento da crise no sistema monárquico é importante para visualizarmos o desfecho da proclamação da República. Entre os historiadores é consenso destacar que a crise religiosa, a crise miliar e a abolição da escravidão provocaram fortes abalos na sustentação do regime imperial, que combalido desmoronou em 1889. A monarquia, no Brasil, não caiu com um estrondo, mas com um suspiro. Decerto é que o regime atravessava uma situação política gravíssima há muito tempo. Considera-se que o atestado de óbito da realeza tenha sido assinado com o advento da Lei Áurea. A fim de ilustrar trago um evento ocorrido na ocasião da cerimônia de assinatura da abolição em 1888, o Barão de Cotegipe, um defensor da manutenção da escravidão estava na fila de cumprimentos quando confidenciou a Princesa Isabel, "Vossa Alteza acabou de libertar uma raça, mas perdeste o trono". Isabel lhe respondeu de pronto "Mil tronos tivesse, mil tronos perderia para libertar os escravos no Brasil". Contudo a altivez da princesa foi suplantada pelo vaticínio do Barão de Cotegipe, pois dezoito meses após a assinatura da Lei Áurea a monarquia havia caído. O barão possuía uma visão mais realista do cenário do Brasil da época do que a princesa. Em verdade, a abolição derrubou o último alicerce que sustentava a monarquia, com a retirada do apoio dos defensores da escravidão (principalmente os grandes fazendeiros) expôs o choque de interesses entre a elite agrária e o imperador, abrindo caminho para a proclamação da República em 1889.
         

Quadro de Bendito Calixto pintado em 1893 retrata a cena da proclamção no Campo de Santana, no Rio de Janeiro.

Mas afinal quem fez a República no Brasil?

Parte da resposta está na imagem acima, retratada por Benedito Calixto. O olhar mais atento da cena constata-se a ausência de um personagem essencial. Então, já descobriu o ilustre personagem ausente? Certamente a conclusão que chegamos é que  grande parte da população não foi convidada para participar desta "festa da elite" e quando foi permitida a sua presença entrou pela porta dos fundos.  O advento da proclamação é o ato final para a monarquia, mas a impressão é de que a República foi de improviso, conforme a citação de um jurista da época "Estava já articulada a parte geral do código, quando à 15 de novembro, um mês depois, sobreveio inopinada a sedição militar que, com grande assombro da nação, derrotou a monarquia e de improviso fundou a Republica.”
O movimento que eliminou a monarquia no país foi comandado pelo exército, unido à elite agrária, particularmente os cafeicultores do oeste paulista. Estes últimos, há duas décadas haviam organizado um partido político, o PRP - Partido Republicano Paulista - que defendia o ideal republicano, além do fim da escravidão e o federalismo que garantiria a autonomia estadual. Foi desta maneira que a elite cafeeira procurou conquistar o apoio dos setores urbanos, de diferentes classes sociais e das elites regionais. Importante ressaltar a exclusão das camadas populares da participação no poder político. O processo de mudança do regime político foi conduzido pelas elites que se apossaram do poder.
A História da República brasileira é recheada de fases. Nos primórdios republicano os presidentes eram militares e por isso esta fase ficou conhecida como a República da Espada, depois consolidou-se a República das Oligarquias, título que firmou-se no processo histórico republicano. Os presidentes eram representantes das elites e davam de costas às carências da população.

De qual maneira o povo foi afastado das decisões políticas? Através de alguns mecanismos de manutenção do poder como a "política do Café com Leite", "a política dos governadores", "o coronelismo", "a Comissão de Verificação" ,além de outros  adereços como por exemplo a fraude eleitoral, o banditismo e o voto de cabresto.
O esquema da oligarquia inicia com  a implementação da chamada “política dos governadores”, um federalismo peculiar, baseado em alianças e trocas de favores políticos entre os poderes federal, estadual e municipal. Esquema pelo qual as elites se beneficiavam  e favorecia a consolidação das oligarquias regionais. Na base da política dos governadores estava a figura do coronel, líder político local que media o seu poder e prestígio político pela quantidade de votos que controlasse. O povo, principalmente na zona rural, estava submetido ao "coronelismo e ao banditismo". A impunidade e a fraude política marcaram esse período, eram a regra quando deveriam ser exceção. O voto não era secreto, esta condição obrigava que a  maioria dos eleitores estivesse sujeita à pressão dos chefes políticos locais (os coronéis) através do voto de cabresto. O eleitor não tinha espaço para escolher com tranquilidade seus candidatos neste período, além dos coronéis, havia também a "Comissão de Verificação",  que era mais um instrumento político a serviço da reprodução de resultado favorável nas eleições para o grupo dominante. Era a Comissão de Verificação que validava a eleição dos candidatos e evidentemente utilizava todas as brechas da lei para prejudicar os partidos da oposição. Muitos candidatos oposicionistas ganhavam, mas não levavam, pois a comissão indeferia a vitória "legitimada" nas urnas.  No âmbito nacional a República brasileira era dominada por diversas oligarquias estaduais, principalmente as de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente os maiores produtores de café e leite, motivo pelo qual caia como uma luva o sugestivo nome de "Política do Café com  Leite". Estas oligarquias controlavam o país e se revezavam no poder ditando os caminhos da nação.   
Como percebemos no parágrafo anterior durante grande parte da história republicana nacional a maioria da população era excluída do processo decisório político, pois as oligarquias montaram uma estrutura de poder que atendia aos interesses das nossas elites, afastando do processo decisório político parcelas significativas da sociedade. Apenas a minoria da população, as oligarquias, era atendida em suas reivindicações. Portanto contraditando o significado da palavra República (Res= coisa e publicus= de todos) o regime político que deveria ser do povo e para o povo na prática servia aos interesses de poucos: as oligarquias. O povo brasileiro cada vez mais marginalizado era vítima da exclusão política e social, principalmente. A insatisfação com o regime republicano ficou patente e muitos dos excluídos sentiram-se traídos pelas promessas republicanas, não foram poucos os movimentos de contestação da ordem. Diversas revoltas ocorreram no campo e nas cidades. Como exemplos significativos, podemos citar: a Guerra de Canudos, o fenômeno do Cangaço, o Contestado, a Revolta da Vacina e a Revolta contra a Chibata.

AS REVOLTAS SOCIAIS NA PRIMEIRA REPÚBLICA.

A visão do estrangeiro sobre as revoltas. A revolta de Canudos (1895-97), a (1904 Revolta da Vacina) e do Contestado (1912-16) repercutiram no exterior como movimentos contrários, respectivamente, à República Brasileira, ao saneamento urbano do Rio de Janeiro e à implantação de uma ferrovia na Região Sul. Assim sendo, foram vistas pelos países estrangeiros como ocorrências de caráter retrógrado, que poderiam dificultar a modernização do Brasil e seu maior entrosamento com o capital internacional, na qualidade tanto de mercado consumidor como de exportador de matérias-primas. A versão de que as revoltas sociais atrasavam o desenvolvimento do país veiculada pela imprensa da época e durante muito tempo constou nos livros de História. Porém uma releitura destes movimentos sociais trazem uma nova interpretação, colocando os movimentos reivindicatórios como um enfrentamento dos desassistidos à política elitista das oligarquias.

Coronelismo e Messianismo. Em 1934 morria em Juazeiro do Norte (Ceará) um "messias", também perseguido pela Igreja Católica, porém, ao contrário de Antonio Conselheiro (Bahia), o Padre Cícero Romão Batista era um aliado dos coronéis do Vale do Cariri, que a partir de 1912 lutaram contra a política de intervenções do governo federal e derrubaram o governador pertencente ao grupo político do governo federal. A fé e o poder político são ingredientes constantes na época, a seguir vamos detalhar como dois conceitos: O coronelismo e o messianismo, fizeram parte do cenário da Primeira República.

O MESSIANISMO
Considera-se como movimento messiânico, aquele que é comandado por um líder espiritual, um "messias", a partir de suas pregações religiosas passa a arregimentar um grande número de fiéis, numa nova forma de organização popular, que foge as regras tradicionais e por isso é vista como uma ameaça a ordem de poder constituída ou seja choca-se com os interesses dos líderes políticos locais - os coronéis. Esses movimentos tiveram importância em diversas regiões do país; no interior da Bahia em Canudos, liderado pelo Antonio Conselheiro, em Juazeiro do Ceará, liderado pelo Padre Cícero, no interior de Santa Catarina e Paraná, liderado pelo beato João Maria.
Como o messianismo foi possível ? Devido a algumas condições objetivas como a concentração fundiária, a miséria dos camponeses e a prática do coronelismo, e por condições subjetivas como a forte religiosidade popular e a ignorância. Os grandes grupos sociais (a massa popular miserável) que acreditaram nos messias e os seguiram, procuravam satisfazer suas necessidades espirituais e ao mesmo tempo materiais em um cenário de abandono que lhe era imposto pelo Estado na época.

O CORONELISMO
Após a Proclamação da República, a maior autonomia dada aos Estados, ajuda a desenvolver o coronelismo. O coronel era o chefe político local, grande proprietário de latifúndio, que utilizava-se de jagunços e agregados para manter e ampliar seus "currais eleitorais", influenciando direta e indiretamente a vida política municipal e estadual. O prestígio político do coronel era medido pela quantidade de votos que controlasse, ou seja, o “voto de cabresto” que tornou-se moeda de troca através da prática do assistencialismo. Havia ainda as disputas entre os coronéis, envolvendo as contendas por terras ou pelo controle político na região e no Estado.

AS REVOLTAS POPULARES RURAIS.

VISTA DE BELO MONTE (CANUDOS) DO ALTO DO MORRO DA FAVELA
PRISIONEIROS DE CANUDOS APÓS A RENDIÇÃO





















A GUERRA DE CANUDOS.

No sertão da Bahia, no final do século XIX, travou-se a Guerra de Canudos, uma das mais sanguinárias revoltas populares da história brasileira. Movimento de cunho religioso, adquiriu coloração política, passou a ser considerado subversivo pelo governo e se alastrou em áreas socialmente carentes e miseráveis. Canudos era um arraial do interior da Bahia, área isolada e de difícil acesso. Na região se instalou a partir de 1893 o beato Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro. Antes, Conselheiro percorrera o sertão pregando transformações, profetizando o fim do mundo, mas não demorou muito para despertar a ira das autoridades e do clero católico, que o consideravam e a seus seguidores uma ameaça ao "establishment" (ou seja poder constituído). Conselheiro defendia que os homens deveriam livrar-se das opressões e injustiças que lhes eram impostas; Avalie o peso desta afirmação bombástica no contexto da época. Corroborando para isto o Conselheiro comandou uma queima de editais de cobrança de impostos e, em seguida, refugiou-se com seus adeptos em umas terras devolutas as margens do Rio Vaza Barris. A partir daí, seu exército, uma grande massa de pobres e maltrapilhos, só cresceu, chegando a uma população estimada em 30 mil pessoas, na época foi considerada a segunda maior cidade da Bahia em número populacional. “A República tinha medo da idéia socialista em plena caatinga, contra o poder do coronel e o latifundiário”. Esta afirmação está inevitavelmente associada ao porquê a elite temia o Conselheiro. Ao chegar do alto da colina e abrir os braços, disse “É aqui, nesta terra de Deus eu fundo nosso império de Belo Monte. ”.
Assista a seguir um trecho do filme a Guerra de Canudos dirigido por Sérgio Resende que ilustra a fundação de Canudos e as profecias do beato que disse que "o sertão vai virar praia e a praia vai virar sertão" .
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Conselheiro não fundou somente um arraial, adotou um sistema igualitário, com a distribuição dos bens; recebendo famílias de todas as partes. Isto era extremamente temerário para os líderes políticos locais. Conselheiro estabeleceu uma comunidade de natureza socialista, em plena caatinga nordestina, baseada nos anseios das massas camponesas, influenciado também pelas idéias do cristianismo primitivo. Entretanto mesmo que suas atitudes fossem socialistas não há indícios que tivesse conhecimento das bases teóricas da Obra de Karl Marx, acredito que o fez por intuição. Conselheiro desenvolveu na prática uma das primeiras experiências socialistas do Brasil: em Canudos, cada família entregava metade de suas posses para o conjunto da comunidade, mantinha roças e criações familiares, vivia desse trabalho e sustentava os desvalidos que iam chegando. Este era o "pecado" de Conselheiro que tirava o sono das autoridades locais: ao permitir o acesso a terra acabando a dependência dos sertanejos aos "favores" do coronel ou seja destruía o esquema de manutenção de poder das elites políticas, consolidando a idéia de não sujeição do povo ao mando dos representantes do poder vigente. Portanto pela lógica dos grupos políticos dominantes a experiência de Canudos precisava ser detida a qualquer custo.
Conselheiro seguia princípios da igreja católica e impunha regras religiosas rígidas a seus seguidores, obrigados a rezar terços todas as noites. A perseguição à comunidade aumentou após relatório de frades capuchinhos que apontavam Conselheiro e seus beatos como adeptos de seita político-religiosa lastreada em superstições e fanatismo. Articulando com a Igreja os políticos colocaram o plano para destruir Canudos em ação. Aos poucos, o movimento adquiriu caráter de oposição à República instalada anos antes no país. Atendendo a pedidos dos líderes políticos locais o governo do Estado da Bahia começou a despachar tropas para destruir o arraial (eram os quatro fogos que Conselheiro anunciou que viriam com os soldados do anticristo) e estas eram irremediavelmente dizimadas pelo bando de beatos. Mas, a morte de um coronel do Exército ,o arrogante Moreira César, conhecido como o "corta cabeças", mudou o curso dos combates. A Guerra de Canudos no sertão da Bahia ganhou as manchetes dos jornais do Brasil e do mundo e para lá jornalistas chegavam para cobrir as notícias da guerra do fim do mundo. Havia uma curiosidade geral para saber como um bando de fanáticos e maltrapilhos conseguiram vencer dois batalhões do exército brasileiro. Até que em 1897, na quarta incursão de tropas do exército na região comandadas por dois generais, com a supervisão do próprio ministro da guerra os militares incendiaram Canudos, mataram toda a população e degolaram os prisioneiros. Estima-se que mais de 6000 soldados estavam no teatro de operações durante o cerco final (o quarto fogo como se referia Conselheiro) e cerca de 27 mil pessoas morreram no conflito. A Guerra de Canudos deu origem a um dos clássicos da literatura brasileira, o livro Os Sertões, de Euclides da Cunha que pontuou o seu olhar sobre um dos episódios mais dramáticos da Primeira República. Entre as passagens escritas por Euclides está o emocionante descrição do episódio da invasão final de Canudos:

"Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados".

OS MOVIMENTOS MESSIÂNICOS FORAM MAIS COMUNS DO QUE IMAGINAMOS. PARA SABER MAIS CLIQUE NO LINK: OUTROS MOVIMENTOS MESSIÂNICOS



O CANGAÇO

Entre o final do século XIX e começo do XX (início da República), surgiu, no nordeste brasileiro, grupos de homens armados conhecidos como cangaceiros. Estes grupos apareceram em função, principalmente, das péssimas condições sociais da região nordestina. O latifúndio, que concentrava terra e renda nas mãos dos fazendeiros, deixava as margens da sociedade a maioria da população. Portanto, podemos entender o cangaço como um fenômeno social, caracterizado por atitudes violentas por parte dos cangaceiros, mas não somente por este prisma, como nos ensina o professor Júlio Chiavenatto ao desmistificá-los, mostrando que "o Cangaço é um sistema de luta de classes que se processava no Nordeste. Só que o cangaceiro não tinha consciência social e o Cangaço acabava sendo simplesmente uma reação à miséria que não se resolvia de forma racional, se resolvia pela violência. (...) O cangaceiro não tem nenhum fim social na sua luta, ele não busca posse de terra e a justiça social, ele luta simplesmente pela sua sobrevivência e o Cangaço passa a ser um meio de vida."
Cangaceiros andavam em bandos armados, espalhavam o medo pelo sertão nordestino. Possuíam uma vida nômade, ou seja, viviam em movimento, indo de uma cidade para outra. Ao chegarem nas cidades pediam recursos e ajuda aos moradores locais. Aos que se recusavam a ajudar o bando, sobrava a violência. Promoviam saques a fazendas, atacavam comboios e chegavam a sequestrar fazendeiros para obtenção de resgates. Aqueles que os respeitavam e acatavam as ordens dos cangaceiros não sofriam, pelo contrário, eram muitas vezes ajudados como por exemplo julgamentos sumários e distribuição de dinheiro roubado. Esta atitude de "ajudar", fez com que os cangaceiros fossem respeitados e até mesmo admirados por parte da população humilde da época que os consideravam a única forma de obter justiça.
Por não seguirem as leis estabelecidas pelo governo, eram perseguidos constantemente pelos policiais (os macacos). Existiram diversos bandos de cangaceiros. Porém, o mais conhecido e temido da época foi o comandado por Lampião (Virgulino Ferreira da Silva), também conhecido pelo apelido de “Rei do Cangaço”.













 A direita a imagem macabra após a captura do bando de Lampião

Lampião,  o "Rei do Cangaço". Bandido ou justiceiro?




Cangaceiro era bandido ou justiceiro, o mito de bandido herói ainda causa confusão na população.                                                PARA SABER MAIS: Foi publicado na edição de Maio de 2011 da Revista de História da Biblioteca Nacional uma matéria abordando o tema dos bandidos que tornaram-se lenda, entre os quais está Lampião. Leia o preâmbulo da matéria, clique aqui: Fascinantes-facínoras .

Outro artigo interessante sobre o tema é ICONOGRAFIA DO CANGAÇO.





A GUERRA DO CONTESTADO.

Tão dramática quanto as revoltas ocorridas no sertão do Nordeste do Brasil, este movimento popular camponês ocorrido em Santa Catarina entre 1912 e 1916 durante a metade do conturbado governo do presidente Hermes da Fonseca é o retrato da falta de vontade política dos governantes para com a população carente que habitava a área rural. Importante ressaltar que apesar do caráter messiânico e por serem ligados a questão da terra os movimentos de Canudos e do Contestado  tiveram motivos bem diferentes. O beato José Maria comandava uma multidão de camponeses pobres da região do Contestado (chamava-se assim por ser uma área de divisa disputada pelos Estados de Santa Catarina e Paraná) explorados pelos grandes latifundiários da região que os expulsavam das terras a fim de obterem lucro com a desapropriação da área na qual seria construída uma ferrovia da empresa estadosunidense Brazil Railway Company. Posteriormente juntaram-se ao "rebanho" do beato um enorme contingente de trabalhadores desempregados da ferrovia Brazil Railway Company, em sua maioria agenciados em cidades como Salvador para construírem uma estrada de ferro na região e, após o término da obra foram demitidos e largados a própria sorte. A capacidade do beato José Maria em aglutinar e liderar uma enorme massa de camponeses preocupava as forças políticas locais - os coronéis, além dos governos federal e estadual. Aplicando a receita de veicular uma notícia falsa para justificar a ação o governo acusa o beato de inimigo da República e perturbador da ordem pública.Sem muito a perder esta massa de desvalidos percebeu que lutar pela terra era a alternativa mais em conta  e armados de facões, paus, enxadas e espingardas foram a luta. As tropas do governo estadual foram convocadas e nos confrontos iniciais com os revoltosos do Contestado, o beato José Maria foi morto. Apesar da morte do líder messiânico, os fiéis resistiram, mas o Exército fez a diferença no conflito, vencendo as batalhas contabilizando um saldo de milhares de revoltosos mortos.














Beato José Maria líder messiânico do Contestado                Mapa da região do conflito

   

terça-feira, 28 de outubro de 2014

A Idade Média e o Feudalismo

A Idade Média




Costuma-se a chamar de Idade Média o período que começa com a queda do Império Romano do ocidente em 476 d.C. e encerra-se em 1453 com a tomada de Constantinopla, então, a capital do Império Bizantino.  O período medieval, em geral, é dividido em Alta e Baixa Idade Média.

  • A Alta Idade Média estende-se do séc. V ao X, que corresponde ao período de consolidação do feudalismo, o sistema socioeconômico predominante na Europa medieval.
  • A Baixa Idade Média inicia-se no séc. XI e encerra-se no séc. XV. Corresponde ao período do auge e da decadência do feudalismo, a partir de uma lenta transformação que resultou na substituição do modelo feudal pelo sistema capitalista.
Habitualmente costuma-se a relacionar a Idade Média como uma época de insignificante desenvolvimento científico, tecnológico e artístico. Essa visão nasceu durante o período do Renascimento quando criou-se a denominação de Idade das Trevas, neste particular devemos considerar o contexto da luta entre o pensamento do racionalismo Renascentista (baseado no resgate do pensamento clássico grego) contra o pensamento religioso da Igreja. Entretanto, devemos ponderar que o período medieval foi responsável por importantes contribuições em relação a produção agrícola, na área educacional (com a criação das universidades), além do desenvolvimento de movimentos artísticos como o romântico, o gótico e principalmente o Renascimento. 
O termo "Trevas" está mais relacionado ao distanciamento da razão do que necessariamente a ausência desta no contexto medieval, afinal uma parte das ideias e conceitos do período foram criados pelos doutos cuja fonte eram as obras clássicas gregas.   
A imagem ao lado é uma iluminura do século XV extraída do Livro das Horas do Duque de Berry, retrata o cotidiano do trabalho servil. 


A Formação do Feudalismo.

Entre o fim de Roma e a instalação do Feudalismo, a Europa foi varrida por uma onda de invasões dos povos bárbaros: os vândalos, os anglo-saxões, os lombardos, os francos e os árabes. Apesar de destruírem as instituições romanas, jamais conseguiram consolidar-se como Estado forte, a exceção dos árabes e dos francos.  

Os reinos francos ergueram um vigoroso império na Europa Ocidental. Instalados na Gália, atual França, os francos finalmente fixam-se a partir do  século V, na região que outrora era uma província romana . 
A dinastia dos merovíngios foi a primeira tentativa de unificação dos francos, realizada por Clóvis que empenhou-se em conquistar terras e formalizar uma aliança com a Igreja Católica na ocasião de sua conversão ao cristianismo. 
Esta aliança com a Igreja solidificou-se quando a dinastia merovíngia conseguiu deter o avanço do islamitas na Europa através de Carlos Martel que liderou e venceu a batalha de Poitiers em 732 d.C. delimitando o território do império islâmico na Europa apenas à península ibérica (Espanha e Portugal). 

A dinastia dos carolíngios sucedeu os merovíngios ainda no século VII, e atingiu o apogeu com Carlos Magno, coroado imperador pelo papa, adquiri assim, a incumbência de disseminar e defender o cristianismo. Importante ressaltar que nesta época a Europa atravessava o processo de ruralização e descentralização do poder, elementos chave da formação do sistema feudal. A expansão territorial feita por Carlos Magno alcançou grande extensão da região central da Europa,mas após sua morte o império fragmentou-se e  a desintegração contribuiu para o aumento do poder da nobreza local, somado ao acontecimento das novas invasões bárbaras: dos normandos e saxões, permitiu a consolidação do feudalismo. 

Esta nova leva de invasões acentuou o clima de insegurança e instabilidade entre a nobreza. Como forma de defesa surge a construção dos grandes castelos, que funcionavam como fortalezas militares, em torno deles viviam a população pobre (servos do castelo) que buscavam proteção. Em razão da segurança os castelos situavam-se em regiões afastadas e de difícil acesso, esta situação cria a necessidade de produzir ali mesmo o que era preciso para sobreviver, ou seja, a autossuficiência voltada para a subsistência (produzir apenas o necessário para viver). A economia tinha a sua base na agricultura e a posse da propriedade (o feudo) determinada a condição de poder e social do indivíduo.

Os castelos surgiram como uma alternativa para proteção das pessoas contra as frequentes invasões na Alta Idade Média. 
Essas construções cercadas de muralhas de pedra tinham como principal função a defesa, mas também serviam de residência do senhor feudal e sede do poder no feudo. Situavam-se, em geral, no alto do vale a fim de ter uma ampla visão da região. A foto ao lado é do Castelos dos Mouros (Árabes) na região de Sintra em Portugal. Demonstrando que nem sempre foram os europeus que construíram castelos. 
Conquistar uma dessas construções não era tarefa fácil, dependia de muito esforço e perseverança do invasor para proclamar a frase: Entregue sua fortaleza. As paredes dos castelos suportavam fortes impactos, mas até a mais resistente sucumbiria se as fundações sofressem algum tipo de avaria. O método habitual era cavar tuneis até a parede. Uma vez encontrada a fundação, escava-se um buraco na base enchendo-o de material inflamável e reveste de lenha para iniciar o incêndio. Um bom exemplo foi o cerco ao castelo de Rochester, em 1215, na Inglaterra, utilizou-se a gordura de 40 porcos para atear fogo e demolir as muralhas.   



"Uns rezam, alguns lutam e outros trabalham."

A citação acima pode perfeitamente sintetizar as relações sociais e de poder existentes no feudalismo, pois as relações eram bem definidas a partir do sistema de obrigações e direitos. Abordamos antes que após a desintegração de Roma e do Império Carolíngio, o sistema feudal instala-se no continente europeu. 




Ao lado encontra-se a imagem de uma iluminura francesa do século XII retratando os três principais grupos sociais do feudalismo. Condizente com a citação "Uns rezam, alguns lutam e outros trabalham", a imagem corrobora com a definição de que a função social de cada grupo na época medieval era bem demarcada, relacionando o papel de cada classe na sociedade com o tipo de atividade que desempenhava. Para tanto era necessário uma rigidez em relação a mobilidade social, costumava-se a dizer que o nascimento determinava a condição social do indivíduo, a classe social que uma pessoa nascia indicava quem ela era, ou seja quem nasce servo será servo e quem nasce nobre será nobre, embora existissem exceções a esta regra. Embora, não se pode negar que além da servidão, a escravidão (base do sistema econômico da antiguidade) estava presente, em pequena escala, no medievo. Era incomum mas ocorria. Outro ponto à considerar na "cultura" medieval é a relação entre trabalho e a classe social. Dentro do contexto da época o trabalho braçal era considerado degradante e portanto condizente com a condição servil e distante dos nobres e parte do clero. Esta justificativa tinha dupla função, ao mesmo tempo determinava o papel do servo como a principal força de trabalho e subjugava-o a cumprir o destino traçado por Deus, um tipo de determinismo, ou, em alguns  casos, fatalismo divino. Naquela época a desigualdade social fazia parte da ordem natural vigente e, portanto, não deveria ser alterada.      

Agora veremos como foi esse processo e de que forma a vida desenvolveu-se nesta época. Podemos definir o feudalismo como um sistema político, social, econômico e cultural que predominou na Idade Média. Entre suas características podemos apontar: 
# a descentralização do poder político; 
# a pouca mobilidade (engessamento) social; 
# autossuficiência econômica do feudo (era a unidade básica de produção da Idade Média)
a agricultura com base da economia e a principal força de trabalho era servil. 

A figura abaixo é uma representação da relação de suserania e vassalagem do feudalismo.



O poder político.

descentralização do poder era a principal característica política do feudalismo. A autoridade do rei era meramente figurativa, pois na prática o poder era exercido pelo senhor feudal (membro da nobreza) que recebia do rei generosas porções de terra (o feudo), em contrapartida era obrigado a dar proteção militar à realeza. 
Este costume chamava-se "beneficium" (derivado das instituições germânicas), tornou-se comum entre os nobres que passaram a doar as terras entre si numa cerimônia chamada de "homenagem", o vassalo - aquele que recebia a propriedade e em troca prometia fidelidade e proteção militar ao doador, chamado de suserano - aquele que doava as terras e por sua vez jurava proteção ao vassalo. Esse sistema de obrigações recíprocas denominou-se relações de suserania e vassalagem, e constituiu-se uma das principais características do feudalismo, que teve sua origem numa antiga instituição germânica chamada de "comitatus" (era a fidelidade mútua entre chefes das tribos). 
Outros costumes derivados das instituições romanas influenciaram a estrutura do poder político no feudalismo, como por exemplo o "colonato", obrigava a fixação do trabalhador à terra e justificava assim a situação de servidão do trabalhador. Assim é crível afirmar que o feudalismo é o resultado da união das instituições romanas e germânicas.


A organização social.     

A sociedade feudal estava estruturada basicamente em três níveis sociais: senhores feudais, clero e servos.
  • senhores feudais - eram os nobres, detinham o poder sobre as propriedades (feudos)  e o controle militar.
  • clero - eram os religiosos, formado pelo alto (nobres) e baixo (servos) clero.
  • servos - eram os trabalhadores rurais.
Entre as características da sociedade medieval podemos destacar: a mobilidade social era muito restrita, quase não existia, a divisão social era legitimada pela doutrina da igreja católica ao atribuir a estratificação e hierarquização à vontade de Deus.
Os servos não eram escravos, pois não pertenciam ao senhor feudal, não podiam ser vendidos ou negociados, mas estavam presos à terra em razão da sua condição de dependência a estrutura de produção do feudo, ou seja, em troca do direito de usar a terra, o servo tinha de prestar uma gama de serviços e pagar vários tributos, tais como a corveia, a talha e a banalidade. 
As idéias socialistas de Karl Marx não fariam sucesso na Idade Média, a final a desigualdade social entre as classes fazia parte da ordem natural vigente no período, e portanto não deveria ser modificada. A classe social de uma pessoa era determinada pelo seu nascimento. 
Além dos três grupos sociais, havia um outro pequeno grupo social na sociedade feudal, chamados de vilões, que moravam nas vilas, eram trabalhadores livres ligados a um senhor.


A economia.

O feudo era a unidade básica de produção no sistema feudal, e a agricultura era a base da economia. A atividade econômica era voltada para o consumo interno, o feudo adotava a autossuficiência e a produção de subsistência. O comércio era praticamente nulo. As transações eram a base de trocas de produtos (o escambo), apesar de existir uma incipiente atividade monetária (uso de moedas). Lembrar que em razão da insegurança os feudos usam o isolamento como forma de preservação da integridade física, razão pela qual o contato com outros feudos era raro, obrigando assim, a adoção da autossuficiência econômica.
A estrutura básica de um feudo era constituída pelo manso senhorial (terras exclusivas do senhor feudal), manso servil (usadas pelos servos desde que pagassem tributos pela utilização), manso comum (utilizada por todos, eram os bosques e os pastos), o castelo (morada do senhor feudal), casa dos servos. Veja a figura abaixo.
  

           
O poder da igreja: corações e mentes a serviço da fé.

Na idade Média, é ponto pacífico que nenhuma instituição era tão rica, bem organizada e influente quanto a igreja católica. A impressão que deveria passar àquele que entrava num templo católico naquela época era algo parecido com a visão dos portões do paraíso. Se havia uma luz na escura Idade Média, seu clarão apontava ao encontro com Deus. A única salvação possível para toda e qualquer alma do período medieval estava na fé católica. Neste contexto, de chegar o mais próximo possível de Deus, surge a arquitetura gótica, erguendo catedrais imponentes tanto em dimensão quanto em ostentação. Com a suntuosidade cênica dos vitrais que permitiam a entrada da luz criando uma atmosfera celestial nos templos que guardavam relíquias sagradas de Cristo.


VITRAL DA CATEDRAL DE NOTRE DAME - PARIS
A arquitetura gótica foi instada promover a criação de uma atmosfera mística. Ostentar mais do que um simples efeito visual era uma simbologia de poder onipotente.   
Desde que o Imperador romano Teodósio tornou o cristianismo a religião oficial do Império em 391 d.C., a igreja acumulou fortunas e enormes porções de terras. Bem organizada e presente em quase todas as regiões da Europa, os seus membros dedicaram-se a converter os bárbaros ao cristianismo e promover a sua integração ao sistema de poder vigente.
Além de deter o poder espiritual, econômico e político, os religiosos faziam parte de uma elite letrada que monopoliza o conhecimento medieval. A ponto da filosofia ser confundida com a teologia cristã, através das ideias de seus maiores expoentes como: Santo Agostinho, Tomas de Aquino e Abelardo. Com tanto poder nas mãos, os sacerdotes não se davam por satisfeitos e queriam mais. A fim de manter a coesão da vida era necessário o auxílio divino. Neste ponto entravam os nobres reis medievais, quando na cerimonia de coroação o novo monarca era ungido com o óleo sagrado e a benção da igreja, marcando assim o seu direito de governar sancionado por Deus e portanto estava justificado o poder do governante sobre o povo.
Outra forma da Igreja impor seu poder foi através do pretexto de combater as heresias (eram práticas contrárias à doutrina da católica) através dos tribunais do Santo Ofício, mais conhecidos como Inquisição.  Símbolo máximo da repressão a Inquisição tornou-se uma espécie de justificativa para livrar o rei e papa de pessoas incômodas. Com poderes para julgar e sentenciar à morte os réus considerados infiéis os tribunais quase sempre condenavam aqueles que discordavam dos desmandos da Igreja ou de seus aliados. As vítimas mais famosas da Inquisição foram: Joana D'arc, sentenciada a morte na fogueira e Galileu Galilei condenado a retratar-se diante da Igreja devido a suas descobertas científicas. 

Outro evento que em princípio foi de natureza religiosa, mas fortemente influenciado pelo poder político foram as Cruzadas. A ideia foi associada ao resgate da terra santa em poder dos infiéis, contudo a necessidade de obter mais terras pela nobreza estava escamoteada pela justificativa da fé. A intensa participação dos religiosos nos assuntos terrenos provoca a reação de alguns segmentos da cristandade contrários a esta postura pouco evangelizadora do clero regular. Nasce então as ordens religiosas monásticas, também conhecidas como clero secular. Viviam isolados, reclusos em mosteiros e abadias, praticavam votos de pobreza e castidade, dedicavam-se a vida simples envoltos em orações e ao trabalho intelectual, além  da transcrição de obras da antiguidade clássica realizadas pelos monges copistas. Entre estas ordens religiosas uma das mais antigas foi a dos Beneditinos, fundada por São Bento, em 525 d.C. Posteriormente surgem outras ordens como os Franciscanos, Carmelitas e Jesuítas. 
Observe na imagem a altura da Igreja em estilo gótico do Convento de Santa Maria da Vitória, em Batalha -  Portugal. 











Exercícios
1- O aumento da circulação de moedas principalmente nas cidades, foi importante fator para a crise no Feudalismo porque

a) desarticulou o sistema de trocas de mercadorias, característica principal do feudalismo;
b)provocou o êxodo rural (fuga da zona rural em direção às cidades). Muitos servos passaram a comprar sua liberdade.
c) criou impostos, proporcionados pelo desenvolvimento comercial, os reis passaram a contratar exércitos. 
d) com o surgimento da burguesia, nova classe social que dominava o comércio e que possuía alto poder econômico. 
e) o contato da Europa com o Oriente, quebra o isolamento do sistema feudal e aumenta a troca de mercadorias.




2- “No final do século XV, o feudalismo encontrava-se desarticulado e enfraquecido. Os senhores feudais perderam poder econômico e político”. Estas transformações determinam uma importante transição entre períodos da História, a passagem do Feudalismo para o Capitalismo. Assinale a alternativa que não faz parte deste contexto histórico:

a) Renascimento comercial e urbano;  
b) O final das cruzadas; 
c) O desenvolvimento do comércio dinâmico a partir do Mar Mediterrâneo;                                      
d) O surgimento do operariado como grupo social urbano.
e) O surgimento da burguesia como uma nova classe social



3- O aparecimento da Burguesia, no fim da Idade Média, está intimamente ligado à atividade:


a) agrícola          b) industrial           c) manufatureira          d) comercial             e) financeira




4-Podemos afirmar que são características do Absolutismo:

( ) Reis com poderes totais – centralizavam o comando político, justiça, economia e sociedade.   
( ) Os reis eram escolhidos através do voto popular.
( ) transmissão hereditária de poder. 
( ) geralmente usavam da violência e promoviam injustiças para governar.
( ) sistema democrático no qual o povo escolhia o seu governante através do voto. 

Assinale a sequencia correta e depois marque no gabarito:
 a) V,F,V,F,V            b)V,V,V,V,V          c)F,F,F,F,F            d)F,V,F,V,V           e)V,F,V,V,F


RESPOSTAS:
1-A / 2-D / 3-D / 4-E